abril 12, 2006

Dizem «cobras e lagartos» dos seus PRÓPRIOS ministérios!
Como Eu adoro estes ministros!

Com ministros destes a seu lado, Sócras não precisa de oposição!


O da Saúde diz alto e bom som que «os médicos portugueses e o pessoal de enfermagem são do mais anti-higiénico que há» na Europa, porque são os que menos lavam as mãos.
Vai daí, morrem 10% dos velhinhos que entram, já fragilizados, nos Hospitais, cruel e friamente assassinados pelas infecções que neles contraem.
Que é como quem diz: pela mais básica negligência que neles grassa.

E pelos vistos (segundo o ministro), era só preciso que lavassem as mãos para que se poupassem dezenas de vidas por ano....

O da Justiça, pelo seu lado, acaba de afirmar que a Judite é um gigantesco «bluff!».
Afirmou o ministro, hoje, que a PJ é «incompetente, ineficaz e mal gerida». E disse-o com todas as letras.
O despedido ex-director, Santos Cabral, desafiou-o imediatamente, em resposta, a mostrar os números dessa "incompetência" e dessa "ineficácia".
E eu também gostava MUITO de ver esses números.
Já que o ministro da Saúde teve a coragem de afirmar claramente que 10% dos doentes são infectados nos hospitais, gostávamos TODOS de saber quais são os números do ministro da Justiça.
Por cada 100 investigações, com mandados de um juiz, com escutas telefónicas (o método por excelência dos investigadores), quantas se transformam efectivamente em acusações?
Quantos processos acabam por chegar aos Tribunais?
E desses, quantos dão origem a sentenças condenatórias?
Pode ser que o ministro revele, finalmente, quanto pesa o «trabalho pela negativa» da PJ (como ele próprio afirma) no trabalho total da Polícia e nos cofres do Estado.

Esse rácio é que era preciso MESMO conhecer-se.
Mas falamos de investigações iniciadas pela PJ e não pela Interpol ou pela Europol. Porque estas, sim: são as que se vendem mediaticamente aos tugas nas TVs e dão sempre para encher o olho ao povão.
O curioso é que com todas aquelas gigantescas apreensões de droga, cada uma maior que a anterior, não se vê ninguém a perguntar onde estão os 99,9% da droga que entra impunemente nesta imensa plataforma de entrada de droga na Europa que se chama Portugal.
Mas isso não interessa perguntar.
A areia que se tenta lançar para os olhos do povo é tanta que se pretende confundir a ínfima amostra que se vai capturando - na maior parte das vezes por estratégia deliberada dos dealers - com o grosso da droga que por aqui entra nas calmas.


E Porque é que era bom que conhecessemos os rácios de produtividade efectiva da PJ?
Porque eles são tão chocantes que não necessitariam de quaisquer comentários adicionais.
Porque eles demonstram que, na esmagadora maioria das vezes, depois de dezenas de meses, afectando dezenas de agentes, e de dezenas de milhares de contos gastos em investigações escutadeiras, não se chega a produzir prova que jeito tenha.

É como todos interiorizarmos que um dirigente de um clube nortenho qualquer controla (ou controlou) alguns (ou quase todos) os árbitros, mas ninguém arranja forma de o provar eficazmente - ora isso é, justamente, o trabalho da investigação e da PJ.

Depois de 4 anos a "pregar no deserto", fico contente por ver que, pelo menos, dois portugueses estão de acordo comigo: justamente, os dois ministros que respondem pelos seus serviços.

Publicado por JoaoTilly em abril 12, 2006 11:43 PM
Comentários