março 31, 2006

AVC mata 3 portugueses por hora. Mas o que interessa é a gripe das aves.

O Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC) assinala-se hoje, surgindo como uma oportunidade para alertar a população para uma doença que, em Portugal, mata três pessoas por hora.

O AVC é considerado uma «catástrofe evitável», causando a morte de cerca de 575 mil pessoas por ano na Europa, segundo dados da Aliança Europeia para o AVC (SAFE).
Em Portugal, três pessoas morrem por hora, tornando o AVC na principal causa de morte no país.

O AVC é igualmente a principal causa mundial de incapacidade, impondo, por isso, «gastos significativos ao nível dos sistemas de saúde».
Um estudo recentemente realizado indicou que cerca de 125 mil mortes por AVC poderiam ser evitadas, num período de cinco anos e meio, através do melhor acompanhamento e tratamento da hipertensão.


De acordo com o livro «Risco Cardiovascular Global», uma edição apoiada pela Fundação Portuguesa de Cardiologia e pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, apesar dos números «alarmantes» dos acidentes cardiovasculares, uma abordagem adequada dos factores de risco por parte dos médicos e o correcto cumprimento das terapêuticas por parte dos doentes poderão torná-los evitáveis.

«A implementação de um programa de prevenção, quer primária, quer secundária, pode permitir baixar a taxa de morbilidade e mortalidade existente em Portugal», referem os autores do livro.

O Risco Cardiovascular Global é definido como «a probabilidade que um indivíduo tem de sofrer de doenças cardiovasculares por reunir uma série de factores de risco».

Os principais factores de risco são o sedentarismo, uma alimentação inadequada, a obesidade, o tabagismo, a hipertensão arterial, o colesterol elevado e a diabetes.

Diário Digital / Lusa

O problema é sempre o mesmo: esta doença não dá papel. Mas faz gastar milhões ao estado.
Os governos estão mais preocupados com aquelas que o podem dar... aos montes. Como a gripe das aves.
Todos sabemos de casos - provavelmente a maioria deles, em que os sintomas de um AVC aparecem de súbito mas, se o acidente for socorrido de imediato, o doente pode recuperar praticamente até 100%.

No entanto, os que ocorrerem em Seia, a uma hora de Viseu, mais o tempo necessário para o diagnóstico e o tempo de espera nas urgências e o tempo de espera por uma ambulância, podemos afirmar com toda a segurança que serão mortais.


Publicado por JoaoTilly em março 31, 2006 09:58 AM
Comentários

É tal a ânsia das Tvs que já abriram o noticiário dizendo " há bripe das aves em Portugal" qundo afinal era gripe normal que existe em todas as aves completamente inofensiva.
As nossas Tvs vivem do alarmismo e com isso vão enchendo o papo dos laboratórios e prejudicando a economia.

Afixado por: João Norte em março 31, 2006 02:54 PM

Somos cidadãos livres. OK. Posso fumar, comer umas sandes de courato todos os dias ao almoço regadas com um tinto rasca qualquer, umas batatinhas fritas ao jantar com um bela posta de vitela de meio quilo temperada com metade disso de sal, passar a tarde a coçar os tomates sentado em frente à televisão ....e, para não “tecer aqui uns impropérios” em linguagem tabernácula, posso estar-me a cagar para outros factores de risco de doença cardiovascular.
Depois até posso reivindicar o direito à assistência médica. Não posso é achar estúpidos os que me dizem que o direito à saúde implica o dever de a preservar. O meu vizinho tem o direito de discordar da utilização dos seus impostos no tratamento dos problemas cardiovascular que livremente agravei em detrimento da aplicação em mais equipamento no hospital onde o seu filho está a ser tratado à asma (por exemplo).
Isto tudo para dizer que convivemos alegremente com os factores de risco do AVC e da aterosclerose em geral devido à nossa ignorância e estupidez. Como em muitas outras coisas. Aliás aquele estúpido ditado - perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe – é disso um excelente exemplo.

Só falta dizeres no teu post que o governo devia fazer publicar no diário da república a ementa semanal dos portugueses para uma vida (saudável) com factores de risco da aterosclerose diminuídos (às tantas o Sócrates é capaz de aproveitar a ideia).
Como percebes, este é um assunto que me irrita.

Afixado por: Laranjas em março 31, 2006 11:15 PM