Capitulando vergonhosamente perante os fanáticos religiosos e conferindo-lhes o direito à indignação por um simples Cartoon, Freitas mostrou não estar à altura do cargo que ocupa.
Decidiu incorporar Portugal na sua convicção pessoal e teve a ousadia de dizer que:
«Portugal não concorda com o conteúdo dos cartoons»???
E fala inclusivé em guerra religiosa!
Mas então Portugal não concorda com a Liberdade de expressão?
Temos novamente censura, 32 anos depois de Abril?
Se o conteúdo é melindroso para as sensibilidades de alguém, paciência.
Se é passivel de crime, para isso existem os Tribunais.
Algum Tribunal, em alguma parte do mundo civilizado, proferiria alguma sentença condenatória sobre aqueles insignificantes cartoons?
É obvio que não.
Freitas perdeu uma grande oportunidade de ficar calado.
Ao invés, decidiu puxar a si mais algum protagonismo bacoco e abrir aquela boca empoeirada de 30 anos de obscurantismo... e envergonhou Portugal. Que nada tem a ver com uns míseros cartoons desenhados por dois ou três dinamarqueses.
Nem isso é assunto, sequer.
Freitas não tem mesmo estatura para Estadista.
O Fundamentalismo do Santânico Lopes
Naquele tempo andava em alta a fé e pouco estimada a cultura. Sobraçava a pasta, nesse remoto Ano da Graça de 1992, um simples «ajudante de ministro» de seu nome Pedro Santana Lopes, acolitado por dois sub-ajudantes, Maria José Nogueira Pinto e António Sousa Lara.
Coube a este último pronunciar-se sobre a obra «O Evangelho segundo Jesus Cristo», do «inveterado ateu» José Saramago que concorria a um prémio literário. Disse o pio, que Deus abandonaria nas trapalhadas da Universidade Moderna, que «A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os» e, com tão clemente argumentação, o mullah Lara vetou o livro e, ponto final que não se fala mais nisso!
Só a equipa do lápis azul, de Salazar, poderia ter feito melhor…