fevereiro 06, 2006

O Bacalhau da Neide



Transcrevo este email que me me chegou hoje.
Não tenho palavras.
Não acredito que alguém as tenha.
É Portugal no seu mais puro subdesenvolvimento.


Mais uma do meu país...
O episódio passou despercebido à maioria do pessoal, mas aqui vai a epopeia da Neide com bacalhau e tudo.

A Neide é uma brasileira que estava sossegada a servir às mesas do restaurante «Sr. Bacalhau» do Colombo em Lisboa.
Ao tasco ia almoçar amiúde o Sr. Dr Ernesto Moreira, Director do Departamento de Administração Geral do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça (ufa!!!).
O nosso Ernesto engraçou com a Neide do Bacalhau e viu que ali a Neide estava mal empregada.
Avaliou a situação de alto a baixo e concluiu que faltava uma "Neide" no património do Estado Português.

E, se bem o cogitou melhor o fez. Sugeriu à Neide um lugarzito no dito Património, mandou-a concorrer e seleccionou-a.
A Neide foi então "Requisitada pelo Estado" por despacho estatal e publicado em Diário da República, sem qualquer concurso público, de que foi dispensada, dada a urgência e supremo interesse que o Estado tinha na Neide. A nossa Neide saltou assim do bacalhau para "Coordenadora do Departamento de Logística do Depósito Público de Vila Franca de Xira" com 1700 mocas por mês (340 contitos), mais as regalias da ordem.

"O Independente" achou piada à dispensa do concurso e foi ver da Neide.
E chapou com a Neide na primeira página de há 15 dias atrás. Foi um gozo. Eu que ia em viagem de carro ouvi o desenrolar de tudo pela rádio, em noticiários sucessivos.
Um delírio puro. De tanto rir só não me despistei por acaso. É que os jornalistas foram ouvir o Sr. Dr Ernesto Moreira, que falava do supremo interesse do Estado pela Neide e explicava, juridicamente, a necessidade do regime de requisição e mais, redundou que era a candidata com melhores habilitações e que tinha a experiência profissional da logística dos seis restaurantes Sr. Bacalhau.
A rádio largou-o e telefonou à gerência do Sr. Bacalhau.
Que não, que Logística não serviam, era mais bacalhau mesmo, e que os tascos eram independentes uns dos outros, e que a Neide era uma boa empregada de mesa. Apenas.
Voltaram ao Ernesto.
O Ernesto falou de uma licenciatura em Geografia e balbuciava qualquer coisa sobre Vila Franca de Xira. Depois teve o bom senso de se calar. Isto tudo de manhã.
À tarde o Ernesto ia à vida, o Presidente do IGFPJ idem aspas aspas, mais um ou dois responsáveis, e a Neide, ela própria.
O eng Sócras, acossado pela TSF e pelo Independente, não teve alternativa: mandou tudo pró olho da rua na mesma tarde em que saiu a notícia.

Nós deviamos candidatar-nos ao Guiness mostrando ao Mundo que podemos estar sempre a bater no fundo! Porque o fundo em Portugal não tem limite!


E agora, pergunto eu:
Se não fosse o Independente, que é que se ia passar com a Neide e com protector do seu bacalhau?
O mal deles eram... batatas!

Publicado por JoaoTilly em fevereiro 6, 2006 11:04 PM
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