fevereiro 01, 2006

Segunda carta ao Eng Sócras

Eng. Sócras:
Como não sei se recebeu a minha carta anterior e, entretanto, apareceu mais assunto para ser tratado aqui lhe envio a segunda.


Em primeiro lugar quero agradecer a V. Ex.Cia, Sr eng., por estas duas grandes benesses que agora deu ao povo que o elegeu, há menos de um ano, com maioria absoluta.
1 - Os impostos sobre os combustíveis estavam baixos - eram os mais baixos da Europa - e nós não podíamos continuar sempre na cauda da dita.
Alguma vez tinhamos que ser os primeiros em alguma coisa e, graças a si, já o conseguimos: temos os maiores impostos sobre os combustíveis de toda a Europa e, se calhar, até do Mundo. Veja, por exemplo, os nossos vizinhos espanhóis: o quão abaixo de nós estão nesse domínio.

E não ligue a esses maldizentes que andam para aí a berrar que, depois dos combustíveis, tudo aumentará na mesma proporção, porque não há nada - a não ser a V. inteligência privilegiada - que não conte com o transporte na formação do seu preço...
É tudo mentira!
Veja o caso de alguns bens de primeira necessidade, como o passe do Cristiano Ronaldo, por exemplo: não aumentou, apesar do aumento dos combustíveis e aqui está a prova de que esses ganaciosos da oposição são apenas uns bota-abaixo do pior que há.
Eu sinto verdadeiro orgulho de ser um cidadão do pais mais desenvolvido da Europa, que é o nosso (toda a gente o sabe) e porque tenho a sorte de ter um Primeiro Ministro como V. Ex.Cia: um homem de rasgadíssimos horizontes que vão desde a Expo ao Freeport e a passar! É preciso ver que ainda são uns bons quilómetros em linha recta!
Ao contrário do que as más-linguas o acusam, o senhor prova que, afinal, vê muito bem à sua frente!
Um homem que tem a coragem de, nestes tempos de crise instalada, não aumentar os impostos sobre os pequeníssimos lucros da Banca e da Alta Finança, que - todos o sabemos - passam por sérias dificuldades e até se privam de muita coisa para sobreviver, e consegue o verdadeiro prodígio de os aumentar apenas ao povo multimilionário e esbanjador, merece todo o meu respeito e admiração.

Fico muito satisfeito por constatar que a perninha marota que V. Ex.cia agora adquiriu, em pleno trabalho na Suiça, apenas 5 meses após ter tido aquela outra viagem de trabalho ao Quénia, enquanto o país ardia literalmente na expectativa do seu regresso, não o impediu, felizmente, de continuar a ter estes providenciais rasgos de visão de verdadeiro Estadista Tuga.
E V. Ex.cia não descura nem os infimos pormenortes: ao andar, ultimamente, acompanhado de duas canadianas, V. Ex.cia desmente todos aqueles que, vilmente, continuam a conjecturar sobre a sua orientação sexual.
Bem haja, também neste particular, por repor claramente a verdade.

2 - Em segundo lugar, teve V. Ex. Cia outro magnífico rasgo - ao qual já começamos a habituar-nos - o de apoiar o candidato mais difícil de eleger desde o tempo do Gengis Kan.
Demonstrou, V. Ex.cia também aí, raro sentido de oportunidade e uma incomensurável inteligência e sagacidades só comparáveis às do Presidente da Junta de S. Romão que, incansavelmente, lá continua a voltar as cabines de voto ao contrário, não vá o povo enganar-se a votar, e depois ninguém consegue corrigir a tempo....

É certo que Soares não ganhou.
Apesar das superiores lições sobre «o bem votar» com que a dupla Gaspar-Viveiro nos brinda nas páginas do P.E., este povo, ingrato e distraído, não conseguiu captar a mensagem de grande querer e da imensa energia daquele jovem candidato que, tal como V. Ex.cia, tem um grande e promissor futuro à sua frente..

Mas V. Ex.Cia jogou bem. Afastou os Soaristas (ainda havia 6 ou 7) e mostrou a toda a gente que, quando quer, consegue bater toda a concorrência.
Ao colocar o PS em 3º, pela primeira vez na sua História, V. Ex.cia acaba de grangear igualmente destacado lugar na dita.
Esta terá sido, talvez, a maior obra da vida de V. Ex.Cia.

Certo de que esse ligeiro contratempo não o apoucará nas V. funções - até porque apoucar V. Ex.Cia é tarefa já praticamente impossível - e que continuará convictamente a governar da maneira brilhante como o tem feito, deixo-lhe aqui a minha humilde contribuição para o seu meritório trabalho na área que mais o apaixona, sugerindo-lhe a criação de um novo e milagreiro imposto: o imposto sobre a corrupção.
Repare V. Ex.Cia que uma taxa simbólica de 1% sobre essa frutuosa e emergente actividade, em franca expansão, contribuiria com muitos milhões de contos por mês para os cofres do Estado, o que permitiria continuar a evitar sobrecarregar a Banca e a Alta Finança (que tão tristes e desmoralizadas já andam) com maiores alcavalas, já que os seus simbólicos lucros, este ano, não cresceram mais que uns míseros 58%.

Espero que continue sempre nesse rumo, a governar da forma criativa e original como o tem feito tirando, com toda a Justiça, ao povão esbanjador o supérfluo de que ele não necessita, para o distribuir pelos pobres banqueiros, dando verdadeiras lições de bem fazer ao mundo.

E conte sempre com o meu voto.
Porque é de Homens como um Ó muito grande, como o Senhor, que este país precisa para o tirar da grave crise em que economistazitos incompetentes, tal como esse do Cavaco e Silva, o colocaram já desde o tempo do fascismo.


Porque o mal já vem todo daí.


De V. Ex.Cia,
Atentamente,


Publicado por JoaoTilly em fevereiro 1, 2006 09:39 AM
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