
Fátima Campos Ferreira tem vindo a roçar, ultimamente, o limiar da estupidez aceitável para um ileterado.
Com o vedetismo a subir-lhe nitidamente à cabeça, parece estar a ficar cada vez mais estúpida, a mulher...
Por isso, talvez por isso, tenha tanta audiência.
O que me admira é que tanta gente aceite perder uma noite com aquele espécime de pedantismo e imbecilidade.
Não há nada mais previsível que aquela mulherzinha. E aquelas tiradas boçais, reveladoras de uma ignorância colossal sobre os assuntos para os quais devia estar preparada, dá-me definitivamente náuseas.
Vou ver o Excalibur pela 7ª vez.
Uma professora é motivo de troça por parte de um grupo de alunos que gritam e interrompem constantemente a aula, mas diante do cenário não reage.
In Expresso Multimédia
A educação dá-se em casa.
A Escola transmite Conhecimento.
Os pais educam
Os professores ensinam.
Quem quiser obrigar os professores a serem pais não é uma coisa nem outra.
É um palhaço ou um criminoso
A situação que se vive no ensino básico, hoje em dia, é dramática.
Quando escolhi ser professor – e eu escolhi mesmo sê-lo, porque desisti de uma carreira na indústria para me dedicar ao ensino – não escolhi ser polícia, advogado ou lutador de wrestling. Decidi ensinar, na suposição de que iria encontrar crianças e adolescentes que queriam aprender.
E, nos anos 80 e 90 foi isso que encontrei.
Não digo que já não houvesse maus alunos. Em cada turma havia 2 ou 3 que se recusavam a aprender. Outros que me diziam, logo à partida, que o meu esforço e investimento neles seria em vão, porque nunca tinham conseguido sucesso a matemática. Dava-me uma especial alegria vê-os, depois, conseguir superar as dificuldades e transformar o costumeiro 2 num 3 e até num 4.
Mas isso eram outros tempos. A esmagadora maioria dos alunos queria aprender e passar com boas notas.
Nos últimos 3 a 4 anos a degradação do ambiente escolar tem sido chocante.
Pelo que leio, esse fenómeno é geral. Pode ser que isto seja uma vaga negativa que venha a ser substituída por uma outra mais positiva, mas não acredito muito nesse optimismo dado o comportamento e o tipo de atitudes revelado pelos miúdos que, de ano para ano, nos entram na sala de aulas. São em número crescente os miúdos que nos chegam à escola sem regras comportamentais absolutamente nenhumas. Como se tivessem vindo directamente da selva. Ora isso é preocupante, pois eles já entram ali no 5ª ano. Já passaram 4 noutra escola e mais 2 ou 3 num jardim de infância. E pior: os que entram com alguma educação – leia-se “regras comportamentais de convivência em sociedade” - depressa a perdem contagiados pelos que nunca a interiorizaram.
O sistema falha a todos os níveis.
Os pais cada vez têm menos tempo para “perder” com os miúdos em casa. Fruto da voragem dos dias, os que estão desempregados estão desmoralizados porque nunca mais encontram emprego e o dinheiro falta, os que trabalham cada vez têm que trabalhar mais e até mais tarde para manterem o posto de trabalho. Não sobra disponibilidade para com as crianças que crescem ao sabor da televisão e da rua – os mais pobres – e ao da playstation e do msn – os mais “sortudos”.
Os pais perderam a disponibilidade e a paciência – à noite, já cansados – para conversarem com os filhos. Uma grande parte dos pais demitiu-se mesmo da obrigação do acompanhamento da vida pessoal e escolar dos filhos. A escola que trate deles.
E, de facto, a Escola já os alimenta e os entretém. Só falta vesti-los e lavá-los. E já nem isso falta, em muitos casos.
Para muitos pais, a Escola devia estar aberta até à hora de jantar e de preferência devia dar-lhes o jantar também. E a dormida, porque não? E ao fim de semana levá-os a passear. De facto, a escola devia era manter dentro de muros os alunos durante todo o ano, como antigamente acontecia nos seminários e nos colégos internos.
E os pais, no Natal, entre o fim de uma novela e o início da próxima e no defeso da época futebolística iam lá vê-los para fiscalizar se está tudo bem e poderem, eventualmente, processar a escola se esta não ministrasse, aos seus “educandos”, as doses de amor e carinho devidamente estipuladas no regulamento interno.
Essa era a escola ideal para os nossos dias, pelos vistos. Mas essa escola não existe.
Então o que é que existe?
Existe uma escola tradicional frequentada por miúdos provenientes de famílias em grande sofrimento e sem disponibilidade para eles. Pais que se recusam a ir à escola mesmo quando para isso intimados por carta registada com aviso de recepção. Porque já não suportam ser confrontados com mais problemas. Querem é que lhe aliviem alguns.
Pais que, antes que a Directora de Turma possa abrir a boca, já estão a pedir roupa, comida ou qualquer coisa que ela tenha lá em casa e de que não precise.
Pais de miúdos que, no 5º ano de escolaridade, com apenas 11 anos, vivem sem regras e por isso já não respeitam ninguém.
Qual a resposta da Escola a esta nova realidade?
A mais fácil: inventar atabalhoadamente e em catadupa turmas de currículos alternativos. Turmas para onde se segregam crianças cujo grau de desenvolvimento sócio-cultural é o de simplesmente não conseguirem ler com 14 e com 15 anos. E alunos destes são aos milhares por esse interior fora!
Trata-se de crianças e adolescentes absolutamente retardados (ainda não tenho medo das palavras), dir-se-ia expostos a algum tipo de radiação ou doença que lhes tolheu toda e qualquer possibilidade para aprenderem o mais básico de entre o mais comum.
E o que mais me choca é o número galopante de miúdos nestas condições!
De onde vem esta gente? Que lhes terá acontecido para ficarem assim, num nível intelectual tão empedernido?
Vêm das aldeias a apenas 3 quilómetros da cidades. O que lhes aconteceu , não sei.
Nem vejo nenhum assistente social – dos 800 que se acotovelam em reuniões sucessivas em tudo o que é sítio - minimamente preocupado com isso.
Tenho é a impressão de que nem no tempo da fome, da 2º grande guerra , se verificou um grau de subdesenvolvimento comparável nas crianças aqui à volta de Seia.
Na minha Escola existem casos dramáticos de alunos que sobrevivem em condições precárias em seio familiar que não lhes proporciona as mínimas condições de dignidade Humana, nem são acompanhados por qualquer organismo oficial. Alertei para esse facto os órgãos competentes e a Assembleia Municipal de Seia.
O sr presidente da câmara mostrou-se muito sensível ao problema e não percebeu porque não tinha conhecimento desses casos.
Eu explico-lhe: porque as escolas não os reportam.
Abafam-nos, mantendo as crianças e as famílias a passar mal, quando a Segurança Social, logo ali ao lado, disponibiliza, por Lei, programas de ajuda e de socorro a famílias e jovens carenciados.
O subdesenvolvimento no interior começa nas famílias, é certo, mas não termina nelas.
Os professores não são pais dos alunos.
Os professores só são Pais dos seus filhos. Eu tenho 3. Não tenho 70.
Ninguém pense que eu me vou substituir aos 140 pais dos meus 70 alunos.

Marinho Pinto:
“Estou espantado ao ouvir o actual Procurador-Geral da República dizer que mandou investigar a agressão da professora. Alguém fez queixa ao Ministério Público? É com o direito criminal que se vai combater a cena da aluna no Carolina Michaelis?
O direito criminal deve ser utilizado para a grande criminalidade, e para a pequena também, mas com moderação.
O Ministério Público devia investigar a verdadeira criminalidade e apresentar resultados”, disse.
Por outro lado, o Bastonário lembra que “a humildade é a irmã gémea da eficácia e, quando há muito espectáculo para os jornais, há pouca eficácia e temos exemplos disso, alguns deles ainda bem visíveis”.
Marinho Pinto, na entrevista ao programa “Dia D”, considera que “a investigação criminal faz-se muito para os órgãos de comunicação social” e dá um exemplo:
“A Polícia Judiciária mal deita a mão a uma quantidade de droga, se for umas toneladas, são umas toneladas, se for uns quilos são umas centenas de milhares de doses, e vai logo chamar os jornais, com o distintivo, tudo para as fotografias e câmaras de televisão em vez de perseguir as pistas”.
Que Grande Homem! Que grande Português este Marinho Pinto!
Quantos há, em Portugal, como ele?

Como eu sempre afirmei desde a primeira hora, e se pode ler aqui, o caso Maddie deu em águas de bacalhau.
Já não se consegue disfarçar mais que este caso se constituiu como o autêntico espelho da Judiciária que temos. O único suspeito foi ilibado. Caiu tudo por terra. É caso para perguntar o que esteve aquela gente toda a fazer, na Praia da Luz, meses a fio.

O artigo abaixo, tal como a violência escolar, não são casos isolados.
De uma maneira geral quem manda nas escolas básicas do interior com alguma frequência de alunos de etnia gigana, são estes mesmo.
A seguir, alguns auxiliares. Os mais "malucos" que impõe respeito por isso mesmo - por não mostrarem medo - e os mais "chegados" aos Conselhos Directivos, vulgo os "bufos" que constituem a rede pidesca de informação (geralmente falsa) que está estabelecida em muitas escolas por todo o país.
E, por fim - mas só mesmo por fim - os CDs que, na maior parte dos casos, fogem dos problemas como o diabo da cruz, porque ninguém quer chatices e "todos temos os carros estacionados na rua", como uma vez ouvi em Gouveia. Ninguém anda aqui para arranjar problemas.
Ressalvam-se, claro, as excepções. Mas essas são poucas.
O ciganinho vira a escola ao contrário?
Assobia-se para o lado e abafa-se a situação. Faz-se de conta que não aconteceu nada. Porque se se reage pode a coisa ficar muito feia, como se pode comprovar pela leitura da notícia que se segue.
Relativamente aos outros, àqueles que não nasceram ciganos, há que os fazer pagar por isso. Vingamo-nos nesses!
Há que os repreender e fazer pagar duramente qualquer desacato que tenham cometido inadvertidamente.
Claro!
Repressão sobre os cidadãos fracos e bem comportados, cobardia absoluta perante os marginais e os que metem medo.
É assim Portugal. Não só nas escolas, mas por todo o lado.
Os donos dos bares e das casas nocturnas que o digam.
Se há seguranças à porta de uma discoteca por algum motivo é.

Está tudo dito.
«João: isto é um matadouro!"»
Foram as primeiras palavras de João Tilly dos Santos, um doente abandonado como tantos outros nos corredores das urgências do Hospital de Coimbra, mal me viu irromper por eles adentro, à revelia das normas vigentes.
Por isso mesmo, por ninguém esperar que um acompanhante ali aparecesse é que tive a oportunidade de ver os doentes agonizantes enquanto os médicos e enfermeiras, em amena cavaqueira, confraternizavam em grupo discutindo onde iriam jantar logo à noite e outros assuntos mundanos.
Os doentes, abandonados, jaziam nos corredores, cada um para seu lado, deitados em macas encostadas às paredes.
Uns, os que têm a sorte de não estarem muito mal, sobrevivem.
Os outros, não.
Sabemos, hoje, 4 anos depois, o resultado da autópsia.
Crise cardíaca - um ataque cardíaco que durou 6 dias, mas nem assim o salvaram! Simplesmente porque não o detectaram ou não quiseram ter trabalho.
A chefe da equipa clinica foi suspensa, 3 anos após o crime cometido.
Não sabemos mais nada. Nem por quanto tempo nem qual a sentença interna final. O processo crime corre termos no DIAP. A conclusão do inquérito interno que aponta para a culpabilidade da médica que o mandou para Seia será fundamental para o apuramento da culpa em termos criminais.
De qualquer forma, este longo processo não devolve a vida a João Tilly dos Santos, o doente que teve o azar de ir parar aos HUC no dia errado.
Não devolve a Vida a quem esta médica, negligentemente, a roubou.
Como todos os anos, por esta data, aqui reavivo a história de uma sequência de negligências e maus procedimentos estrondosos, hoje já perfeitamente apurados, que culminaram com a morte do meu Pai.
Leiam e "defendam-se" como ele costumava dizer...
Não deixem que o mesmo aconteça aos Vossos entes queridos.
Este texto já alertou muita gente para o desleixo que se vive (ou vivia, há 4 anos) nas Urgências de muitos hospitais.
Já recebi algumas mensagens de agradecimento de pessoas que estavam a ver os seus casos mal parados e reagiram, protestando contra o desleixo a que os seus familiares estavam a ser votados.
Com este procedimento, algumas vidas poderão já ter sido salvas.
É só isso o que pode agora fazer por vós João Tilly dos Santos.
Pela minha mão, a história da sua morte será reeditada todos os os anos que me sobrarem.
Depois, estou certo de que alguem continuará o trabalho.
Muitas vidas serão salvas - tenho a certeza - se muitos lerem o que aqui está escrito.
Demora uns bons 10 ninutos, mas pode salvar a vida de alguém.
Até a sua.
Um homem foi deixado à sua sorte nos corredores dos hospitais e acabou por morrer.
Ainda ninguém pagou por isso.
Outros podem ter já morrido vitimas da mesma displicência e "deixa andar" das mesmas equipes clínicas.
Por isso aqui deixo, de novo, a história do fim da vida de João Tilly dos Santos.
Um português inteligentíssimo que teve a percepção de que ia ser deixado morrer por inépcia dos médicos que o "assistiram".
Eu é que nunca acreditei nisso.
Mas aconteceu.
Para que nunca mais aconteça.
Em memória do maior damista e acordeonista que estas paragens alguma vez viram.
A HISTÓRIA
Do Hospital de Seia, enviam-no para o de Coimbra com suspeitas de pneumonia ou enfarte de miocárdio.
Do Hospital de Coimbra devolvem-no para o de Seia muito pior de saúde do que lá chegou e sem nenhuma razão aparente. Os sintomas tinham-se agravado sobremaneira, entretanto.
Do Hospital de Seia enviam-no para o da Guarda porque cá não há Pneumologia
Do Hospital da Guarda enviam-no novamente para o de Coimbra, sem sequer entrar na Pneumologia e sem conhecimento dos familiares.
Do Hospital de Coimbra enviam-no... para a morgue.
E tudo isto sem um único tratamento, a não ser... soro!
Fica aqui o relato dos últimos 5 dias de vida do meu Pai que, acredito, possam servir a alguém que passe pelo mesmo.
Quanto mais não seja para evitar que o Serviço Nacional de Saúde mate por absoluta negligência um seu ente querido, tal como fez com o meu.
Sexta - feira, 19 (dia do Pai) - o meu pai sente-se subitamente mal com problemas intestinais.
Nada que justificasse uma ida ao hospital, pensou ele.
E foi para a cama mais cedo.
Sábado, 20 de Março - O meu irmão leva o meu pai e a minha mãe ao Hospital de Seia, já que entretanto tinham-lhe surgido umas dores gástricas a nível do esófago.
Cada vez que engolia eram dores insuportáveis que mal o deixavam respirar.
Foi medicado e fui buscá-los ao Hospital de Seia por volta das 7 da tarde. Entrou no carro pelo seu pé.
Fomos à Farmácia aviar a receita e levei-os a casa.
A noite passou-a mal.
As dores não desapareciam e agora surgia a dúvida se não seria também uma infecção na traqueia, já que até a inspiração do ar lhe causava pena.
Decidiu não ir novamente ao Hospital porque a medicação «ainda não teria tempo de começar a fazer efeito».
Combinou-se que iria no dia seguinte, segunda-feira, se não melhorasse entretanto.
O certo é que nessa mesma noite, por volta das 00:30h teve que se chamar uma ambulância, porque o meu pai já não podia com dores.
No Hospital ficou a soro.
Fez análises de manhã, em que lhe diagnosticaram vestígios de enfarte de miocárdio e uma pneumonia.
Enviaram-no para os Hospitais da Universidade de Coimbra - a única coisa que foi bem feita em todo este processo.
Esse favor devemos à Dra Margarida Ascensão e aqui lhe deixo os meus (e os dele, que muito insistiu em vida para que lhos desse) profundos agradecimentos.
Segunda-feira, 22 - O meu pai chega a Coimbra cerca do meio dia. Eu, que só tomo conhecimento dessa transferência e do seu preocupante diagnóstico por volta dessa hora, sigo de imediato para lá com a minha mãe.
Estivemos nas Urgências desde as 14:30h repetidamente perguntando pelo seu estado de saúde até às 17:00h.
Primeiro disseram-nos "que estava bem disposto" mas em observação.
Que perguntássemos passadas 2 horas, outra vez. O que fizemos.
Aí, a informação já foi outra: que o seu estado era muito preocupante e apresentava um quadro grave de provável pneumonia ou enfarte de miocárdio, o que já sabíamos desde Seia.
Que ia ficar internado de certeza. Claro que já o suspeitávamos, dado o diagnóstico de Seia.
Perguntámos se era preciso ir buscar a roupa que estava no carro e a enfermeira disse que não.
Que «ele não se podia levantar», que estava «prostrado» e que «não acreditava que pudesse levantar-se nem sequer para ir à casa de banho.»
Fiquei preocupadíssimo e pedi para mo deixarem ver nem que fossem só 5 minutos.
Que não, «nas Urgências não se podem ver doentes».
Mas após a minha insistência e quando lhe dissemos que «somos de Seia - a 100 Kms de distância - e que assim sendo iríamos embora, porque não estavamos ali a fazer nada», lá condescendeu a deixar-me ir «dar-lhe uma palavrinha de não mais que 5 minutos e sair de imediato».
Assim fiz.
Entrei e, depois de mais um tempo de espera, lá encontro o meu pai deitado numa maca num corredor, ao pé de tantos outros.
A receber soro. Como em Seia.
Ficou radiante por me ver e disse-me logo:
« - João: isto aqui é um matadouro!»
«Ninguém quer saber dos doentes. Olha que estou há horas a pedir uma pinga de água para molhar os lábios e ainda não ma deram. Já não sinto os lábios nem a boca de ressequidos que estão.»
Dirigi-me a um auxiliar que foi muito amável (tive sorte) e me arranjou um copo de água "choca", segundo o meu pai.
Assim que a bebeu, rejeitou-a logo. Não conseguia manter nada no estômago. Nem sequer água pura.
Enquanto era acometido dos vómitos chamei por um médico ou alguém num grupo de 7 ou 8 pessoas entre médicos e enfermeiros que estavam a cerca de 6 metros em amena cavaqueira e de costas para nós.
Um deles virou-se, viu o meu pai aflito e perguntou:
- Está a vomitar?
Respondi: está sim. Está aflito. Não podem ajudar?
«Está bem», disse, e voltou novamente as costas, continuando a conversa com os colegas.
Eu nem queria acreditar naquilo!
Mas como entretanto ele ficou melhor, parando com os vómitos, controlei-me e decidi chamar um outro médico para lhe dizer que o doente já não comia nada desde sexta-feira (há 4 dias) e que devia ter algum problema gástrico.
Transmiti isso a um médico jovem que entretanto se aproximou da maca.
Disse-me que o meu pai ia ser visto, mais tarde, por um especialista que devia estar a chegar.
Passadas 3 horas apareceu um médico ainda mais jovem que lhe perguntou o que tinha.
O meu pai começou a explicar tudo, com grande esforço, porque já mal conseguia falar, mas o médico interrompeu-o passados 10 segundos de explicações e, olhando apenas para os papéis que tinha nas mãos, lhe disse, no tom mais seco que já ouvi a alguém:
«- olhe, isto é assim: Eu devia fazer-lhe uma endoscopia, mas como o sr tem aqui suspeitas de enfarte de miocárdio não lha posso fazer».
Virou as costas e foi-se embora.
Fiquei a olhar para o meu pai e ele para mim, atónitos.
E agora?
Ao que o primeiro médico jovem me respondeu que «em princípio iam mandá-lo de volta para Seia».
«- Mas sem poder comer nada? perguntei.
Então não vêem o que é que ele tem, que o impede de engolir nem que seja uma gota de água»?
Não obtive resposta.
O médico encolheu os ombros e foi-se embora.
Passado mais uma hora, uma profissional de bata larga, aberta e esvoaçante de cor verde (não sei se seria médica) jovem e divertidíssima, que esteve sempre a rir-se e às gargalhadas com os colegas, dirigiu-se ao telefone e perguntou se havia alguma ambulância para Seia.
Eram 19 horas. Não sei o que lhe responderam, mas ela, gargalhando sempre, gritou:
- Que sorte! E depois de mais de cerca de 5 minutos de conversa de circunstância sobre saídas à noite e marcações de jantares com a pessoa do outro lado, desligou o telefone, sempre a rir.
Estava visivelmente satisfeita.
Ainda bem, - pensei eu. É sinal que as coisas lhe estão a correr bem.
Passou-se uma hora.
Eu perguntei de novo a um médico que passava se iam mesmo enviá-lo para Seia, porque o meu pai já tinha muita dificuldade em respirar e dizia que lhe doía tudo.
Disse-me para esperar.
Às 20 horas e 15 minutos, a médica das gargalhadas, sempre sorrindo, telefonou outra vez.
«Ainda está aí a ambulância para Seia»?
Ficou mais séria. Percebeu-se nitidamente que já não.
- Mas eu tinha-a pedido... balbuciou, agora sem rir.
Acabou a conversa e escreveu num papel aos pés da maca do meu pai:
«Transporte para Hospital de Seia pedido às 20 horas».
Continuei à espera, ao pé dele, e cerca das 21 horas comecei a passar-me da cabeça e tirei várias fotografias, com o telemóvel, ao papel e ao estado em que o meu pai estava.
Praticamente já não falava.
Aproxima-se de mim um médico e convida-me a sair, «para evitar confusão». Não havia qualquer confusão.
Em toda a tarde do dia 22 não tinha entrado nenhum doente em estado grave, pelo que o mais grave seria mesmo o meu pai.
Mas acatei a ordem e saí, informando que ficava à espera do doente nas urgências.
Mal tinha chegado lá fora ouço chamar ao microfone «os acompanhantes de João Tilly dos Santos».
Voltei para dentro a correr.
Ao chegar lá, novamente, aproxima-se de mim um médico que se identificou como sendo o chefe da equipa e me disse que «lhe tinham dito que eu andara a tirar fotografias ao banco, o que era muito desagradável.»
Eu respondi que tirei fotografias ao meu pai, apenas, e mostrei uma delas.
Perguntei se o meu pai sempre ia para Seia ao que ele respondeu que não sabia (!), e perguntou-me a mim se o cardiologista lhe tinha dado alta (!!!).
Fiquei embasbacado e respondi que não sabia mas que «era o que estavam a dizer (a médica das gargalhadas ao telefone)».
Disse, então, que devia ir para Seia, devia, mas nitidamente sem saber do que estava a falar (por não conhecer absolutamente nada do quadro clínico do doente).
Vim-me embora e fiquei à espera dele, cá fora.
Isto eram 21:10h.
Para abreviar a história, informo que a ambulância partiu do Hospital com o meu pai dentro às 01:10h da manhã.
E o mais grave é que a ambulância que o trouxe, estava estacionada à porta do Hospital há, pelo menos, 4 horas.
Seguimos a ambulância até Seia, onde chegámos cerca das 2:15h da manhã.
O meu pai estava no pior estado em que o vi na minha vida e apenas arranjou força para me dizer: «foi a pior viagem da minha vida. Não aguento outra».
Mal sabia ele que iria ainda fazer mais duas.
Entrou no hospital de Seia e duas enfermeiras disseram à minha mãe que o não podia acompanhar a partir daí e que tinha que se ir embora.
Fomos.
Estávamos arrasados fisica e psicológicamente (como estaria o meu pai...)
Terça- feira, 23 de Março
O meu pai é enviado para a Guarda às 5 da tarde com o pretexto de Seia não ter Pneumologia.
Lá foi.
Eu ainda me meti no carro para o acompanhar, mas como a minha mãe foi com ele na ambulância, combinei com a minha filha ir vê-lo na tarde do dia seguinte - quarta-feira, que eu tinha a tarde livre, escusava de faltar às aulas. Ela concordou.
Mal sabíamos nós que não mais o veríamos vivo.
À saída, o meu pai ainda teve a lucidez de se despedir (definitivamente) dela e da mãe, dizendo claramente:
«para a Guarda não quero ir, porque eu vou morrer lá.»
Quarta-feira 24 de Março.
Estive desde as 9 da manhã ininterruptamente (de 5 em 5 minutos) a tentar ligar para o hospital da Guarda.
Primeiro para a Pneumologia - consegui ligação às 10:30h da manhã e de lá disseram-me que ainda não tinha dado entrada.
Devia estar ainda nas urgências.
Liguei para o geral. Informaram-me que não podiam ligar para as Urgências, que tentasse as Relações Públicas.
Consegui ligação às 11:45h sensivelmente.
Informei que tinha estado toda a a manhã a tentar ligar e que por favor me desse a informação pretendida agora que tinha conseguido, para não me voltar a acontecer o mesmo.
Respondeu-me uma senhora muito simpática a dizer que ia ver, e que depois me ligava sem falta nenhuma, para o que lhe dei o meu número, agradecendo muito o obséquio.
Não mais me ligou.
Às 12:30h, hora a que saí das aulas, tinha à minha espera a minha filha e a mãe, que me deram a pior notícia do mundo.
Tal como ele tinha previsto, tinha efectivamente morrido... mas em Coimbra!?
Meti-me no carro como um autómato e saí para Coimbra e durante a viagem, em telefonemas múltiplos tentei perceber o que se tinha passado.
Só em Coimbra, em conversa com a médica (brasileira) que lhe prestou a última assistência, percebi.
Tinham-no enviado do hospital da Guarda para o hospital de Coimbra, onde chegou cerca das 3 da manhã. Sem passarem cartão aos familiares.
A médica não soube explicar o que ele tinha, porque não descobriu qualquer relatório médico na recepção e apenas me disse que quando ela entrou, às 10 horas, recebeu o doente vindo da cirurgia (!), mas onde nada lhe tinha sido feito (!!).
Estava já em estado crítico e às 10:30h teve a primeira paragem cardíaca.
Foi reanimado 3 vezes, até que o coração deixou de bater às 11 horas.
Causa da morte: DESCONHECIDA.
Portanto:
Não se sabe porque foi enviado para Coimbra de madrugada sem o conhecimento dos familiares.
Não se sabe o que lhe fizeram na Guarda - presume-se que nada pois nem chegou a entrar na especialidade para a qual foi enviado.
Não se sabe o que lhe fizeram em Coimbra até às 10 da manhã - durante as horas em que supostamente terá estado na cirurgia. Presume-se que nada, tal como durante todo o dia 22, pois nada consta do seu relatório médico.
Sendo certo que não existem relatórios de medidas tomadas em nenhuma circunstância em Coimbra até às 10 da manhã, sou forçado a concluir que subsiste durante 3 dias seguidos negligência grave, a somar à negligência dos transportes sucessivos a que foi submetido um doente em estado de debilidade extrema.
É claro que não é o soro que cura um doente que vem diagnosticado com possibilidade de pneumonia - à qual não foi tratado - ou enfarte de miocárdio - ao qual também não foi tratado.
Nada lhe fizeram. A não ser deixá-lo entendido numa maca num corredor dos HUC a definhar visivelmente.
E a mim, questionarem-me por ter tirado fotografias.
Se usassem a mesma diligência para tratar os doentes, o meu pai estaria vivo.
Na participação que fizemos no DIAP eu e o meu irmão "exigimos" a realização da autópsia, corroborando o pedido da médica que ficou extremamente chocada quando lhe dissemos que o doente tinha saído dali, daquele mesmo serviço, meras 27 horas antes.
Não sabia! Não tinha qualquer registo nesse sentido!
E que, depois disso, o doente já tinha feito mais de 320 quilómetros e corrido mais 2 hospitais até chegar novamente ao ponto de partida, numa dança macabra entre hospitais que terá ajudado bastante ao trágico desfecho.
O Ministério Público acedeu e a autópsia foi realizada no dia 25 às 11 da manhã.
Aguardam-se as conclusões para se saber aquilo que nenhum médico quis saber, pelo menos em Coimbra: De que padecia aquele doente?
Assim se acaba uma vida, inglória e desnecessáriamente, por um acumular de negligências, quando bastava um pouco de cuidado de apenas um médico ou enfermeiro para que tivessem tido o bom senso de não enviarem o doente, naquele estado, muito mais debilitado do que entrou, com dores muito mais agravadas e sem poder ingerir nem sequer uma gota de água, de volta para Seia.
Por muito que paguem esta negligência, nada fará ressuscitar o meu pai.
Escrevo o que aconteceu para alertar quem ler esta triste história para o estado a que chegaram os Hospitais em Portugal.
Para terminar, o pior: toda a gente conhecida que eu lá tinha, no Hospital, me perguntou: mas porque é que tu não me deste um toque? Eu acompanhava o teu pai e a coisa de certeza que não acabava assim...
Isto é que dói.
Descobrir que a medicina, no Serviço Nacional de Saúde, só funciona minimamente quando há "conhecimentos" e "amizades" entre o corpo clínico.

O sistema cuidadosamente desenhado para denegrir a imagem dos professores não se faz esperar quando beliscado.
E responde sempre num prazo máximo de 48 horas.
Eis a resposta do sistema ao episódio da aluna doida do telemóvel.
O objectivo é evidente: calar a indignação do povo. Fazê-lo encolher os ombros, como está instituído há 3 anos.
Perante as maiores e mais chocantes vilanias que bradam aos ceus até no Burkina Faso, a estratégia do sistema do poder é sempre a mesma: em primeiro lugar desdramatizar e fazer crer que as maiores indignidades e anormalidades com que nos deparamos a par e passo neste país são, afinal, perfeitamente normais e aceitáveis.
Depois, mostrar que o contrário de cada escândalo também acontece, levando o povo a desacreditar em tudo o que vê e a alhear-se, por consequência, de tudo.
Um povo estupidificado e descrente dos valores fundamentais civilizacionais e dos seus primeiros e alienáveis direitos básicos é um povo mais fácil de controlar e manipular.
A estupidificação de massas é - não restam dúvidas - a arma de destruição maciça da inteligência portuguesa.

Há gralhas e gralhas...
Esta vem a toda a largura da primeira página do Público!
Passou por todos os processos de revisão de texto.
Ninguém acredita nisto....


Para quem ainda acha que isto é um estado de direito...
Eu, para saber de que morreu o meu Pai, tive que exigir a autópsia no DIAP e recebi o resultado final dela passados 3 anos...
Depois de correr 3 hospitais (Seia, Guarda e Coimbra duas vezes enquanto estava a ser vítima de um ataque cardíaco normalíssimo), a equipa médica que estava a ser paga para cuidar dos doentes nas urgências dos HUC - e ocupava horas em amena cavaqueira à minha frente, deixando os desgraçados jazer nos coredores - ainda teve a coragem de escrever: Causa da morte - desconhecida.
Patifes!

Inspector da PJ recusa-se a soprar no balão
Se a comunicação social continuar a acompanhar este caso vai perceber que ao inspector não vai acontecer nada porque o acidente em que esteve envolvido não causou feridos. Portanto ele não pode ser obrigado a fazer nenhum teste compulsivamente.
Estou farto de explicar isto e até já o provei no terreno, mas ninguém me ouve...
Que hei-de fazer?
Senhores, mais uma vez:
Em Portugal - e se o condutor não estiver envolvido em acidente com feridos - só sopra no balão se quiser!
Se não quiser, e se a BT o acusar de desobediência, vai a Tribunal e alega a Constituição: a ninguém, que não esteja envolvido em suspeita de crime, podem ser retirados fluidos corporais contra a sua vontade.
É uma guerra perdida, esta...

Como tudo, aqui em Portugal, não há que esperar quaisquer consequências visíveis deste episódio que não vale por si, mas simboliza milhares de outros que passam desapercebidos por essas escolas fora.
É deixar passar mais uns diazitos e já ninguém se lembrará de nada.
Fica tudo na mesma, como sempre.
É Portugal... ninguém leva a mal.
COIMBRA
Os presidentes dos conselhos executivos de todos os agrupamentos escolares de Coimbra estiveram reunidos e decidiram propor à ministra da Educação a suspensão do processo de avaliação dos professores. A decisão não é inédita mas trata-se da primeira vez que é seguida por todas as escolas de uma mesma localidade.
Rosário Gama, presidente do conselho executivo da escola secundária Infanta Dona Maria, considera que, neste momento, não existe sequer um suporte legal que permita uma avaliação simplificada dos professores contratados.
«Os professores que vão ser avaliados já entraram há algum tempo [para o ensino] e não é agora, a dois meses do fim das aulas, que vão redefinir os seus objectivos e serem avaliados», defende Rosário Gama.
A responsável explica ainda que para os «professores avaliadores assistirem às aulas» dos docentes que vão avaliar «teriam de faltar às suas», sendo por isso «um processo errado logo à partida».
Os presidentes dos conselhos executivos de todos os agrupamentos escolares de Coimbra defendem, por isso, a suspensão do processo até ao final do ano lectivo e o relançamento das negociações entre o Governo e os sindicatos para que as duas partes consigam chegar a um entendimento.

A que ponto chegaram os pobres professores...
Que miséria de país e de povo, este, que não se revolta contra nada...!
Para mim, o mais chocante de tudo são as gargalhadas generalizadas daqueles alunos anormais e o "sai da friente! Sai da friente!"
«A velha vai cair!»
Mas que espécie de país é este?
Como é que isto chegou a este ponto de bandalheira, imoralidade e descontrole?
E o que faz o CD desta escola useira e vezeira em agressões a professores?
Porque não se demite imediatamente?
Que pena tenho de isto não acontecer comigo...
http://downloads.officeshare.pt/expressoonline/Video/professora.swf
Portugal é, como sabemos, uma país muito mais desenvolvido do que a Espanha.
A ASAE está, aí, todos os dias, para o demonstrar.
Lembram-se...?
Para que serviu?
Em vez de ser o governo a propor o adiamento, são os sindicatos a fazê-lo.
Já nem sequer se fala em reestruturar a avaliação.
Já só se pede-se apenas para se adiar esta...
Pobres professores!...
mais uma promessa à Sócras...
Os McCann acabam de ganhar dois processo no valor de 700 mil euros contra 2 jornais ingleses que se socorriam dos boatos dos homónimos portugueses, deixando antever que o casal teria responsabilidades no desaparecimento da pequena Maddie.
Resta saber quando avançarão sobre os jornais portugueses que perfilharam essa tese.
Dá-me a impressão de que muitos deles fecharão...
Aqui fica a recordação da "precipitação" que levou à substituição do Director da PJ.
Infelizmente não levou à descoberta da menina.
Albino Almeida é o presidente da CONFAP.
Podia ser da Junta da terra dele. Mas isso era mais difícil.
A Associação de Pais de que faço parte vai pedir a sua desvinculação dessa confederação de seguidismo cego a tudo quanto a ministra anuncia.
Nós, pais, não nos revemos minimamente no servilismo que este senhor demonstra para com as políticas da ministra da avaliação.
Para que a memória das falsidades não se apague...
Que dupla maravilhosa e credível para apoiar a ministra!
Não é preciso dizer mais nada...
É tudo a fingir...
Só não morrem mais inocentes e não ficam mais criminosos impunes porque estes não querem
Contratados coagidos a assinarem requerimento a pedirem avaliação de desempenho
Acabei de saber por uma colega indignada que hoje, na sua escola - do concelho de Sintra, foi chamada ao CE, assim como os seus colegas contratados, tendo-lhes sido comunicado que segundo recentes directivas do ME, iriam ser avaliados e que para dar início ao processo, deveriam antes redigir um documento no qual teriam de dizer expressamente "quero"ser avaliado.
Como é óbvio, os colegas nem queriam acreditar e lá foram argumentando como puderam mas nada ...
Ordens da tutela às quais temos de obedecer!
Se pensarmos que estamos em período de interrupção escolar e que os professores tem menos capacidade de se juntarem e de discutirem, só nos podemos indignar e denunciar!.
A Sra. Ministra vai poder anunciar à comunicação social que o processo de avaliação decorre com toda a normalidade e que até foram os professores que a pediram!.
Eles estão a sair do armário...

Na fúria de desavaliar de qualquer modo os professores, a fim de se poderem despedir metade deles e se escravizar a outra metade, o ME esqueceu-se de que os professores NÃO PODEM SER PARTE INTERESSADA NA AVALIAÇÃO DOS SEUS ALUNOS.
Vejamos:
Porque a partir de agora todo o professor é parte interessada na avaliação dos seus alunos - ela passa a condicionar directamente a sua própria avaliação - deve pedir escusa de proceder a esse acto, de acordo com o artigo 6º do Código de Procedimento Administrativo (CPA) e o nº2 do artigo 266º da Constituição.
Se o não fizer e avaliar um aluno, nestas novas condições, o professor incorre em falta grave para efeitos disciplinares.
Quer dizer:
O supremo paradoxo está estabelecido.
Ou mudam o CPA e um juiz passa a poder julgar o assaltante do seu próprio carro e o raptor do seu próprio filho, ou nada feito.
Claro que NADA FEITO.
Nem o ME pode mudar o CPA nem a Constituição que consagra o princípio universal da imparcialidade.
A seguir, o desenvolvimento e a justificação jurídica do que se afirma.
Chamo a atenção de todos os professores e particularmente dos presidentes dos CE e dos coordenadores de DT para uma situação que interfere legalmente com as avaliações de alunos e poderá legitimar os professores a que se recusem a avaliar os alunos por essa avaliação infringir o princípio da imparcialidade (Artº 6º do CPA) porque os resultados práticos desta condiciona a avaliação dos professores.
Efectivamente, além de todos os argumentos que têm sido aduzidos na discussão relativa a este processo de avaliação de professores, há uma questão de que ainda ninguém se lembrou: a questão da legalidade e da (in)constitucionalidade relativamente à avaliação de alunos ser um indicador na avaliação do professor...
Ora, o processo é ilegal porque é susceptível de violar o Princípio da Imparcialidade previsto no artigo 6.º do Código de Procedimento Administrativo (CPA) e no n.º 2 do artigo 266.º da Constituição da República Portuguesa. A questão da Imparcialidade tem consequências directas no regime de impedimentos que consta nos artigos 44.º e seguintes do CPA. Por sua vez, o artigo 51.º (CPA) estabelece no n.º 2 que "a omissão do dever de comunicação (…), constitui falta grave para efeitos disciplinares".
Assim, a lei obriga a que os professores se declarem impedidos de participar nos próximos Conselhos de Turma de avaliação uma vez que vão decidir sobre matéria (avaliação dos alunos) relativamente à qual têm interesse.
Naturalmente que não se pretende "boicotar" o momento de avaliação que se aproxima. Penso apenas que é importante e necessário que os professores suscitem esta questão junto dos coordenadores de DT e dos presidentes de CE para, inclusivamente, obrigarem a tutela a decidir sobre o assunto.
Paulo Martins
Abaixo os Documentos citados:
CPA
Artigo 6º
Princípios da justiça e da imparcialidade
No exercício da sua actividade, a Administração Pública deve tratar de forma justa e imparcial todos os que com ela entrem em relação
Artigo 44º
Casos de impedimento
Nenhum titular de órgão ou agente da Administração Pública pode intervir em procedimento administrativo ou em acto ou contrato de direito público ou privado da Administração Pública nos seguintes casos:
a) Quando nele tenha interesse, por si, como representante ou como gestor de negócios de outra pessoa;
b) Quando, por si ou como representante de outra pessoa, nele tenha interesse o seu cônjuge, algum parente ou afim em linha recta ou até ao 2º grau da
linha colateral, bem como qualquer pessoa com quem viva em economia comum;
c) Quando, por si ou como representante de outra pessoa, tenha interesse em questão semelhante à que deva ser decidida, ou quando tal situação se verifique em relação a pessoa abrangida pala alínea anterior;
d) Quando tenha intervindo no procedimento como perito ou mandatário ou haja dado parecer sobre questão a resolver;
e) Quando tenha intervindo no procedimento como perito ou mandatário o seu cônjuge, parente ou afim em linha recta ou até ao 2º grau da linha colateral, bem como qualquer pessoa com quem viva em economia comum;
f) Quando contra ele, seu cônjuge ou parente em linha recta esteja intentada acção judicial proposta por interessado ou respectivo cônjuge;
g) Quando se trate de recurso de decisão proferida por si, ou com a sua intervenção, ou proferida por qualquer das pessoas referidas na alínea b) ou com intervenção destas.
2 - Excluem-se do disposto no número anterior as intervenções que se traduzam em actos de mero expediente, designadamente actos certificativos.
Artigo 45º
Arguição e declaração do impedimento
1 - Quando se verifique causa de impedimento em relação a qualquer titular de órgão ou agente administrativo, deve o mesmo comunicar desde logo o facto ao respectivo superior hierárquico ou ao presidente do órgão colegial dirigente, consoante os casos.
2 - Até ser proferida a decisão definitiva ou praticado o acto, qualquer interessado pode requerer a declaração do impedimento, especificando as circunstâncias de facto que constituam a sua causa.
3 - Compete ao superior hierárquico ou ao presidente do órgão colegial conhecer a existência do impedimento e declará-lo, ouvindo, se considerar
necessário, o titular do órgão ou agente.
4 - Tratando-se do impedimento do presidente do órgão colegial, a decisão do incidente compete ao próprio órgão, sem intervenção do presidente.
Artigo 46º
Efeitos da arguição do impedimento
1 - O titular do órgão ou agente deve suspender a sua actividade no procedimento logo que faça a comunicação a que se refere o n.º 1 do artigo
anterior ou tenha conhecimento do requerimento a que se refere o n.º 2 domesmo preceito, até à decisão do incidente, salvo ordem em contrário do respectivo superior hierárquico.
2 - Os impedidos nos termos do artigo 44º deverão tomar todas as medidas que forem inadiáveis em caso de urgência ou de perigo, as quais deverão ser
ratificadas pela entidade que os substituir.
Artigo 47º
Efeitos da declaração do impedimento
1 - Declarado o impedimento do titular do órgão ou agente, será o mesmo imediatamente substituído no procedimento pelo respectivo substituto legal, salvo se o superior hierárquico daquele resolver avocar a questão.
2 - Tratando-se de órgão colegial, se não houver ou não puder ser designado substituto, funcionará o órgão sem o membro impedido.
Artigo 48º
Fundamento da escusa e suspeição
1 - O titular de órgão ou agente deve pedir dispensa de intervir no procedimento quando ocorra circunstância pela qual possa razoavelmente suspeitar-se da sua isenção ou da rectidão da sua conduta e, designadamente:
a) Quando, por si ou como representante de outra pessoa, nele tenha interesse parente ou afim em linha recta ou até ao 3º grau de linha colateral, ou tutelado ou curatelado dele ou do seu cônjuge;
b) Quando o titular do órgão ou agente ou o seu cônjuge, ou algum parente ou afim na linha recta, for credor ou devedor de pessoa singular ou colectiva com interesse directo no procedimento, acto ou contrato;
c) Quando tenha havido lugar ao recebimento de dádivas, antes ou depois de instaurado o procedimento, pelo titular do órgão ou agente, seu cônjuge, parente ou afim na linha recta;
d) Se houver inimizade grave ou grande intimidade entre o titular do órgão ou agente ou o seu cônjuge e a pessoa com interesse directo no procedimento, acto ou contrato.
2 - Com fundamento semelhante e até ser proferida decisão definitiva, pode qualquer interessado opor suspeição a titulares de órgãos ou agentes que intervenham no procedimento, acto ou contrato.
Artigo 49º
Formulação do pedido
1 - Nos casos previstos no artigo anterior, o pedido deve ser dirigido à entidade competente para dele conhecer, indicando com precisão os factos que
o justifiquem.
2 - O pedido do titular do órgão ou agente só será formulado por escrito quando assim for determinado pela entidade a quem for dirigido.
3 - Quando o pedido for formulado por interessados no procedimento, acto ou contrato, será sempre ouvido o titular do órgão ou agente visado.
Artigo 50º
Decisão sobre a escusa ou suspeição
1 - A competência para decidir da escusa ou suspeição defere-se nos termos referidos nos n.ºs 3 e 4 do artigo 45º.
2 - A decisão será proferida no prazo de oito dias.
3 - Reconhecida procedência ao pedido, observar-se-á o disposto nos artigos 46º e 47º.
Artigo 51º
Sanção
1 - Os actos ou contratos em que tiverem intervindo titulares de órgão ou agentes impedidos são anuláveis nos termos gerais.
2 - A omissão do dever de comunicação a que alude o artigo 45º, n.º 1, constitui falta grave para efeitos disciplinares.
Constituição da RP
Artigo 266.º
(Princípios fundamentais)
1. A Administração Pública visa a prossecução do interesse público, no respeito pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos.
2. Os órgãos e agentes administrativos estão subordinados à Constituição e à lei e devem actuar, no exercício das suas funções, com respeito pelos princípios da igualdade, da proporcionalidade, da justiça, da imparcialidade e da boa-fé.

Esta é que é a melhor música do mundo.
Mas só para quem tem sensibilidade musical e orelhas que funcionam.
E não se limita a consumir as mesmas playlists de todas as rádios FM, que são exactamente iguais.
É claro que o mérito desta rádio será pouco.
Os meus leitores levam com ela quer queiram quer não. Ela apena se constitui com um indicador do número de leitores que acede a este blog por dia e que neste momento se situa nos 315 IPs (computadores diferentes - sem contar com os que trabalham em rede sob o mesmo IP, como os das escolas, repartições, câmaras, etc) e 760 visitas por dia.
Fazer um blog é, de facto, fácil. Demora 3 minutos.
Conseguir leitores fiéis ao fim de 3 meses é mais difícil.
Manter leitores permanentes ao fim de 4 anos é tarefa que não está, pelos vistos, ao alcance de todos.
Muitas tentativas se levaram a cabo em Seia nestes últimos anos. A esmagadora maioria delas acaba por ter o próprio autor como leitor e pouco mais.
Este ainda cá anda, contando quase com um milhão de visitas ao fim de 4 anos e meio. Se as somarmos às visitas do antigo blog, esse número já foi ultrapassado há muito.
Mas isso não é importante.
O que de facto não se pode negar é que este blog, ao contrário da esmagadora maioria das tentativas congéneres produzidas nesta região, deixa muito pouca gente indiferente.
Ainda bem.
ontem: dia 17 - hits: 1.954;
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créditos: gerado: 2008-03-18 10:45:02
(pqstats versão 0.2)
Contra factos não há tretas.
Quanto aos autores que nem sequer colocam contadores nos seus blogs ou que os retiram, por vergonha, ao fim de 3 meses, uma palavra de esperança:
Não desistam. Continuem a escrever para vós próprios.
É um bom exercício narcísico que vos confere seguramente a tão almejada importância social.

(Clique aqui para aumentar o cartaz)
O Conservatório de Música de Seia organiza dois eventos especiais durante as férias da Páscoa, iniciativa que vimos divulgar junto de todos os pais e encarregados de educação dos jovens músicos.
O Festival "Dias de Música Electroacústica", orientado por Jaime Reis, destina-se a jovens músicos com mais de 8 anos e irá decorrer entre 17 a 29 de Março de 2008. Este evento proporcionará o contacto com um domínio fascinante no campo musical - a Música Electroacústica - e para além de concertos públicos diários, terá uma significativa componente de experimentação nos vários Workshops previstos.

(Clique aqui para aumentar o cartaz)
O Curso de Aperfeiçoamento Interpretativo de Viola Dedilhada destina-se a jovens músicos com idades compreendidas entre os 8 e os 18 anos de idade. Entre 17 a 20 de Março de 2008 os participantes terão oportunidade de aperfeiçoar a sua prática com o Prof. João Moita num ambiente muito especial em que contactarão com colegas de outras escolas e de diversos níveis ensino.
O custo destas actividades tem apenas um valor simbólico. Para um melhor esclarecimento pedimos o favor de contactar a secretaria do Conservatório de Música de Seia através do telefone 238 312 583 ou 238 081 883.
Estes devem ter sido contratados por um governo que eu cá sei...
Mais horas na escola?
Mais do mesmo?
Vale a pena ver até ao fim
As impressionantes manifestações registadas A descida à rua de milhares e milhares de manifestantes irritou alguns articulistas com pigarro, para os quais a existência do facto moral é um anacronismo absurdo. Um deles, que se diz “historiador”, chega classificar de ausência da razão as demonstrações de pura repulsa dos professores, cercados pelas imposições precipitadas.
A artigalhada apareceu num matutino fundado para resistir “à l’air du temps”, e, agora, ideologicamente neoconservador, com assinalável quebra de credibilidade – e de tiragem.
Na verdade, os professores não contestam as avaliações, sim o que lhes subjaz de improviso e de ligeireza. Os velhos mestres da suspeita estabeleceram as confusões habituais a fim de enxovalhar uma profissão admirável e tão vilipendiada. O poder da rua foi (tem sido, é) de tal modo persuasivo que o Governo tem vindo a alterar decisões até agora “inabaláveis.” É razoável que assim proceda. A nossa História próxima recente está pontuada de episódios de idêntica natureza, que nobilitam os políticos e engrandecem a substância da democracia.
A imponente manifestação dos cem mil assinalou, de novo, à luz das urgências contemporâneas, a consciência moral de uma população, preocupada com as derivas “políticas” mas que age impulsionada por motivos cívicos. E quando alguns preopinantes estipendiados e ex-trotsquistas convertidos aos prestígios do capitalismo declamam um anticomunismo protozoário, como justificação das próprias debilidades de carácter, a atoarda já não cola. O que os obsidia é ver como os ofendidos se revoltam e como a sua revolta os qualifica de indignos de um combate que lhes não pertence. Afinal, esses “ex”, que estavam à esquerda de tudo, constituíram-se como ponte de passagem para a organização da sua própria vidinha. E não são tão poucos quanto isso.
A rua foi, no fascismo, a explicação veemente e extremamente corajosa da indignação de um povo, perante um Governo ilegal porque não saído do voto. É uma história exaltante. Nos dias 5 de Outubro (comemoração da República) e 1.º de Maio (Dia do Trabalhador) grupos de pessoas iam-se juntando, concentrando-se nas praças e nos largos principais das cidades. Em Lisboa, no Rossio. Fui espectador e até protagonista de alguns episódios dramáticos. Quando o Rossio apresentava um aspecto significativo, pela quantidade de gente, agentes da PSP e da PIDE/DGS tapavam as ruas circundantes. Os manifestantes começavam, então, aos gritos de “Abaixo o fascismo!”, “Viva a Liberdade!”, “Viva a Democracia!” Eram violentamente espancados por polícias à paisana e por legionários espalhados por aqui e por além. Entendiam, os resistentes, que o acto de estar possuía uma forte componente moral. E era verdade. O antifascismo não representava nenhuma corrente ideológica: era uma posição moral; por isso reuniu republicanos, monárquicos, socialistas, comunistas, anarquistas, católicos.
Contra o delírio histórico, a barreira de homens honrados e livres, independentemente de serem de Direita ou de Esquerda. O regresso da Democracia, com a II República, advinda do 25 de Abril, recompôs o tecido político, e cada qual foi para o partido que correspondia às suas convicções. Quando, há tempos, alguém disse que os antifascistas dispunham de excesso de memória histórica, a afirmação estava certa: evocava o horror que se viveu, e que, até hoje, se não restituiu, na sua totalidade, à pedagogia do conhecimento. Como se fez em França, e está a fazer-se, por exemplo, em Espanha. E a rua foi o local exacto (como, em Democracia, o é também) para a exposição dos nossos desagrados.
Quem tem medo da rua? Os que desprezam a evidência dos factos. Aqueles que o decurso da História aponta à execração popular. A sociedade do silêncio e da traição. É instrutivo verificar que aqueles dos governantes saídos da abdicação e do perjúrio, outrora inflamados gritadores, deixaram de comemorar, na rua, a data que nos reentregou a liberdade. Há, nesta gente, uma estranha e doentia mortificação, que a impele ao insulto, à injúria, à mentira e à calúnia. Claro que, quando saem do Governo, são alojados em lugares seguros com salários chorudos; porém, estão ferrados com a ignomínia e repelidos pelo nojo que causam.
Os jornais dizem que o Governo tem recuado. Não será a palavra mais rigorosa. Diria que o Governo tem reflectido melhor e emendado a mão. As opiniões críticas que se têm registado em alguns jornais, não em todos, em alguns, conseguiram atenuar e, até, abafar, o alarido de “comentadores” obedientes ao solfejo do suserano. A rua, na sua trivial realidade, é consequência e concentrado de todas as vozes. O individualismo teatral sempre foi contrário à vontade de felicidade e ao cuidado de coerência testemunhados por aqueles que não andam na vida com esfuziante leviandade. Dentro de pouco tempo, esses que tais ajeitar-se-ão às modalidades do momento. Como na invasão do Iraque, os que a apoiaram já tentam remanejar o que afirmaram. A conivência, neste último caso, atinge territórios malditos. Porque o que aconteceu e acontece no Iraque configura as dimensões dos crimes de guerra.
Num belíssimo verso de um belíssimo poema, Vitorino Nemésio escreveu: “A hora do extensível força a possibilidade.” Nada mais certo. A possibilidade das coisas torna extensível as infinitas possibilidades do nosso querer. E o homem, quando quer, consegue tudo quanto quer.
Na entrevista à jornalista Judite de Sousa, que lhe colocou algumas perguntas pertinentes, a Sr.ª Ministra da Educação escondeu a verdade, fazendo imensas perguntas à entrevistadora. A certa altura não se percebia quem era a entrevistada, e quem era a entrevistadora.
*As inverdades ditas pela Sr.ª Ministra:*
1.º *Os professores serão avaliados pelos resultados em função do contexto escolar em que estão*. Toda a gente sabe que os Exames Nacionais são iguais em todo o país (excepto a Sr.ª Ministra).
2.º *Um professor que tenha alunos que mereçam 8 será mais beneficiado na sua avaliação do que um que tenha discentes a quem possa dar 18, se inicialmente estes já tivessem 18. *Se o professor é avaliado pelo sucesso dos seus alunos, o que a Ministra disse* *significa que 8 será sucesso? Faça favor de dizer isso a quem vai avaliar o professor que tenha alunos que
mereçam 8.
3.º *Os resultados dos alunos só contam 6,5 % na avaliação dos professores. *Os resultados dos alunos na avaliação interna contam 6,5 %, os resultados dos alunos na avaliação externa contabilizam mais 6,5 % e o abandono escolar ainda outros 6,5 %, o que soma 19, 5 % de factores que dependem da sorte do professor na atribuição das turmas.
4.º *A avaliação dos professores é menos rigorosa do que a dos outros funcionários públicos. *Essa é mais uma tentativa da Sr.ª Ministra virar a opinião pública contra os professores. Em mais nenhuma profissão, as pessoas são avaliadas pelo desempenho dos *outros*. É verdade: os professores vão ser avaliados pelo desempenho dos alunos, não importando se os alunos têm capacidade, vão à escola ou se emigraram. Se um aluno acompanhar os pais para outro país, será obrigação dos professores ir buscá-lo e ficar com ele em sua casa até que termine o ano lectivo? Imaginemos que os médicos eram avaliados pelas mortes que evitavam, também estariam tão desgraçados como os professores estão agora, pois todos acabaremos por morrer um dia. É um milagre o que a Ministra pede aos professores e pode haver quem os consiga fazer, mas a maior parte dos professores ainda não tem esse poder.
5.º *A avaliação foi negociada*. As subjectivas e burocráticas grelhas que foram aprovadas pelo governo são idênticas às que foram contestadas.
6.º *Os professores que têm Bom podem sempre progredir. *Esqueceu-se de que, quando as vagas de professores titulares estiverem preenchidas, ninguém poderá progredir nem que tenha "Excelente", a não ser que mate quem esteja a ocupar a vaga, mas se não tiver um bom advogado corre o risco de ir parar à cadeia e a vaga deixada pela vítima será ocupada por um terceiro.
7.º *Os professores titulares podem delegar a avaliação noutros que sejam mais competentes. *Só seria assim se a competência fosse sinónima de antiguidade, como aconteceu no 1º concurso de professor titular.
8.º *Não há professores de Educação Visual a avaliar professores de Educação Física. *A Sr.ª Ministra não sabe mesmo o que se passa nas escolas, nem mesmo os grupos que integram o departamento de expressões. Sr.ª Ministra, venha à nossa escola, trabalhe connosco durante uma semana e aperceba-se do que se passa no terreno! Certamente, a sua opinião acerca dos professores mudará, perceberá que este modelo de avaliação é injusto e, na semana seguinte, negociará um novo modelo de avaliação ou demitir-se-á por perceber o mal que tem feito ao Ensino Público. O regime de assiduidade do Novo Estatuto do Aluno não tem aplicação prática no Ensino Básico, pois a aprovação é consequência da avaliação de todas as disciplinas e não de disciplinas consideradas individualmente como acontece no Ensino Secundário.
Além disso, os alunos que perderam o estatuto de NEE nunca concluirão o Ensino Básico, porque deixaram de poder usufruir de exames a nível de escola e terão de realizar Exames Nacionais iguais aos de outros alunos. É pena que o presidente das associações de pais, Albino Almeida, não se preocupe com estes alunos, mas, como (felizmente) os seus filhos não têm problemas de aprendizagem, decidiu colar-se a quem tem poder e têm de ser os professores a escreverem cartas ao surdo ministério para tentar defender os alunos com graves dificuldades de aprendizagem que, no passado, tiveram testes adaptados e agora têm de realizar exames iguais aos seus colegas. Onde está o ensino individualizado?
9.º *A avaliação dos professores é feita pelos seus pares. *Se assim fosse, qualquer professor poderia ser eleito coordenador e avaliador, mas isso não acontece, porque só os professores titulares é que podem avaliar e faltar às suas aulas para avaliar os outros (imagine-se!). Os alunos do professor titular têm aula de substituição, enquanto este assiste à aula de um subalterno. É um paradoxo! Nunca pensei que as pessoas fossem tão loucas, a ponto de aceitarem esta situação como positiva! Os professores não podem faltar para a fazerem formação, acompanharem alunos em visitas de estudo ou assistirem a um funeral de um familiar próximo, sob pena de derem prejudicados na sua avaliação, mas os titulares podem faltar e abandonar os seus alunos para assistirem a aulas!!!... Está mais do que provado que a Sr.ª Ministra não se preocupa com a aprendizagem dos alunos, mas sim com as estatísticas.
*Houve um ponto em que a Sr.ª Ministra teve razão*: *Grande parte dos professores ainda não teve tempo para ler os documentos e ainda não percebeu o que está em causa*. Se todos os docentes tivessem lido todos os documentos, a Manifestação do dia 8 de Março não seria "só" de 100 mil professores, mas de 150 mil. Está provado que nas escolas, em que o injusto e ilegal processo de avaliação está mais adiantado, a adesão dos professores é de praticamente 100%, incluindo entre os avaliadores. É claro que alguns não deram o nome nas suas escolas por causa das represálias dos "mais que papistas" presidentes de alguns conselhos executivos, que ambicionam lugares de deputados nas próximas eleições! Pouca gente tem coragem de dizer, mas vive-se um clima de intimidação em algumas escolas e também há alguns titulares que se embriagaram com o poder e estão a tornar os avaliados escravos pessoais.
Não posso assinar este documento para evitar que o estabelecimento de ensino onde lecciono seja perseguido pela Inspecção Geral de Educação, como tem acontecido noutros casos. No entanto, deixo e-mail: * salvarescola@gmail.com *que pode ser utilizado por quem quiser provas e exemplos do que é referido.
Todas as semanas meto gasolina no carro e de cada vez são necessários mais euros para comprar os mesmos litros de combustível.
Dizem-me que é por causa da escalada do preço do petróleo.
Os industriais de panificação ameaçam com uma subida do preço do pão em cerca de 50% devido à subida do preço dos cereais e do petróleo...
Fui à net buscar umas tabelas/imagens e comecei a fazer umas contas.
Câmbio EUR/USD, desde 1999 a 2008:

Evolução do preço do petróleo desde 1994 (preços em USD):

Então concluimos que
- Em 2000, um barril de petróleo custava 63USD, ou seja, 70.00EUR (1.00Eur=0.90USD).
- Em 2008, um barril de petróleo custa 98USD, ou seja, 70.00EUR (1.00Eur=1.40USD).
Neste momento, em Março 2008, o Euro atingiu 1,53 USD e o preço do petróleo atingiu os 100 USD, mantendo-se a proporção de custo do barril em Euros.
Portanto, a tão apregoada subida do preço do petróleo é UMA GRANDE treta!
Estamos é a ser DESCARADAMENTE roubados pelas petrolíferas e pela associação de padeiros com o beneplácito do governo

1 - Madalena Cunhal é a directora do Museu do Brinquedo de Seia. Mas não é isso que a distingue.
O que mais há é directores de tudo e mais umas botas que não fazem a mínima ideia do que estão a fazer, quando fazem alguma coisa.
Madalena é verdadeiramente uma especialista e uma Autoridade em museulogia e naquilo que faz. Por isso, o seu conhecimento é requisitado de Norte a Sul do país. Neste momento é já muito respeitada e reconhecida nacional e internacionalmente.
Há 2 anos esteve em Moçambique, a convite da embaixada Moçambicana em Portugal.
Durante a sua estadia, teve contacto privilegiado com o sistema de ensino e com o universo lúdico das crianças de Moçambique.
Retirou imagens e testemunhos preciosos dessa estadia.
Amanhã mesmo irá fazer mais uma palestra, desta vez em em Cabeceiras de Basto, subordinada ao tema: «o universo lúdico das crianças de Maputo».
Madalena é, neste momento, a mais solicitada conferencista nascida em terras de Seia da contemporaneidade.
Tive a sorte de me ter escolhido para editar algumas imagens por ela captadas aquando da sua estadia por terras de África.
São 12 minutos de magia soberbamente comentados pela autora.
Em breve publicarei o trabalho aqui mesmo, se ela me der autorização.
Para a conferência de amanhã lhe desejo as maiores Felicidades.
2 - Teatro Escolar: embora nem sempre acarinhado e apoiado como merecia, José António Baptista tem feito um trabalho ímpar e pioneiro junto das escolas na promoção, divulgação e captação de talentos para a excelsa 5ª Arte.
Ontem levou à cena, na Casa da Cultura de Seia, mais uma peça - «Lisístrata» - da qual foi encenador, iluminador, cenógrafo, director de actores e o mais que é preciso.
A peça foi um êxito, numa casa muito composta de público, o que não é normal numa pequena cidade do interior, a uma quinta feira.
Os alunos estiveram à altura da "responsabilidade" e o momento foi de grande qualidade de interpretação a um ritmo alucinante, sem momentos mortos, numa entrega total.
O público não regateou aplausos.
Baptista e os alunos do 9º ano da Escola Dr Guilherme Correia de Carvalho estão de parabéns!
E a Casa da Cultura deve continuar a apoiar iniciativas "alternativas" às quintas feiras. Cinema de Autor (já o está a fazer), Teatro, Concertos, eventos que tragam alternativas ao cinema.
Mas nunca substituir o cinema por outros eventos, para não acontecer como está a suceder em cidades vizinhas.
O cinema constitui a forma de Arte mais eficaz, barata e tecnologicamente evoluída que se pode trazer junto das populações.
Para além de que é um hábito social que se perde, se interrompido.
Deve merecer lugar cativo numa Casa para ele desenhada, sob pena de rapidamente esmorecer de público.
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Mário Crespo, Jornalista
Maria de Lurdes Rodrigues não tem condições para continuar a gerir o sistema de educação em Portugal. Porque já não é eficaz nessa função.
Porque é um facto insofismável que o pessoal que ela administra não aceita a sua administração. Isso esvazia de conteúdo as suas funções.
Já não está em causa a eficácia da sua política.
A questão é que ela não vai conseguir implementar as boas ideias que tem, nem impor as más.
O argumento de a manter no cargo para não "desautorizar" o Primeiro-ministro é falso e perigoso.
Mantendo-a nas funções que desempenha a desautorização do governo de Sócrates é constante.
Chegou a altura de ver que isso é mau para os alunos.
Só podem ser eles quem está em causa. Não pode haver razões de defesa de imagem política que justifiquem esta intransigência porque a manutenção de um percurso de imposição administrativa começa a ser um risco de segurança nacional.
É péssimo para o quotidiano escolar ter um sistema totalmente desautorizado com professores a desafiarem o governo e o governo a desautorizar-se em frémitos de afirmação de voluntarismo vazio.
Da necessidade de reformas sabe-se com fundamento científico desde o trabalho de Ana Benavente que denunciou que um quarto dos portugueses mal sabia ler e que só dez por cento da população é que entendia completamente aquilo que está escrito. (eu acho que nem tanto...)
Mas esse estudo tem década e meia e nada de substancial foi feito no entretanto.
Por isso, o que está em questão não é a avaliação de professores. Apreciações de desempenho são meros pormenores de gestão de pessoal. O que é preciso, como consta de uma lúcida reflexão dos docentes da Escola Rainha D. Amélia, é fazer a escola cumprir com as suas funções na socialização de crianças e jovens. É promover a criação de hábitos de disciplina interiorizados que se multipliquem depois na vida adulta.
Entre Cavaco Silva, o governante confrontado com o estudo de Ana Benavente, e José Sócrates, este processo de calamitosa estupidificação do país não foi interrompido por um projecto lúcido.
O governo actuou agora como se o problema estivesse nos docentes e não no sistema de docência e nos curricula.
Actuou como se o problema único de Portugal fosse o do excesso de privilégios e não o do defeito de cultura.
E assim as frágeis construções da demagogia política trouxeram, mesmo com a intimidação de PSPs à paisana e processos disciplinares da DREN, uma centena de milhar para as ruas de Lisboa.
E o Primeiro-ministro mostrou a sua fibra assistindo em silêncio ao martírio de Maria de Lurdes Rodrigues que se desdobrou nas TVs a tentar demonstrar o indemonstrável axioma socrático que a sua política é infalível e o défice de compreensão é do país.
A resposta de Sócrates foi a de marcar uma manifestação de desagravo para o Porto.
Primeiro era para ser na rua, depois numa praça, depois num pavilhão e vai sempre soar a falso no clamor sem fim das turbas dos indignados.
Foi um contra-ataque ridículo no meio de muito comportamento bizarro.
O Professor Augusto Santos Silva protagonizou o momento de infelicidade quando em Chaves quis assinalar os três anos de governação numa espécie de estágio para o anunciado comício do desagravo.
Foi vaiado.
Ripostou tentando conjurar os seus Manes.
Invocou os nomes dos pais fundadores, dos velhos companheiros que diz serem os seus da luta que diz ser a sua.
Salgado Zenha, Mário Soares e Manuel Alegre.
E nenhum lhe respondeu.
Tentou depois o exorcismo, amaldiçoando os seus demónios pessoais, os grandes e os mais pequenos.
Álvaro Cunhal e Mário Nogueira.
E nenhum lhe respondeu.
Ouviu vaias cada vez mais altas e a voz embargou-se e disse: "eu não me calo... eles calam-se primeiro que eu."
Depois repetiu, baixinho como que a querer convencer-se "... eles calam-se primeiro que eu".
E não se calaram. Ao ouvir na Antena 1 este terrível registo de desgovernação só me ocorreram as sábias palavras de Juan Carlos para o tiranete venezuelano: "por que no te callas".


Os alunos do 9º ano da EB 2, 3 Dr. Guilherme Correia de Carvalho vão apresentar no próximo dia 13, na Casa Municipal da Cultura, a peça “Lisístrata”, de Aristófenes - Séc. V a.C..
O espectáculo tem início às 21:30h e retrata, através do humor, a emancipação da mulher.
Lisístrata convoca as mulheres de toda a Grécia para pôr termo à guerra no Peloponeso. Ao usar estratégias diversas, provoca uma "Guerra de Sexos".
Os alunos do 9º ano da EB 2, 3 Dr. Guilherme Correia de Carvalho vão apresentar no próximo dia 13, na Casa Municipal da Cultura, a peça “Lisístrata”, de Aristófenes - Séc. V a.C..
O espectáculo tem início às 21:30h e retrata, através do humor, a emancipação da mulher. Lisístrata convoca as mulheres de toda a Grécia para pôr termo à guerra no Peloponeso. Ao usar estratégias diversas, provoca uma "Guerra de Sexos".
As eleições de ontem trouxeram nova luz ao panorama político espanhol.
A americanização está aí. Os pequenos partidos desapareceram. Os dois gigantes assumem a repartição dos votos, sendo a diferença entre eles a mínima desde sempre.
O PP foi o que mais cresceu mas o PSOE também cresceu. Todos os demais quase desapareceram. O povo espanhol já não vai em futebóis. Zapatero conseguiu manter a Espanha nos níveis de desenvolvimento e de excelência a que Aznar a guindou.
O povo agradeceu a ambos e - muito ajuizadamente - contra todas as últimas sondagens, não deu a maioria absoluta a Zapatero. Talvez inspirado pela triste realidade que se vê neste nosso país.
Em Portugal ninguém sabe ao certo o que se passa. Se é que se passa alguma coisa para além da grande felicidade dos ricos e do ainda maior desespero dos pobres.
Mas se acreditarmos nos índices que a Marktest publica, todos os meses, diríamos que algo de parecido com uma bi-polarização se está a formar na sociedade. Que me desculpem os comunistas que se esfalfam a trabalhar.
E essa bi-polarização é difícil de entender porque o PS com maioria absoluta é este desastre que se vê e o PSD não se vê, simplesmente.
Aqui fica o gráfico evolutivo.

Repare-se que a diferença entre PSD e PS não tem nada a ver com a que é publicada na imprensa manhosa para animar o governo.
Sim, porque nesta fase do campeonato, com um país absolutamente em pantanas, não animam de certeza mais ninguém.
Em 2 momentos pelo menos, no último ano, os 2 partidos estiveram a par.
Nunca ninguém falou nisso....
O povo parece começar a ficar muito pragmático e, como sabe que só os 2 maiores podem disputar a vitoria eleitoral, dispersa-se cada vez menos.
Isso não é bom para a democracia.
Mas, nos tempos que correm, o que é que é bom para a democracia?

Por outro lado, as expecativas dos portugueses são estas que aqui se vêem, por muitas balelas e injecções de alienação que este governo mande a comunicação social dar ao povo.
É claro que estamos a falar de sondagens. Não as do socialista Oliveira e Costa, que essas são para rir - aconselhavam Alegre a desistir em favor de Soares, lembram-se? - mas as da Marktest, auditora, por exemplo, do share oficial televisivo.
Muito há a dizer sobre isto. Mas não há tempo, agora.
Vou revelar mais um pouco da Luz da Ciência aos filhos dos que criticam os Professores.
Mas anonimamente, claro.
Cobardemente, claro!
Porque abertamente ainda está para aparecer o primeiro que tenha a coragem de o fazer!
Essa é que é essa!

Ao afirmar peremptoriamente que suporta totalmente a política da educação que a ministra tenta implementar, sem ouvir Cavaco, Sócrates jogou a mais importante cartada do seu mandato.
Porque bem sabe que quando Cavaco voltar, vai ter muito que lhe explicar.
Por isso antecipa-se.
Chamo daqui a atenção aos meus leitores:
Cá para mim, Sócrates, com a popularidade em queda livre, vai fazer uma jogada final.
Aproveitando a ausência de Cavaco, já anunciou que está irredutivel.
Quando Cavaco voltar e lhe puxar as orelhas, daqui a uns dias, Sócras responderá que já anunciou que apoia a ministra e por isso não remodelará nada no seu gabinete.
E Cavaco fica entre a espada e a parede.
Ou abre um conflito institucional público, ou cala-se, perdendo o respeito de todos os professores. Que ele já percebeu que são praticamente todos: 150 mil.
Aproxima-se, pois, um momento fulcral na política portuguesa:
Se Cavaco se cala, a inteligência nacional cai-lhe em cima. Provavelmente o seu estado de graça termina, porque os professores já mostraram que não pararão.
Se chama a atenção em privado a Sócras, este vai responder-lhe que já anunciou publicamente que apoia incondicionalmente a ministra e não pode recuar para não perder a face.
Cavaco vai ter que decidir: ou aceita o braço de ferro ou não.
Eu penso que ele terá que o aceitar sob pena de perder a face e a confiança da esmagadora maioria dos portugueses não broncos.
Que ainda são muitos. Não se pense que não... Só professores serão 150 mil. Mais as famílias. E os amigos. E os indecisos. E os descontentes por outros motivos. São mesmo muitos... mais de um milhão a somar aos que naturalmente não votarão Sócras. Este milhão (pode chegar a 2 facilmente) desiquilibra tudo.
Cavaco tem que perceber isto porque Sócras, com aquela arrogância cega que o caracteriza, pensa que são só 100 mil votos e que ganha o dobro com os pais.
Sócras pensa que quanto pior fizer aos professores mais votos ganhará dos pais.
«Perdi os professores mas ganhei a opinião pública», lembram-se?
Por isso apostará na fractura da sociedade portuguesa: pais contra professores. Ele pensa que tem o jogo ganho já que, embora os professores também sejam pais, há muitos mais pais que não são professores.
Isto é o pensamento mediano e básico de quem não possui uma pinga de inteligência. Apenas ratice politiqueira. E isso, verdade seja dita, não lhe falta.
Mas vejamos porque não funciona este raciocínio básico do 2 + 2 = 4.
A principal razão está paradoxalmente no factor em que ele mais aposta: na ignorância e no nivel de escolaridade dos pais.
Porque essa ignorância, ao contrário da sua própria, não é arrogante: a esmagadora maioria dos pais não está contra os professores porque não possui recursos intelectuais para ajuizar sobre estes assuntos mais complexos.
As famílias portuguesas, para além de inacreditavelmente iletradas, também são bastante tradicionalistas. Não desenvolveram espírito crítico porque nunca o exercitaram no tempo da escola nem autodidacticamente fora dela. Infelizmente não é nas conversas com os vizinhos, a consumir desenfreadamente o futebol ou as novelas das TVs que se aprende alguma coisa ou se desenvolve a inteligência.
A moda do dizer mal dos professores não colhe, por isso, a maioria (longe disso) na população. Claro que há uns raivosos, uns frustrados que nunca deram nada nos estudos e culpam os professores por isso.
Mas esse número é uma pequeníssima minoria no universo das famílias portuguesas.
A maioria dos pais reconhece que os professores, por muitos defeitos que tenham, são muito mais cultos do que eles e, por isso, acabam por confiar neles, segundo todos os estudos que foram publicados recentemente.
O povo confia muito mais nos professores do que nos políticos.
Por isso, este esticar de corda vai acabar por correr mal a Sócras, se Cavaco aceitar o braço de ferro.
Sócras está preparado para lançar a bomba atómica. Percebeu-se hoje.
Mas é bluff, na minha opinião. Ou então pirou de vez.
Se Cavaco o encostar às cordas tenho a certeza de que ele não se demitirá para provocar eleições antecipadas.
Porque não tem a certeza de que ganhe.
Já não tem.
Por muito que as sondagens da «Eurosondagem» do socialista e ex-deputado do PS Rui Oliveira e Costa lhe dêem a maioria, Sócras sabe bem que números são aqueles e quem os encomenda...
Mesmo que ganhasse nunca seria com maioria absoluta. Ou seja: se agora está com dificuldades, depois seria pior.
Mas pode sempre acontecer que Sócras se tenha passado da cabeça e esteja convencido que sai com uma maioria reforçada, tipo Alberto João.
Nesse caso Cavaco deve fazer-lhe a vontade.
Aceitar o braço de ferro e mandá-lo fazer o que ele quiser.
Cavaco tem que se impôr e devolver a bola a quem lhe deu o primeiro pontapé.
De uma forma ou de outra, Portugal fica a ganhar.
Se Cavaco não for a jogo, irão os professores e as populações por causa dos Hospitais desactivados. E Cavaco ficará desautorizado aos olhos das populações.
É uma questão de meses.
Este ano não haverá "silly season", tenho a impressão...
E agora?
Agora, apesar da indignidade que foi a reportagem da Sic que procurou meticulosamente pessoas que estavam a assistir e não eram professores e professores que - porventura devido ao nervosismo do aparato televisivo - não conseguiram explicar da forma mais clara as razões pelas quais ali estavam - e depois o culminar com a entrevista à ministra em directo, há uma coisa que mudou, de certeza absoluta:
A forma como Cavaco viu esta giga-manifestação.
Quer dizer: mesmo que a imprensa comprada se cale (e não se calou), mesmo que as televisões dêem pouco destaque (e deram mais do que o que eu esperava), mesmo que as rádios ignorem o evento (a TSF pouco destaque deu), ao que se passou ontem e que foi absolutamente Histórico, a Cavaco ninguém pressionará.
Esta é a minha esperança.
A esperança dos professores é apenas uma: Cavaco.
Deixá-lo vir do Brasil.
Convocará de imediato Sócras que, se for inteligente, já lhe levará uma proposta de resolução do imbróglio.
E a resolução passa pela reestruturação de todo o processo de avaliação.
E a retoma da negociação com os sindicatos, quer queiram, quer não.
inteligentemente, Mário Nogueira já foi dizendo que não há condições para se retomarem as negociações com aquelas pessoas que insultaram os professores.
Por isso, para não demitir a ministra, não resta outra alternativa ao governo do que congelar o processo de avaliação e demitir Valter Lemos, pelo menos.
A ver vamos se eu tenho razão...

E hoje é domingo.
Nenhum funcionário público trabalha, mas eu tenho que continuar a ver testes.
E onde se preparam as aulas?
E onde se elaboram as fichas e os testes de avaliação?
Tudo em casa, depois de um àrduo dia de trabalho a tentar ensinar a quem não quer aprender.
E ao fim de semana também se trabalha.
Os restantes funcionários públicos levam trabalho para casa?
Alguém que trabalhe por conta de outrem leva trabalho para casa?
Sim.
Os professores.
Do ministériozeco da ministrazeca da avaliaçãozeca.
Eu também sou pai.
Quando vou ter tempo de dar uma volta com os meus filhos?
Diga lá, seu asqueroso Emídio Rangelzeco!
E o número continua a crescer.
Os da margem sul ainda não conseguiram chegar ao Terreiro do Paço.
Nos Restauradores ainda não se consegue ver o fim da fila, neste momento.
E o Terreiro do Paço já está cheio.
«A maioria qualificada dos professores está aqui», diz Mário Nogueira.
É a primeira vez que uma classe profissional se faz representar em maioria num só local em Portugal.
E não só após o 25 de Abril: não há relato que tal já tenha acontecido antes, na História de Portugal.
Que pena os professores não terem aberto os olhos mais cedo...
Ó Milú.... tu até podes levar a tua avante, mas não é neste governo.
Estás feita!
Porreiro, pá!
Governo trata os professores como hooligans.
Destacou mais de 600 polícias de intervenção para acompanhar a manif de hoje. Mais do que os que destacou para o jogo de altíssimo risco que foi o último Sporting - Benfica...
Ao contrário do que o jornalismo desconhecedor de tudo o que se passa propala na imprensa diária, hoje não é o dia D para os professores.
Os meses M foram os que antecederam a promulgação do inefável ECD, em 19 de Janeiro de 2007. Já lá vai mais de um ano.
Aí, os professores pouco ou nada protestaram. Tirando a manif de Lisboa em 5 de Outubro de 2006, pouco mais houve.
Nessa manif, que juntou 25 mil pessoas no Rossio, muito poucos foram os professores de Seia que nela alinharam.
Hoje, mais de um ano volvido, começam os professores a sentir na pele os efeitos desse maligno ECD.
Mas eu avisei.
Eu fiz tudo para mostrar aos meus colegas que eles estavam a chancelar a ruína das suas carreiras, sem protesto.
Riram-se.
Reuniões sindicais na minha escola? Com 6 ou 7 pessoas. Noutras, nem uma só.
Ainda estou a ver meia dúzia de professoras a dizerem, na sala de professores, escarnecendo de quem lutava por eles: «era o que mais faltava ir agora para Lisboa armada em palhaça!»...
Estes, hoje, estão lá todos.
Mas tarde. Hoje, o ECD foi promulgado e é Lei.
O que esperam, pois, os professores neste momento?
Não se sabe, ao certo. Eu não sei se eles sabem.
Que a ministra seja substituída?
Talvez.
E mais?
Nada.
Lei é lei e é para cumprir.
Os professores, com a sua negligência, deixaram que esta fosse a Lei promulgada.
Cavaco promulgou-a sem hesitação. Não se pode levar a mal. Ele não viu qualquer contestação nem movimentação da classe, a não ser os costumeiros protestos dos sindicatos, e aquela manif do 5 de Outubro...
Estou convencido que agora é tarde.
Mais coisa, menos coisa, tudo seguirá os seus trâmites se isto for um estado de direito.
Mas enfim:
Já que se perderam todas as oportunidades para, em tempo útil, se protestar e se tentar corrigir o monstro que é este ECD (e que muitos professores ainda desconhecem em profundidade e ainda não se aperceberam bem do que ele encerra) é verdade que vale mais a manif de hoje do que nada.
Embora a apoie, claro, receio que de pouco efectivamente venha a servir, porque este governo - está visto - não vai revogar a Lei.
Nem o próximo, cá para mim...
Portanto, professores: demitiram-se dos vossos deveres de cidadania e dos vossos direitos de protesto em tempo útil?
Protestam fora de prazo?
Paciência... aprendam ao menos que, para a próxima, é melhor lutar em tempo útil do que chorar sobre o leite derramado.
A subversão é a mesma:
Menos condenações = menos despesa para o estado = melhor rácio de criminalidade = menor despesa com a população presidiária = evitabilidade de construção de novas prisões = melhor imagem internacional de Portugal.
Todos os números melhoram.
A sociedade é que não, porque os maus alunos passam mas continuam ignorantes e os criminosos cometem crimes mas não vão presos.
Uns e outros não receberão o justo castigo que merecem.
Pelo contrário: são recompensados pelo mal que fazem a si próprios e à sociedade.
Quem sai prejudicado são, por isso, os bons alunos e as pessoas sérias e honestas.
É o Portugal de Sócras.
A alternativa é o comboio!
De Coimbra, Aveiro, Porto, centenas de professores já compraram bilhetes de comboio para Lisboa, para a marcha de amanhã.
Não há autocarros no centro do país.
Está tudo alugado!
Vai ser uma coisa nunca vista.
Vamos é ver se corre tudo bem...
Não me admira que, com tanta gente e tanta confusão, alguém contrate meia dúzia de arruaceiros infiltrados para provocar confusão e lançarem a culpa sobre os professores...
Há que ter muita atenção e agir como antes do 25 de Abril.
De resto, a distância entre o antes e o depois do 24/4 já está bem encurtada...
Das poucas diferenças que ainda se podem descortinar entre Salazar e Sócras - para além da colossal distância entre a privilegiada inteligência do primeiro e a triste xico-espertice do segundo - é que ambos perceberam que o estado é de quem é chefe, embora de formas diferentes.
Salazar mandou instruir uma polícia especializada - a PIDE - para proteger o estado (quer dizer: o regime) - dos ataques e das subversões da democracia.
Sócras percebeu que todo o tuga atrasado almeja ser bufo do seu chefe.
Por isso, enquanto Salazar dispunha de uma polícia especializada de 200 ou 300 agentes (fora os bufos) para cuidar da Inteligência (Informação secreta) do Estado, Sócras pretende funcionar com 5 milhões deles - metade da população que bufa sobre a outra metade - para o mesmo fim.
É mais seguro, este sistema, pois se toda a gente controla toda a gente neste estado policial, tem-se a certeza absoluta de que qualquer "conspiração" aborta à nascença.
E mais: não lhes paga!
Genial, devo confessar...
Assim, temos os agentes à paisana a entrar nas escolas e a fazerem perguntas inquisitórias do género: «qual vai ser a adesão da marcha?»
E a pedirem mais notícias sobre o que se está a organizar.
Bem: eu não sei como comentar isto.
Repetem-se os métodos, nada se aprende com as calinadas, e isto não pode ficar a dever-se apenas à estupidez de meia dúzia de agentes que querem subir na carreira à custa de lamber as botas aos chefes.
Alguém os mandou fazer aquele serviço.
Sabemos que, neste momento, na Função Pública, todo o bicho careta, seja ele analfabeto, estúpido ou mero sapo aprendiz de político adora bufar aos ouvidos do chefe.
Os polícias não fugirão à regra.
Mas daí até fazerem aquilo por vontade própria vai uma distância intransponível.
A verdade é que nada se aprendeu com a indignidade do que se passou no sindicato da Covilhã.
Ontem tivemos 2 ou 3 xicos-espertos a correrem as escolas a imitar os espiões que vêm nos filmes "amaricanos".
Hoje, e mesmo depois das garantias em sentido contrário do Ministro (como se ele fizesse a mínima ideia do que se passa no terreno...), tivemos mais um caso.
E amanhã?
A Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Vila Franca de Xira não prestou o socorro imediato ao homem de 51 anos, que viria a falecer enquanto aguardava por aquele apoio-pré-hospitalar, em Samora Correia (Benavente), porque se encontrava, simultaneamente, a caminho de uma outra ocorrência, em Glória do Ribatejo. Serviço para o qual o INEM não activou a VMER de Santarém, responsável por aquela área e que se encontrava operacional.
A viatura de Vila Franca, que dista a apenas 10 quilómetros de Samora, acabou por responder às ordens do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), realizando o primeiro socorro. Só chegou a Samora Correia 40 minutos após a chamada da família da vítima para o 112 (pelas 23.35 horas) e devido ao apelo lançado ao CODU pelos bombeiros de Samora Correia.
"Quando a nossa segunda ambulância se deslocou ao local é que finalmente a VMER de Vila Franca apareceu. Mas foi preciso pedirmos a sua presença. Soubemos então que a viatura teve de fazer um socorro num sítio que era mais perto da VMER de Santarém", disse, ao JN, Miguel Cardia, comandante dos bombeiros. Segundo este responsável, a viatura pré-hospitalar escalabitana manteve-se parada na base durante toda a noite no hospital distrital, apesar da proximidade de Glória do Ribatejo.
Versão que contradiz a explicação do porta-voz do INEM, Pedro Coelho dos Santos, segundo o qual tais serviços "não terão levado mais de 15 minutos", remetendo outras explicações para depois da conclusão do inquérito ao incidente que aquela entidade decid