Foi assim que a junta médica que condenou pela segunda vez a funcionária da junta de freguesia a trabalhar, respondeu ontem à comunicação social.
Teixeira dos Santos é, portanto, ridicularizado e desautorizado ao máximo pela junta médica que, pela segunda vez e mesmo após o vigoroso puxão de orelhas de Teixeira dos Santos, enviou para o seu local de trabalho a funcionária da Junta que não se pode mexer nem sentar, de modo que ficará deitada numa maca a atender os munícipes.
Expressava, então, a sua “solidariedade”, Teixeira dos Santos para com Ana Maria Brandão, que nem à casa de banho pode ir sozinha:
“Ninguém pode ficar indiferente e insensível. É óbvio que a situação tem de ser reanalisada e reapreciada”.
O resultado da segunda avaliação, efectuada dia 20 último, no Porto, chegou esta quinta-feira: a funcionária terá mesmo de reiniciar as suas funções.
Foi a este ponto que chegámos, neste país.
Niguém tem mão em nada e todo o autoritarismo balofo de Sócras e dos seus ministros se esfuma, na prática.
Cavaco fez, finalmente, meia coisa bem feita há meses a esta parte, mandando escrutinar a lei das magistraturas ao TC.
Esqueceu-se foi do Ministério Público...
Lá está: os juízes têm poder, os Delegados do MP não...
Pergunto: porque não fez o mesmo, Cavaco, ao Estatuto da Carreira Indecente dos professores?
E também respondo com a lógica deste governo: porque os professores são uns desgraçados de uns coitaditos que não têm o mínimo de ética nem de união como se verá hoje, novamente.
Mas os magistrados e os militares têm a força da aplicação da Lei e as armas do lado deles e, portanto, contra estes, nem Sócras nem Cavaco nem o diabo a quatro têm a coragem de fazer alguma coisinha.
Nada! Rigorosamente nada.
Sócras, com a cobertura de Cavaco, acobarda-se perante os que têm poder e vinga-se a esmagar os pobres e os pobres de espírito.
Que, por não se unirem nem lutarem pelo seu futuro contra uma indignidade de um governo destes, bem o acabam por merecer.
Eu, por mim, tenho todo o orgulho em ser chulado pelos meus colegas que se aproveitam da minha luta e do meu sacrifício na hora das conquistas, e que neste momento estão a trabalhar, contribuindo para o descrédito desta luta, desvalorizando e deitando por terra a nossa Razão.
Muitos deles, jovens em início de carreira, estão a furar a greve substituindo professores em luta.
Não faz mal: serão os primeiros a ir para a rua a partir do próximo ano e aí é que eu me vou rir!...
Viva a greve geral!
Viva a dignidade dos portugueses!
Contra a cobardia e o fascismo instituído nas escolas e nas repartições!
Contra a progressão das cunhas e das amizades!
Contra o domínio dos incapazes!
Pela Verdade, pela Honestidade e pelo Progresso do nosso país que só se consegue quando esta cáfila que ascendeu aos lugares de poder for derrubada pela força da Razão... ou por outra força porventura mais violenta, como aconteceu há 33 anos atrás.
FAZER GREVE: SIM, CLARO!
Ninguém faz Greve só porque gosta de fazer Greve!
Ou seja, ninguém acorda de manhã e diz:
— Hoje está a apetecer-me fazer uma grevezinha!
Não! Quem faz greve:
a) tem de recuperar o trabalho que tinha preparado para aquele dia nas aulas que se seguirem.
b) perde dinheiro do seu salário, que tanto lhe faz falta.
c) por vezes, ainda tem de ouvir umas bocas de alguns oportunistas que se aproveitam do resultado das greves.
d) sujeita-se aos olhares de quem não percebe a importância social e politica da realização de uma greve.
Ninguém faz greve por gosto. Mas às vezes tem mesmo de ser. Ao fazer-se Greve toma-se uma posição forte perante o poder e a opinião pública!
Uma greve faz-se depois de se chegar a um ponto em que não há alternativa. Um ponto em que se pensa que é necessário tomar uma posição muito forte. Umas vezes faz-se uma manifestação… outras uma concentração… Mas, agora, neste momento, o que vamos fazer é uma Greve.
Toda a gente sabe por que se faz esta Greve no dia 30 de Novembro. Ou não sabe?
Faz-se greve porque:
— achamos inadmissível ter perdido tudo o que ganhámos na revisão da carreira de 1998 com as revisões salariais anuais…
— o governo prometeu recuperar poder de compra e só quer aumentar-nos 2,1% em 2008 (muito abaixo da inflação)…
— não aceitamos perder a nossa nomeação definitiva e passarmos a contrato, sujeitando-nos à pressão do despedimento…
— não aceitamos que continuem milhares no desemprego e alunos sem aulas, sem apoios, e turmas com demasiados alunos…
— achamos inadmissível que os aposentados descontem o que já andaram a pagar durante dezenas de anos…
— não queremos uma aposentação com pensões de miséria…
— exigimos respeito! Respeito pelo facto de sermos trabalhadores que dão o melhor, por vezes sem condições materiais e logísticas adequadas. Respeito pelo facto de termos direito a sermos representados pelos nossos Sindicatos à mesa das negociações e em negociações sérias.
Pois é, não pode haver desculpas!…
Colega,
Se não fizer greve no dia 30 de Novembro ninguém lhe vai perguntar por que razão não a fez. À noite, esse acto de furar uma greve será lido como apoio ao Governo.
Sim, é isso mesmo! Dirão: Aqueles estão de acordo com a política seguida pelo governo!
Se é contra esta politica que nos destrói a profissão e os serviços públicos de qualidade, FAÇA GREVE!
FORÇA! CORAGEM! LUTE!
A Direcção do SPRC
É preciso ligar o som para ouvir este faduncho de Paulo de Carvalho, extraordinariamente interpretado por Carlos do Carmo...
Numa semana escrevi apenas duas coisas.
É um record minimo absoluto e deve-se a dois factores:
Primeiro porque ando muito ocupado (fora a vida escolar, claro) com o projecto da publicidade institucional nos cinemas.
Todas as câmaras municipais contactadas deram luz verde ao projecto que consideraram muito interessante e útil para o esclarecimento das populações, no que à publicidade institucional diz respeito, e agora há que instalar os equipamentos e produzir os filmes comerciais. Estou nessa fase experimental.
E depois porque deixou de haver factos novos. Ou, pelo menos, notícias verdadeiramente novas.
O que há é o que já havia, repetido no dia a dia.
Vou, ainda assim, debruçar-me sobre 4 pontos que trouxeram alguma vitalidade a este país definitivamente desmaiado, amorfo e resignado ao que parece ser o seu destino fatal: o de se reduzir ao condado inicial a breve trecho.
1º - A Greve Geral da Função Pública do próximo dia 30.
A última foi um fracasso. Esta será melhor, mas não muito melhor.
Os professores simplesmente amocham a tudo e não fazem greve. Logo aí a coisa esvazia-se pela base. Quem mais razão tem para a fazer é quem a não fará. Se, na minha escola, fizermos 4, já haverá um aumento significativo de 33% relativamente à ultima...
Escolas haverá que não abrem, não por alguma generalizada adesão à greve por parte dos professores, mas sim dos funcionários.
A verdade tem que ser dita: 5 funcionários fecham uma escola. 30 professores não conseguem.
No resto, fecharão repartições de finanças, algumas (poucas) câmaras municipais, não haverá recolha de lixo nem transportes em Lisboa e por aí ficaremos.
Deus queira que me engane, mas já não reconheço a este povo a capacidade de raciocinar e de pesar as consequências dos seus actos.
Os professores vão valorizar os 30 ou 40 euros que perdem se fizerem greve e esse elemento será determinante para uma decisão que deveria ser estritamente baseada na consciência cívica de cada um.
30 euros valem mais, portanto, que a consciência cívica dos professores!
Veja-se bem se a ministra não acaba por ter razão quando nos trata como bichos!...
Por outro lado, com o nível inexplicável de endividamento das famílias, quem é que poderá - mesmo já esquecendo os desgraçados e pobres professores - dar-se ao luxo de perder 1 dia ou 2, no caso de um casal?
Poucos.
Tudo continuará, portanto, na mesma.
Infelizmente.
O sinal não será dado ao governo que nos continuará a espezinhar cada vez com mais força até conseguir que a maioria se despeça ou entre em depressões por problemas psiquiátricos, o que levará ao novo estatuto da mobilidade especial e ao consequente despedimento ao fim de 3 anos.
Está, de facto, tudo pensado...
Os professores que não tenham uma fonte de rendimento externa ou que não saibam fazer mais nada na vida estão tramados porque nem sequer conseguem ver a gigantesca guilhotina onde lhes estão a enfiar a cabeça.
Um claro problema de visão e de informação, porque esta continua a ser, paradoxalmente, a classe profissional mais mal informada e a que mais se recusa a informar-se.
As reuniões sindicais do sindicato mais representativo consegue, na minha escola, a atenção de 6 a 7 professores!
Metade deles não sindicalizados.
E depois, quando se informam, não acreditam....
2º - O Inspector Geral da Administração Pública, Clemente Lima, arrasa a PSP e a GNR.
Afirma textualmente que os agentes se comportam como os cow-boys dos filmes americanos, conota-os como atrasadinhos e acusa-os de serem absolutamente incompetentes.
Não há reacção na sociedade civil...
Por ter dito um décimo disso - apenas por ter demonstrado a incompetência do comando da GNR de Seia na ocasião de uma rusga local previamente anunciada, os elementos da GNR local - motivados por um advogado que queria lucrar com o "negócio" - levantaram-me 32 processos que acabaram por ser arquivados ainda em fase de inquérito.
Então e não haverá ninguém que se proponha fazer o mesmo a Clemente Lima?
Recolhia as assinaturas de 60 mil agentes e propunha ao comando da GNR e da PSP o mesmo negócio: um x por cada indemnização que Clemente Lima seria condenado a pagar a cada um dos agentes pelo crime de difamação...
Porque é que não passa pela cabeça de nenhum advogadozeco alucinado fazer a Clemente Lima o mesmo que me tentaram fazer a mim?
Porque ele - enquanto "lá estiver" - é muito poderoso... e virava-se o bico ao prego, não era?
Mas então, se ninguém na GNR e na PSP o processar, isso significa que todos os agentes concordam e aceitam que são incompetentes e que são todos um arremedo de cow-boys retardados (com 200 anos de atraso relativamente aos reais) de meia tigela!
Juro que me farto de rir com tanta estupidez junta!....
3º - Federação Portuguesa de Esqui vai para a Covilhã.
Não há escândalo nisso. A Covilhã tem tudo, 6 hotéis, todos os serviços, todas as condições para a prática do esqui, excepto dois pequenos pormenores: a neve e as pistas de esqui.
Tirando essa insignificância, a Covilhã tem tudo para ser a capital da neve que nós tentámos ser há anos (a avaliar pelas placas colocadas nas estradas nos anos 90) e não conseguimos.
Eles, sem neve e sem pistas, conseguiram tudo aquilo que nós (com neve e pistas) não conseguimos.
Somos, em Seia, tão competentes como a GNR e a PSP para Clemente Lima, e como a Judiciária para a polícia e parlamento ingleses.
Mas independentemente disso, a neve está e continua no nosso concelho de SEIA, que mais uma vez perde para a Covilhã.
Mas é que nem Seia é tida ou achada para nenhum assunto, nem nela se fala em nenhuma reportagem sobre este (ou outro) assunto relacionado com a Serra da Estrela.
ostracismo completo.
Seia já não existe na Serra. Tem o que de melhor a Serra pode oferecer, mas não existe!
Foi apagada da memória dos Homens e das Instituições Portuguesas no sec 21!
E - dizia eu - se hoje é perfeitamente natural aceitar-se isso, aqui há 6 anos, quando comecei a escrever sobre este assunto da atribuição mediática de tudo quanto se refere à Serra das Estrela à cidade da Covilhã, talvez fosse possível desviar este fluxo de um só sentido...
Hoje já ninguém questiona o protagonismo quase monopolizante da Covilhã em tudo o que se refere à Serra da Estrela.
Covilhã cresceu, engordou, adquiriu um peso esmagador e atingiu um nível de reconhecimento e de referência nacional e até internacional que são, hoje, incontornáveis.
A culpa do nosso esquecimento não pode apenas ser atribuída à inépcia da nosso executivo camarário. Se bem que podia ter feito muito mais e melhor, a verdade é que a sociedade civil também não quer saber da serra nem do turismo para nada.
Essa é que é essa.
E os que querem fazer alguma coisa e têm ideias exequíveis são apontados como doidinhos, lunáticos, etc.
Há quem afirme que é por isso que "as pessoas válidas se vão embora e deixam isto entregue aos bichos".
Há um familiar meu que não pára de me dizer que aqui só ficou o refugo. Mas eu não me considero refugo e pergunto: Será mesmo que só aqui ficaram os grunhos? Será que as pessoas válidas foram TODAS para as cidades ganhar a vida?
Não acredito.
Há-de haver aqui alguém que não pense só em desenrascar-se na vida o mais depressa possível e que queira trabalhar em prol da melhoria das condições de vida deste concelho que tem TUDO - REPITO! - ABSOLUTAMENTE TUDO para vir novamente a ser um Concelho florescente, como o foi nos anos 60 e 70, e está cada vez mais triste, pobre e desertificado.
Para os lados da Covilhã, que também empobreceu rapidamente com o fecho em catadupa das indústrias de lanifícios, a reconstrução deu-se fruto de muito e bom trabalho. Foram muitos anos a trabalhar com a comunicação social enquanto nós estivemos os mesmos anos a "trabalhar" parados.
Ganhou-se o turismo que se roubou, em grande parte, a Seia, porque há 15 anos não havia A23. O turismo, antes, passava todo por Seia e a Covilhã era o "outro lado" da Serra.
Hoje somos nós "o outro lado" que nem sequer existe.
Já nem dele se fala em lado nenhum...
Na Covilhã, a estratégia foi bem conseguida: primeiro roubou-se o turismo ao lado de cá da serra. Começou a aparecer gente nova. Atrás dela, apareceu investimento. Apareceram os Hotéis. O Comércio. Os Serviços.
Depois de haver movimento apareceu a Universidade e a Faculdade de Medicina. A Vida foi reaparecendo e, hoje, a Covilhã constitui-se como a única potência da Serra, embora os seus acessos ao maciço central sejam bem piores que os nossos, sobretudo para autocarros, que é uma grande componente turística nomeadamente no que se refere ao turismo sénior nacional e internacional.
A vida foi, assim, devolvida a uma cidade que se anunciava como morta nos meados dos anos 80.
Eu, por exemplo, todos os dias recebo emails a pedirem-me indicações sobre alojamentos na Serra e todos se referem à Covilhã.
As pessoas já vêm pré-direccionadas, pelo peso do mediatismo continuado, para a Covilhã. Eu lá tento desviar-lhes a trajectória trazendo-as para aqui e, em alguns casos, até consigo.
Mas depois também não temos resposta para dar em termos de qualidade de alojamentos e de programas turísticos ou de lazer. E se temos tanta coisa para ver, por aqui!.....
Não há, hoje, a pouco mais de um mês do fim de ano, um único programa de animação em Seia inteira para o Reveillon!
Quem quiser vir passar o ano a Seia fica fechado no apartamento?
É que se quiserem saber o que vai haver na Covilhã é só ir à net...
Seia encontra-se já no mesmo estado pré-mórbido que Gouveia.
Só a escala é que é maior. Aqui ainda vivem 8 mil pessoas enquanto que em Gouveia vive menos de metade.
Mas, dentro em breve, com a fuga de todos os jovens para as cidades, Seia ficará exactamente como Gouveia se nada continuar a ser feito em termos de promoção turística, quer pelo executivo, quer pela sociedade civil.
Eu tenho 2 projectos para informação e animação turistica do concelho, mas não posso fazer tudo sozinho.
As pessoas válidas que conheço têm todas uma vida muito ocupada que não lhes permite meterem-se em mais nada.
Por isso.... colaboradores e investidores, precisam-se!...
Porque ideias tenho-as eu!
4 -Cavaco, o Escandalizado: «Porque é que não nascem mais crianças em Gouveia?»
A desertificação que ontem tanto chocou Cavaco em Gouveia - na inauguração de mais um museu local - está patente em todo o lado e há anos.
Mas os políticos profissionais que temos só se dão conta do que se passa no interior quando andam em campanha... e, muitos deles, nem aí.
Cavaco, agora escandalizado ao perceber aquilo que todos nós sabemos há anos, não nos deve perguntar a nós porque é que não nascem mais crianças no interior...
O agora escandalizado deve perguntar é a Sócrates porque é que ele promove e subsidia cegamente o aborto proporcionando-o gratuitamente em todo o lado, enquanto dificulta o que de mais maravilhoso existe neste planeta: o Evento da Vida.
Foi Cavaco, agora escandalizado, quem promulgou a lei dos Matadouros Pré-Natais há poucos meses.
E tem agora a lata de vir perguntar ao povo «porque é que não nascem mais crianças no interior?»
Cavaco está a brincar com quem?
Mas como podem nascer mais crianças num país destes? Com que meios?
Em que condições?
Cavaco, o Escandalizado, tem a noção, ao menos, de que a esmagadora maioria das crianças que nasceram em Portugal (provavelmente ele incluído!) nunca foram planeadas mas resultaram naturalmente de "acasos" que as pessoas acabaram por aceitar naturalmente?
Só os pais que as não queriam ter é que tinham que enfrentar uma saga horrível pela frente. E muitos desistiam no percurso, acabando por aceitar tê-las.
Foi assim que quase todos nós nascemos.
Sabia isso Cavaco, o Escandalizado com os seus próprios actos?
Não deve saber.
Deve pensar que os agricultores, pais da maioria da classe política que temos, planearam cuidadosamente pelo método de Ogino-Knauss o nascimento de tais cavalgaduras que nos representam...
Bem. E agora?
Agora não é preciso andar às escondidas nem pagar balúrdios a uma parteira de vão de escada para se fazer um aborto, graças, acima de tudo, a Cavaco, o subitamente escandalizado.
Graças essencialmente a si, porque o referendo não foi vinculativo, agora toda a gente pode assassinar crianças à borla!
Mas para as ter tem que pagar! E muito! E toda a vida!
Ficou escandalizado, Cavaco, tal como "largos sectores da sociedade civil mais informada", mas eu aviso já que ando a passar-me com tanto hipócrita que faz as coisas conscientemente e depois vem para a comunicação social muito escandalizado com as consequências do que ele próprio fez.
Como se não fosse nada com eles...
Corja!
Fechar maternidades complicando a vida a quem quer dar Vida ao mundo enquanto se disponibilizam salas de chuto para os sidosos poderem continuar a propagar a sua doença por muita gente e por muitos anos;
e abrirem-se matadouros pré-natais de luxo pagos com os nossos impostos é capaz de não ser a melhor forma de se conseguir a perpetuação deste povo, digo eu...
Mas olhem: se querem a minha opinião sincera, atendendo ao estado da Nação, ao nível cultural e de desenvolvimento civilizacional dos adultos do interior e à categoria dos encarregados de educação com quem se lida... se calhar vale mais mesmo parar por aqui e esperar mais uma geração ou duas.
Pode ser que lá para 2050 as coisas estejam melhores e os poucos pais que nessa altura existam tenham sido bafejados com uns gramas de inteligência para os poderem replicar nos filhos.
Porque estes de agora, meus caros, só podem replicar é toneladas e toneladas de estupidez genuína.
Sócras, lá no fundo, é capaz de ter as suas razões.
Largos sectores da sociedade esclarecida portuguesa (meia duzia de lunáticos, portanto) declaram-se chocados com esta tentativa escandalosa de instrumentalização da Justiça por via da transformação dos juizes e magistrados em funcionários públicos.
Já esqueceram, portanto, que apenas há 2 dias se declararam escandalizados pela concessão da exploração de todas as estradas pagas com os nossos impostos a uma sociedade obscura pelo prazo de várias gerações.
E que, em média, uma vez por semana se declaram escandalizados por alguma das medidas anunciadas pelo governo que temos.
Felizmente, de todas elas, só foi concretizado o assalto descarado à carreira dos professores, por se tratar da classe profissional menos reivindicativa e mais amorfa de Portugal.
Eu não encontro aqui escândalo nenhum.
Estes "largos sectores" estão, como eu estou, a seguir a actividade do governo desde março de 2005.
Assistiram a tudo o que eu assisti.
Ao domínio e paralização do jornalismo que se fazia, em primeiro lugar.
Não custou muito. Todas as empresas jornalísticas estão na mão da alta finança, por isso a coisa foi fácil.
Sob a ameaça do despedimento imediato não há muito jornalista que insista em dizer a verdade, pela superior razão de lá terem filhos em casa que precisam de comer todos os dias.
Depois do espírito crítico da sociedade aniquilado, tudo se pôde fazer a seguir.
E é essa a estratégia que tem sido seguida pelo governo.
Não há que estranhar, pois, que este governo ditatorial pretenda controlar o que ainda não controla totalmente: a justiça.
Transformando a Justiça (ainda mais) numa fantochada total, esta classe política corrupta poderá ficar para sempre a salvo de todas as inconveniências por que hoje ainda tem que passar.
Veja-se o caso de Fontão de Carvalho e a vergonha nacional que foi arquivar um processo de pedofilia a um ex-deputado quando há 6 crianças - 6 a acusarem-no frontalmente de todo o tipo de coisas indescritíveis.
Por muito menos do que isso - uma acusação ou duas - há gente a passar anos na prisa.
Deste governo espera-se rigorosamente tudo: até à completa extinção da democracia, na prática.
Não há, pois, que estranhar absolutamente nada, vindo deste governo, por mais aberrante que nos pareça.
Até porque este povo, totalmente auto-demitido dos seus direitos, todos os dias prova que merece tudo quanto lhe acontece.

Este caso, que circula na net, ilustra com toda a dimensão aquilo que se vive nas escolas do interior. 90% dos pais são analfabetos funcionais. Praticamente 100% (senão mais...!) vêm a escola unica e exclusivamente como um armazém das crianças que têm. O que se lá passa pouco importa e quanto mais tarde fechar, melhor. De preferência que lhes dessem lá o jantar...
A esmagadora maioria dos pais do interior não faz a mais pequena ideia de quais são os objectivos da Escola. Mandam para lá os filhos porque é assim que toda a gente faz. E porque dá muito jeito, durante o dia. É menos uma grande preocupação.
Este é, infelizmente, o nível de compreensão da maioria do povão do interior (há excepções, claro) relativamente à escola. E, da mesma forma que não se consegue pôr uma foca a falar francês, ninguém tenha a veleidade de explicar o que quer que seja com alguma profundidade aos "encarregados de educação" desta geração.
Uma coisa, no entanto, é certa e eu tenho vindo a alertar os meus colegas para ela há já alguns anos: a profusão de trabalhos de casa que demasiados professores marcam é absolutamente proibitiva de uma vida social em casa.
E até do tempo mínimo de repouso a que têm direito os (poucos) alunos que os tentam fazer.
Uma coisa é eles não terem tempo para ver as novelas insultuosas para qualquer inteligência mediana que passam nos 3 - três - canais comerciais abertos; nesse sentido os trabalhos de casa são até um elemento positivo para a desalienação progressiva das camadas mais jovens do interior. Mas o que é demais também é prejudicial.
E, os meus colegas que me desculpem, mas marcar diariamente trabalhos de casa aos alunos - a todas as disciplinas - é tão estúpido como a resposta que esta mãe deu à professora.
Benza-os Deus!...
Tive ocasião, ontem, no Conselho Pedagógico da Escola Secundária de Seia, de chamar a atenção para a sistematica desvalorização que o corpo docente daquela escola (ou pelos menos os seus representantes) tem atribuído aos sucessivos rankings anuais que têm sido publicados nos vários órgãos de comunicação social, e nos quais a escola secundária, desde 2002, tem vindo a descer de forma muito acentuada.
Desde uma nota média de 10,72 e uma posição média (276) em 2002, a Escola tem vindo progressivamente a ser ultrapassada por dezenas de outras escolas congéneres, a ponto de, neste momento, apresentar uma nota média nos exames nacionais de 8,58 e ocupar o lugar nr 440. Em 500...
Estamos, perigosamente, a entrar na cauda da tabela de todas as escolas secundárias nacionais.
E este facto - porque de um facto se trata e não de uma sondagem ou conjectura - deve preocupar-nos a todos: comunidade escolar e sociedade civil, porquanto, ao contrário do que alguns ainda afirmam para desvalorizar este ranking, ele não é nada subjectivo. É o mais objectivo que se pode imaginar porque trata dos resultados de exames a todas as disciplinas da Escola.
No Ensino básico, ao contrário, o "ranking" das escolas tem a ver apenas com as disciplinas de Português e Matemática ou mais propriamente "interpretação de textos aplicada à matemática", como eu gosto de identificar os exames que têm sido elaborados a uma disciplina que devia ser científica e que afinal - vai-se a ver - chegam a ter mais caracteres que os de Língua Portuguesa...
No Ensino básico ninguém avalia outras disciplinas para além daquelas 2 a que os alunos fazem exames. O ranking não é, pois, significativo de toda a aprendizagem e da qualidade de cada Escola.
Mas, no ensino secundário, assim não é.
Portanto, se todas as disciplinas são avaliadas, não se imagina método mais seguro do que este para aferir da convergência efectiva de cada escola às orientações pedagógicas do ME, quer delas se discorde muito ou pouco. Ou nada.
Enquanto funcionários do ME, os professores têm que cumprir os programas aprovados e têm que se esforçar ao máximo para que os alunos aprendam o que neles se ensina.
É tão simples como isso.
E não duvido que é isso, na esmagadora maioria dos casos, que acontece.
No entanto, o que se verifica é que os alunos da Escola Secundária de Seia não mostram atingir, em média, o que deles se espera e exige. A sua nota média é negativa nos exames nacionais. E tem vindo quase sempre a decrescer.
Não há que desvalorizar o ranking. Ele é um facto e provavelmente o único indicador da qualidade do trabalho da Escola.
Atenuantes para esta situação negativa há quantas queiramos.
Desde um concelho empobrecido e a desertificar a uma velocidade inimaginável ainda há pouco tempo atrás, até à sua grande extensão - há alunos que fazem dezenas de quilometros para chegar à escola secundária e voltar para suas casas diariamente - até ao facto de muitos deles serem "ajudados" com nota 10 para poderem ir a exame e não "se lhes cortar as pernas", sendo certo que a esmagadora maioria deles chumbarão, enfim...
Uma panóplia de argumentos se pode ir buscar para justificar esta nota e classificação muito negativas no ranking.
A verdade é que a culpa não é - nunca pode ser - de um só factor.
Esta é a única coisa que é certa.
Nem só dos alunos, que se desinteressam do estudo porque não vêm saídas profissionais, nem só da extensão e pobreza do concelho, nem só das "ajudas" dos professores para levar a exame quem não mereceria.
A culpa é, por certo, de tudo isto somado.
E o que fazer?
O primeiro passo é exactamente o que foi dado ontem no CP:
A consciencialização do corpo docente para a evidência de que algo está, de facto, a correr mal.
É o primeiro passo.
A Associação de Pais pede a toda a comunidade escolar que reflita sobre esta situação e não continue, como até aqui, a desvalorizá-la sistematicamente.
O diagnóstico é o primeiro passo para debelar este problema que se mostra crescente no que à nossa escola diz respeito. A seguir tratar-se-á de encontrar estratégias de remediação.
Uma coisa é certa:
Algo tem que ser feito - e urgentemente - sob pena de, para o próximo ano, a nossa secundária incluir a tabela das 10 ou 20 escolas menos cotadas do país.
Estamos - Associação de Pais e eu, pessoalmente - disponiveis e muito empenhados para contribuir para esse debate alargado e urgente, que diz respeito a todos os senenses.
A partir deste fim de semana inauguramos um novo serviço para as empresas e Câmaras Municipais (Empresas Municipais) da região.
Trata-se da difusão de publicidade comercial e institucional antes e nos intervalos das sessões de cinema.
Ambos os tipos de publicidade são constituídos por filme em alta resolução, com locução.
As Câmaras Municipais e Empresas Municipais dispõem agora de um veículo extra e muito eficaz para publicitar as suas iniciativas ou eventos a apoiar.
As empresas, por seu lado, passam a poder publicitar os seus serviços e produtos em local privilegiado e para plateias atentas, porque, ao contrário do que se passa em nossas casas, em que antes e no intervalo dos programas ninguem vê publicidade (ou se faz zapping ou se vai à casa de banho), os espectadores de cinema estão virados para o ecran sem terem nada que fazer.
São, por isso, receptores atentos da publicidade visual naquele preciso momento.
Apostar neste tipo inovador de publicidade de elevado impacto traduz-se num pequeno investimento muitas vezes mais rentável do que outro tradicional.
Trata-se de um conceito desenvolvido por mim, há 4 anos, no cinema de Seia e repetido no ano seguinte, mas de forma algo amadora, na altura.
Neste momento, a FORMATOS possui meios audiovisuais e de transmissão de sinal wireless que facilitam muito o processo e dão um ar mais profissional aos spots publicitários a passar.
Convido todos os meus leitores a ir aos cinemas da nossa região da Serra da Estrela, quanto mais não seja para verem o que se faz por cá.
E, brevemente, mais um projecto "revolucionário" de publicidade audiovisual do sec XXI, de maior impacto ainda, a que chamo, para já, projecto Y.
Dentro de uns meses descobrir-se-á a razão do Y...
Para mais informações ou informações sobre os preços (irrisórios) da publicidade nos cinemas podem enviar um email para mim ou para a FORMATOS, ou ligar para o 91 816 66 23
Ao "obrigar" dos professores a passarem os alunos que se recusam a aprender já estavamos todos habituados.
Ai do professor que chumbe um cábula: não progride na carreira, passa o verão a produzir relatórios justificativos e o ano seguinte com um inspector à perna.
Mas agora o requinte de malvadez da ministra vai mais longe:
O aluno passa mesmo que não vá às aulas.
Basta que realize uma qualquer prova de recuperação e toca a andar.
Quer dizer: obriga-se o professor a trabalhar mais, porque o aluno decide faltar às aulas!
Se o professor não quiser ter chatices para o resto da vida, tem que lhe fazer uma prova em que se pergunte o nome do cábula e pouco mais.
Mas não se pense que a perfídia e o insulto à inteligência dos professores acaba aqui: nada disso!
Se o aluno se recusar a fazer essa prova (feita para ele passar), ou se por algum motivo - não descortinável por ninguém em seu perfeito juízo - ele chumbar nessa prova, continua a não haver problema.
«o Conselho de Turma ponderará a justificação das faltas, determinando um plano de acompanhamento especial e a realização de uma nova prova»!!!!
À qual o cábula pode continuar a faltar.
Mas que o professor tem que produzir.
Palhaçada maior do que esta é, realmente, impensável.
O objectivo é claro:
Ir progressivamente esvaziando a autonomia para avaliar do professor.
Pretende-se fazer do professor um miseravel manga-de-alpaca que "pega" às 8:30 e "despega" às 5:30.
Não é preciso - nem desejável, pelos vistos - que ensine nada a ninguém.
Mas mesmo que o professor tenha esse mau feitio de querer ensinar alguma coisinha a quem não quer aprender (e ganha agora o apoio do Estado para manter essa atitude), é forçoso que não avalie o que ensinou.
É absolutamente fundamental que todos os alunos passem de ano, mesmo que não saibam ler nem escrever o seu próprio nome, que é para que Portugal «se possa aproximar» dos países mais desenvolvidos da europa, que têm como escolaridade mínima obrigatória o 12º ano, há já muitos anos.
Como a Letónia, a Bulgária, a Ucrânia, a Bielorrússia...
Sócrates disse ontem que a AR não é o parque Mayer e que se limitou a responder ao governo que falhou em 2005
Isso só pode ser um lapsus linguae, porque o governo que foi empossado em Março de 2005 e se mantem em funções até hoje, é o seu.
O de Santana Lopes manteve-se em regime de gestão desde Dezembro de 2004 até Março de 2005 e por isso impedido de tomar quaisquer medidas de fundo em 2005.
O descaramento não tem limites.
Este é, provavelmente, o melhor governo a trabalhar sobre a pressão dos escândalos televisivos de que há memória.
Guterres era reactivo, mas Sócras ainda é mais.
Nada funciona em Portugal a não ser que o escândalo chegue às televisões.
Aí, é um "ver se te avias"!
Vem logo o ministro que estiver mais perto das câmaras de televisão desautorizar toda a cadeia de submissos a quem passa a vida a infernizar com directrizes e orientações contrárias.
Porque as orientações são rigorosas e são para cumprir!
A não ser que haja escândalo...
Aí, faz-se logo tábua rasa de todas as orientações e orienta-se em sentido contrário.
À cautela...
O caso da funcionária da junta, praticamente paralítica, que foi obrigada a trabalhar de manhã e dispensada logo a seguir ao almoço pelo ministro é só mais um exemplo deste estilo reactivo-escandaloso de "governar".
A culpa nunca é de quem emana as orientações.
É sempre de quem lhes obedece...
Ílhavo, 22 de Outubro de 2007
Senhor Presidente da República Portuguesa
Excelência:
Disse V. Excia, no discurso do passado dia 5 de Outubro, que os professores precisavam de ser dignificados e eu ouso acrescentar: "Talvez V. Excia não saiba bem quanto!"
1. Sou professor há mais de trinta e seis anos e no ano passado tive o primeiro contacto com a maior mentira e o maior engano (não lhe chamo fraude porque talvez lhe falte a "má-fé") do ensino em Portugal que dá pelo nome de Cursos de Educação e Formação (CEF).
A mentira começa logo no facto de dois anos nestes cursos darem equivalência ao 9º ano, isto é, aldrabando a Matemática, dois é igual a três!
Um aluno pode faltar dez, vinte, trinta vezes a uma ou a várias disciplinas (mesmo estando na escola) mas, com aulas de remediação, de recuperação ou de compensação (chamem-lhe o que quiserem mas serão sempre sucedâneos de aulas e nunca aulas verdadeiras como as outras) fica sem faltas. Pode ter cinco, dez ou quinze faltas disciplinares, pode inclusive ter sido suspenso que no fim do ano fica sem faltas, fica puro e imaculado como se nascesse nesse momento.
Qual é a mensagem que o aluno retira deste procedimento? Que pode fazer tudo o que lhe apetecer que no final da ano desce sobre ele uma luz divina que o purifica ao contrário do que na vida acontece. Como se vê claramente não pode haver melhor incentivo à irresponsabilidade do que este.
2. Actualmente sinto vergonha de ser professor porque muitos alunos podem este ano encontrar-me na rua e dizerem: "Lá vai o palerma que se fartou de me dizer para me portar bem, que me dizia que podia reprovar por faltas e, afinal, não me aconteceu nada disso. Grande estúpido!"
3. É muito fácil falar de alunos problemáticos a partir dos gabinetes mas a distância que vai deles até às salas de aula é abissal. E é-o porque quando os responsáveis aparecem numa escola levam atrás de si (ou à sua frente, tanto faz) um magote de televisões e de jornais que se atropelam uns aos outros. Deviam era aparecer nas escolas sem avisar, sem jornalistas, trazer o seu carro particular e não terem lugar para estacionar como acontece na minha escola.
Quando aparecem fazem-no com crianças escolhidas e pagas por uma empresa de casting para ficarem bonitos (as crianças e os governantes) na televisão.
Os nossos alunos não são recrutados dessa maneira, não são louros, não têm caracóis no cabelo nem vestem roupa de marca.
Os nossos alunos entram na sala de aula aos berros e aos encontrões, trazem vestidas camisolas interiores cavadas, cheiram a suor e a outras coisas e têm os dentes em mísero estado.
Os nossos alunos estão em estado bruto, estão tal e qual a Natureza os fez, cresceram como silvas que nunca viram uma tesoura de poda. Apesar de terem 15/16 anos parece que nunca conviveram com gente civilizada.
Não fazem distinção entre o recreio e o interior da sala de aula onde entram de boné na cabeça, headphones nos ouvidos continuando as conversas que traziam do recreio.
Os nossos alunos entram na sala, sentam-se na cadeira, abrem as pernas, deixam-se escorregar pela cadeira abaixo e não trazem nem esferográfica nem uma folha de papel onde possam escrever seja o que for.
Quando lhes digo para se sentarem direitos, para se desencostarem da parede, para não se virarem para trás olham-me de soslaio como que a dizer "Olha-me este!" e passados alguns segundos estão com as mesmas atitudes.
4. Eu não quero alunos perfeitos. Eu quero apenas alunos normais!!!
Alunos que ao serem repreendidos não contradigam o que eu disse e que ao serem novamente chamados à razão não voltem a responder querendo ter a última palavra desafiando a minha autoridade, não me respeitando nem como pessoa mais velha nem como professor. Se nunca tive de aturar faltas de educação aos meus filhos por que é que hei-de aturar faltas de educação aos filhos dos outros? O Estado paga-me para ensinar os alunos, para os educar e ajudar a crescer; não me paga para os aturar! Quem vai conseguir dar aulas a alunos destes até aos 65 anos de idade?
Actualmente só vai para professor quem não está no seu juízo perfeito mas se o estiver, em cinco anos (ou cinco meses bastarão?...) os alunos se encarregarão de lhe arruinar completamente a sanidade mental.
Eu quero alunos que não falem todos ao mesmo tempo sobre coisas que não têm nada a ver com as aulas e quando peço a um que se cale ele não me responda: "Por que é que me mandou calar a mim? Não vê os outros também a falar?"
Eu quero alunos que não façam comentários despropositados de modo a que os outros se riam e respondam ao que eles disseram ateando o rastilho da balbúrdia em que ninguém se entende.
Eu quero alunos que não me obriguem a repetir em todas as aulas "Entram, sentam-se e calam-se!"
Eu quero alunos que não usem artes de ventríloquo para assobiar, cantar, grunhir, mugir, roncar e emitir outros sons. É claro que se eu não quisesse dar mais aula bastaria perguntar quem tinha sido e não sairia mais dali pois ninguém assumiria a responsabilidade.
Eu quero alunos que não desconheçam a existência de expressões como "obrigado", "por favor" e "desculpe" e que as usem sempre que o seu emprego se justifique.
Eu quero alunos que ao serem chamados a participar na aula não me olhem com enfado dizendo interiormente "Mas o que é que este quer agora?" e demorem uma eternidade a disponibilizar-se para a tarefa como se me estivessem a fazer um grande favor. Que fique bem claro que os alunos não me fazem favor nenhum em estarem na aula e a portarem-se bem.
Eu quero alunos que não estejam constantemente a receber e a enviar mensagens por telemóvel e a recusarem-se a entregar-mo quando lho peço para terminar esse contacto com o exterior pois esse aluno "não está na sala", está com a cabeça em outros mundos.
Eu sou um trabalhador como outro qualquer e como tal exijo condições de trabalho! Ora, como é que eu posso construir uma frase coerente, como é que eu posso escolher as palavras certas para ser claro e convincente se vejo um aluno a balouçar-se na cadeira, outro virado para trás a rir-se, outro a mexer no telemóvel e outro com a cabeça pousada na mesa a querer dormir?
Quando as aulas são apoiadas por fichas de trabalho gostaria que os alunos, ao sair da sala, não as amarrotassem e deitassem no cesto do lixo mesmo à minha frente ou não as deixassem "esquecidas" em cima da mesa.
Nos últimos cinco minutos de uma aula disse aos alunos que se aproximassem da secretária pois iria fazer uma experiência ilustrando o que tinha sido explicado e eles puseram os bonés na cabeça, as mochilas às costas e encaminharam-se todos em grande conversa para a porta da sala à espera que tocasse. Disse-lhes: "Meus meninos, a aula ainda não acabou! Cheguem-se aqui para verem a experiência!" mas nenhum deles se moveu um milímetro!!!
Como é possível, com alunos destes, criar a empatia necessária para uma aula bem sucedida?
É por estas e por outras que eu NÃO ADMITO A NINGUÉM, RIGOROSAMENTE A NINGUÉM, que ouse pensar, insinuar ou dizer que se os meus alunos não aprendem a culpa é minha!!!
5. No ano passado tive uma turma do 10º ano dum curso profissional em que um aluno, para resolver um problema no quadro, tinha de multiplicar 0,5 por 2 e este virou-se para os colegas a perguntar quem tinha uma máquina de calcular!!! No mesmo dia e na mesma turma outro aluno também pediu uma máquina de calcular para dividir 25,6 por 1.
Estes alunos podem não saber efectuar estas operações sem máquina e talvez tenham esse direito. O que não se pode é dizer que são alunos de uma turma do 10º ano!!!
Com este tipo de qualificação dada aos alunos não me admira que, daqui a dois ou três anos, estejamos à frente de todos os países europeus e do resto do mundo. Talvez estejamos só que os alunos continuarão a ser brutos, burros, ignorantes e desqualificados mas com um diploma!!!
6. São estes os alunos que, ao regressarem à escola, tanto orgulho dão ao Governo. Só que ninguém diz que os Cursos de Educação e Formação são enormes ecopontos (não sejamos hipócritas nem tenhamos medo das palavras) onde desaguam os alunos das mais diversas proveniências e com histórias de vida escolar e familiar de arrepiar desde várias repetências e inúmeras faltas disciplinares até famílias irresponsáveis.
Para os que têm traumas, doenças, carências, limitações e dificuldades várias há médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos, em quantidade suficiente, para os ajudar e complementar o trabalho dos professores?
Há alunos que têm o sublime descaramento de dizer que não andam na escola para estudar mas para "tirar o 9º ano".
Outros há que, simplesmente, não sabem o que andam a fazer na escola...
E, por último, existem os que se passeiam na escola só para boicotar as aulas e para infernizar a vida aos professores. Quem é que consegue ensinar seja o que for a alunos destes? E por que é que eu tenho de os aturar numa sala de aula durante períodos de noventa e de quarenta e cinco minutos por semana durante um ano lectivo? A troco de quê? Da gratidão da sociedade e do reconhecimento e do apreço do Ministério não é, de certeza absoluta!
7. Eu desafio seja quem for do Ministério da Educação (ou de outra área da sociedade) a enfrentar ( o verbo é mesmo esse, "enfrentar", já que de uma luta se trata...), durante uma semana apenas, uma turma destas sozinho, sem jornalistas nem guarda-costas, e cumprir um horário de professor tentando ensinar um assunto qualquer de uma unidade didáctica do programa escolar.
Eu quero saber se ao fim dessa semana esse ilustre voluntário ainda estará com vontade de continuar. E não me digam que isto é demagogia porque demagogia é falar das coisas sem as conhecer e a realidade escolar está numa sala de aula com alunos de carne, osso e odores e não num gabinete onde esses alunos são números num mapa de estatística e eu sei perfeitamente que o que o Governo quer são números para esse mapa, quer os alunos saibam estar sentados numa cadeira ou não (saber ler e explicar o que leram seria pedir demasiado pois esse conhecimento justificaria equivalência, não ao 9º ano, mas a um bacharelato...).
É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender "dói"! É preciso dizer aos alunos que não basta andar na escola de telemóvel na mão para memorizar conhecimentos, aprender técnicas e adoptar posturas e comportamentos socialmente correctos.
Se V.Excia achar que eu sou pessimista e que estou a perder a sensibilidade por estar em contacto diário com este tipo de jovens pergunte a opinião de outros professores, indague junto das escolas, mande alguém saber. Mas tenha cuidado porque estes cursos são uma mentira...
Permita-me discordar de V. Excia mas dizer que os professores têm de ser dignificados é pouco, muito pouco mesmo...
Atenciosamente
Domingos Freire Cardoso
Professor de Ciências Físico-Químicas
3830 - 203 ÍLHAVO

Quando se pensa que isto já bateu no fundo, eis que o fundo se desloca mais para baixo.
Está provado que não tem fundo, este poço chamado Portugal!
Não bastava sermos provavelmente o país de gente mais pobre, doente e inculta da europa civilizada (a 27!), mas ficámos este ano a saber que somos também o que tem a banca mais multimilionária e, logicamente, as famílias mais endividadas da mesma europa, a acreditar no último relatório da global watch.
No entanto, a realidade ultrapassa a ficção e qual não é o meu espanto ao ver a peça da Sic de hoje em que muito naturalmente se revela que os portugueses se endividam agora, não para pagar a casa, o carro, a mobília, os electrodomésticos, a roupa e as férias, mas também a própria comida que levam para casa!
Meus caros: desta, nem eu estava à espera.
Mas é a pura realidade e a nova coqueluche do pindericismo envergonhado.
O cartão de Crédito Modelo Continente pratica um TAEG de 19, picos e há um outro que pratica 17, tal.... para pagamento de comida nos supermercados!!!!
Onde é que isto irá parar?
Como diria o Pimentegue de Torrosêlo:
Responda quem soubegue!
A polícia espanhola apreendeu, em Viana e Vila Nova de Cerveira, duas lanchas rápidas semi-rígidas que terão sido utilizadas para o transporte, para a Galiza, de quatro toneladas de cocaína apreendidas na segunda-feira nas rias de Vigo e Pontevedra.
Estamos a falar de uma apreensão no valor de mais de 120 milhões de euros!...
Em Portugal, os telejornais mal falam disso.
De facto, é uma vergonha terem que ser os espanhóis a vir a território nacional desmantelar uma mega-rede de tráfico de droga.
Mas é que se assim não for...
Compreende-se agora o que eu tenho vindo a dizer há anos?
Quando a PJ apanha 15 quilos de droga - após receber chamadas anónimas com a localização exacta da mercadoria - e vão as televisões e os telejornais todos cobrir o acontecimento, armados em palonços - trata-se apenas de um rabbit, como se diz na gíria: um coelho que é lançado de propósito para desviar as atenções do filão principal.
Uma clássica manobra de despiste, em vigor há anos, de se oferecer umas migalhas às polícias para elas encherem a peitaça de ar balofo, enquanto as toneladas passam ao largo.
Há, de facto, muitos anos que isto acontece e de tal forma que, de cada vez que se vê um anúncio de apreensão de droga pelas polícias portuguesas, eu tenho logo a certeza de que um grande embarque dela passou ao lado da costa, mesmo nas barbas da PJ.
Aqui está a prova do que tenho vindo a alertar.
É tudo uma questão de tempo...
Dê-se uma olhada às últimas notícias sobre apreensão de droga ao largo da nossa costa e... pasme-se!
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=77663
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1309509&idCanal=10
http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=19261&tnid=3
A pressão que a ministra da Educação tem exercido sobre a classe mais desunida e menos consciente profissionalmente que existe em Portugal começa a dar, infelizmente, os seus frutos.
Os professores andam absolutamente desorientados e estão a desatar a fazer o que não lhes compete provavelmente com medo que "alguém" venha sobre eles.
É preciso acalmar os professores e dizer-lhes que eles têm apenas que cumprir a Lei de Base do Sistema Educativo que ainda não mudou - mas para isso é preciso que a conheçam minimamente o que, também infelizmente, é raro acontecer.
Se não se conhece o enquadramento profissional, há que o ler e estudar. E mais vale tarde que nunca.
Trata-se, no fundo, da Lei n.° 46/86, de 14 de Outubro, alterada pela Lei nº 115/97 de 15 de Setembro, na sua versão nova consolidada de Lei nº 49/2005 de 30 de Agosto, que pode consultar aqui.
Não podem os professores demitir-se dos seus deveres de conhecer a lei em que se enquadram e que não muda estruturalmente desde 1986 - e escudar-se em directrizes ou orientações avulsas que ninguém sabe se existem e em que contexto foram criadas.
Não podem os professores cometer ilegalidades para atingir determinados fins ou "ajudar" determinado aluno.
O enquadramento psicológico de cada aluno com dificuldades educativas especiais tem que ser alvo de um diagnóstico e de um estudo aprofundado e individualizado. Os relatórios dos psicólogos das escolas não podem ser um texto sempre igual, obtido por copy / paste uns dos outros, assim como os planos curriculares de turma não podem ser documentos que se preenchem de qualquer forma com a repetição sistemática da palavra "alguns" porque isso, para além de ridicularizar o documento em causa, esvazia-o de qualquer conteúdo e propósito.
Os documentos, que têm que ser elaborados, devem servir para enquadrar, diagnosticar e ajudar a despistar as dificuldades de cada aluno em particular e não ser uma amálgama de generalidades que apenas serve para se dizer que se preencheu mais uma grelha de preenchimento obrigatório.
Meus Amigos: o Ensino, em Portugal, está muito doente.
São as evidências dos resultados dos exames, são a vergonha dos exames, eles próprios, são a vergonha internacional de sermos o único país de uma europa a 27 que tem apenas o 9º ano como escolaridade obrigatória.
Os professores não podem continuar a fazer parte da doença.
Nem podem continuar a ser o bode expiatório de todos os males do sistema de ensino, como este governo pretende fazer crer à população.
Mas para isso, os professores têm que se unir e estudar os seus direitos e deveres.
Tanto profissionais como sindicais. Se não fossem os sindicatos os professores estariam já a aparar relva e a descascar batatas em muitas escolas.
Os professores têm que começar a fazer parte da cura.
Chegámos a um ponto em que ninguém sabe ao certo o que anda a fazer e faz porque ouve dizer ou porque os outros também fazem.
É desolador!
Os documentos de preenchimento obrigatório encontram-se absolutamente vazios de qualquer significado prático.
A papelada e a burocracia em que os professores estão a ser afogados apenas contribui para confundir as suas missões e isso torna-se uma evidência nas reuniões intercalares.
Há que parar para pensar o que estamos a fazer numa Escola: se estamos a preencher papelada de cruz, ou se estamos de facto a trabalhar em prol do cultivo da inteligência dos nossos alunos.
É aterrador perceber que, mal surge uma dificuldade com um aluno "diferente", nenhum professor sabe ao certo o que fazer.
Uns poêm-se a fazer testes específicos sem sequer terem diagnosticado as áreas em que o aluno revela maiores dificuldades, porque ou não há relatórios técnicos ou eles são generalistas e perfeitamente omissos no que deviam diagnosticar.
Outros, desatam a adaptar currículos por sua livre e espontânea vontade a alunos que nem sequer estão sinalizados como possuindo necessidades educativas especiais.
E mesmo que o estivessem, perguntar-se-ia sempre:
1 - Quais??? Quais são as necessidades educativas que determinado aluno apresenta e
2 - PORQUÊ? Por que razão um aluno sente dificuldades numa determinada área do Conhecimento, por vezes de grau de dificuldade baixo, enquanto não revela essas mesmas dificuldades noutra, muitas vezes envolvendo uma profundidade de raciocínio mais complexa até que a anterior?
O que temos que perceber é isso antes de tomarmos qualquer atitude relativamente a um aluno em dificuldades:
Quais são as dificuldades que ele apresenta EXACTAMENTE e PORQUÊ???
Sem isto, nada feito.
É só perder tempo nas reuniões e fazer perder tempo aos outros.
Só depois de percebermos que tipo de dificuldades o aluno apresenta e que fragilidades conceptuais manifesta poderemos começar a delinear uma estratégia para tentar despistar as suas dificuldades.
Não há que inventar, não há que improvisar adaptação de testes nem de currículos à sorte.
Os serviços de psicologia e os professores especializados nessa área são quem nos deve enquadrar cada aluno. E cada adaptação de conteúdos a leccionar terá forçosamente que ser fruto de um trabalho conjunto entre os serviços da educação especial e os professores generalistas, que somos nós, sem formação específica para lidar com crianças que, pelos vistos, não nos compreendem.
Não são só os testes que terão sofrer adaptações, caso a caso.
Nalguns casos serão mesmo alguns conteúdos que terão que ser substituídos. Mas noutros, e provavelmente na maior parte, nem será preciso substituir coisa nenhuma.
Eu não posso acreditar que uma escola normal apresente, ano após ano, 20 a 25% de alunos NEEs!
Seria um escândalo nacional e internacional!
Estaríamos num país de atrasados ou de doentes mentais, se tal fosse verdade!
Mas é isso o que se verifica, demasiadas vezes, aqui no interior.
É preciso é que os alunos se motivem para trabalhar e para estudar.
Não são os professores que têm que estudar pelos alunos.
São eles próprios que têm que fazer esse trabalho, ao contrário do que tem sido a prática ultimamente nas escolas básicas em que só os professores e os tutores trabalham. Os alunos, pouco ou quase nada.
Não pode ser!
Porque dificuldades, meus caros, todos nós sentimos e até os alunos de 5 a todas as disciplinas o sentem aqui ou além.
Por isso estudam diáriamente.
Caros colegas: não há que inventar.
Há que motivar os alunos para o estudo em vez de os rotular a torto e a direito com o artigo 319, como tem sido prática até aqui.
Os alunos são todos diferentes, por isso há notas de 1 a 5.
E, os professores, nesta voragem dos tempos e esmagados pelo medo que se instalou nas suas vidas e nas suas carreiras parece que esqueceram isso.
Aqui fica este texto como contributo - para além do que me farto de alertar nas reuniões - para nos relembrarmos e nos ressintonizarmos nas nossas funções.