
Diz a Clara de Sousa no seu mail de hoje:
1 - As pensões vão aumentar em Dezembro.
As subidas são diferenciadas.
Quem ganha menos recebe mais.
e ainda:
2 - A PSP do Porto lançou esta manhã uma operação de fiscalização ao transporte público e privado de crianças.
Como a lei entrou em vigor há pouco tempo, os agentes foram bastante tolerantes, mas encontraram casos de tamanha irresponsabilidade, que não houve qualquer perdão de multa.
Até já.
Clara de Sousa
Ora vamos lá escalpelizar esta comunicação jornalística:
1 - Um favor nítido ao Sócras. Porque «quem ganha menos recebe mais» é mentira. Se se dizesse: quem ganha menos receberá percentualmente mais... ainda vá. Mas nenhuma pensão ultrapassará outra por via destes «aumentos diferenciados» pelo que o que está escrito é uma grande calinada. Quem ganha menos poderá receber percentualmente mais mas mesmo assim distanciar-se-á ainda sempre do pensionista que ganha mais do que ele.
É como o horror de se dizer - todos os dias - que se o nosso PIB crescer 1,4% e o da Alemanha 1.3%, crescemos mais que a Alemanha!
Incrível!
Não há ninguém que explique a estes senhores jornalistas que 1,4% de um PIB de 100 (por exemplo, o nosso) é apenas 1,4. E o nosso PIB ficaria 101,4.
Enquanto que 1,3% de um PIB de 1.000 (por exemplo o da Alemanha) é 13. E o novo PIB da Alemanha ficará 1013!
Ou seja, a Alemanha a crescer menos percentualmente, afasta-se sempre e cada vez mais de nós.
E também ninguém explica isto ao povo, que é para o manter na ignorância, tal como fazia Salazar.
Ninguém vem para as televisões dizer que o crescimento percentual do PIB tem a ver - apenas - com uma percentagem sobre a magnitude do PIB a que se refere.
Na prática, em valores absolutos - que é o que nos interessa - estamos sempre e cada vez mais longe dos outros países.
Para mantermos a competitividade com a Alemanha, o nosso PIB teria que crescer 13% e não 1,3! Dez vezes mais! O que é absolutamente impossível.
2 - O conceito alicerçadamente fascista da «tolerância» dos agentes.
Como se os agentes da PSP detivessem a prerrogativa de perdoar nuns dias a uns o que podem não perdoar noutros dias, a outros.
Mas, infelizmente, é mesmo assim mesmo que isto funciona.
É preciso informar-se o povo que, num regime democrático e num Estado de Direito, um agente da Autoridade não pode NUNCA fechar os olhos ao incumprimento da Lei, sob pena de se encontrar, ele próprio, a desrespeitá-la.
Sei que é difícil, porque o culto de 48 anos de ditadura ainda hoje faz confundir, nas mentalidades tão empobrecidas (como as bolsas) dos tugas, os valores que para qualquer europeu são claros e estabelecidos.
Aqui é vulgar pedir-se ao polícia que perdoe, quase de mãos postas e de joelhos no chão...
Pede-se, por favor, a um polícia que cometa, ele próprio, o crime de fazer vista grossa às infracções!
Tudo na maior das naturalidades.
E a Clara de Sousa, que é jornalista, mas também mulher, condutora e tuga, acaba por alinhar na mesma pouca vergonha de filosofia.
Os polícias, para o povão, são como Deus: podem «perdoar» ou «não perdoar» se o quiserem e bem entenderem e utilizando, em cada momento, os critérios que lhes der na real bolha. Dos quais podem, pelos vistos, fazer parte uma carinha laroca, um bom par de pernas, uma nota esquecida no meio da carta de condução ou a promessa da retribuição de um favor.
Clara de Sousa não sabe o que são os 5º e o 6º níveis de Durkheim.
Clara de Sousa é, apenas, mais uma jornalista tuga.
Assim não se vai lá.
É preciso que os professores se interessem pelo que lhes está a acontecer.
Num momento como este - talvez aquele em que mais ameaçado se encontra o ensino e a carreira de quem optou por ser profissional do ofício, nem assim a maioria dos professores se interessa por nenhum destes assuntos?
Vêm os dirigentes sindicais das capitais de distrito, de propósito, para falar com meia dúzia de profs?
Onde está a consciência de classe?
E depois queixam-se?
E os Conselhos Directivos?
Onde estão?
Nem um elemento se faz representar?
Será que nenhum dos elementos dos conselhos directivos se lembra que, em qualquer momento, podem voltar a ser professores?
A ausência absoluta da sua presença nas reuniões de informação sobre o ECD proposto pela ministra mostra bem o grau de envolvimento que aquela gente tem com a comunidade escolar e com as suas próprias carreiras:
Os principais assuntos do momento passam-lhes simplesmente ao lado.
Interiorizaram que herdaram as escolas... e que estas serão propriedade sua para o resto das suas vidas.
Que se há-de fazer?
De cada vez que entro no Colombo ou no Norteshopping pergunto-me como é possível que nenhuma brigada de fiscalização económica ou das finanças pergunte àqueles lojistas de que é que eles vivem.
Lojas cujo stock,em valor mesmo inflaccionadíssimo, não ultrapassa a renda mensal, é às catadupas.
Lojas que vendem uma peça de roupa por semana e que pagam rendas de 5000 euros mensais, vivem de quê?
Saldanha Sanches e Maria José Morgado podem ficar descansados.
Ninguém os ouve, mesmo.
O combate à lavandaria de dinheiros despregada e óbvia nunca se fará neste país.
Que rondava os mil e poucos euros mensais.
O subsídio era concedido pelo Estado para a promoção do desporto juntos dos jovens por esse país fora. Coisa que eles fazem religiosamente.
Ainda há bem pouco tempo Aurora Cunha esteve em Seia envolvida numa campanha dessas.
Acabou-se o subsídio para estes gigantes históricos do desporto português.
Continuam as reformas e as pensões para os milhares de deputados de quem nunca ninguém se lembrará e que estiveram no parlamento 6 anos. Mesmo que nunca tenham aberto a boca.
4000 euros por mês.
Sou informado que numa escola básica aqui ao lado - que não a minha, ressalve-se - o Presidente do CD obriga os professores que vão faltar a elaborar o plano de aula para o professor substituto a dar!Literalmente!
Já tem acontecido um professor de Francês dar Matemática!
E - pasme-se! - há colegas que não se recusam a esta imundice intelectual.
Afinal, andamos tantos anos a estudar Pedagogia, para quê?
Para que são os cursos de especialização que cada um de nós tem fazer, anualmente, para se afinarem as estratégias do nosso ofício e ele se tornar o mais eficaz possível, se depois se obriga um professor de Francês que já nem se lembra de ver um número negativo, a não ser no seu extracto bancário, a dar equações do 2º grau?
Eu bem gostava de dar os parabéns a essa heroína colega de Francês e desejar-lhe um feliz Natal...
no Júlio de Matos.
A Covilhã tem há já dois anos um projecto para uma "mini-cidade" em plena Serra da Estrela, com vários planos, "tanto nacionais como locais, que dependem do que vier a ser o Quadro Nacional de Referência Estratégia (QREN)", refere Carlos Pinto, Presidente da Câmara da cidade.
O autarca acredita que a "mini-cidade" das Penhas da Saúde, onde espera que venha a ser instalado um casino, será "um trabalho a longo prazo, para concretizar nos próximos sete a oito anos".
O concurso para as infra-estruturas deve ser lançado no próximo ano e contempla arruamentos e definição de lotes para construção numa área de 10 hectares ao lado da actual aldeia, trabalhos que podem ascender a cinco milhões de euros.
O objectivo é capacitar a zona para receber até "600 apartamentos, dois hotéis e diversos equipamentos desportivos e de lazer", referiu o edil.
"Ainda não sabemos o que é o QREN. Ninguém sabe, está um pouco fechado", afirmou o autarca, que disse aguardar mais informação para poder candidatar a construção de infra- estruturas nas Penhas da Saúde, a 1.500 metros de altitude e a 11 quilómetros da Covilhã.
"Hoje ninguém pode investir na Serra da Estrela porque não há espaços a receber novos projectos. Com estas infra-estruturas feitas, abrem-se novas oportunidades", salientou Carlos Pinto.
"Área turísticas como a Serra da Estrela têm de ter uma oferta diversificada, desde ’aparthotéis’, passando por hotéis de três estrelas até espaços topo de gama. Tem de haver de tudo para todas as bolsas", referiu.
Um casino na Estrela...
A zona de jogo foi vetada pelo anterior Presidente da República, Jorge Sampaio, depois de obter "luz verde" a 27 de Janeiro de 2005, numa das últimas reuniões do Conselho de Ministros sob liderança do então primeiro-ministro Pedro Santana Lopes.
"Parece ser o mecanismo mais adequado para uma aceleração da economia regional que urge alcançar, seja através dos postos de trabalho que cria, seja em razão das receitas directas que gera e dos efeitos que induz em outras áreas de actividade", referia na altura o comunicado do Conselho de Ministros.
A proposta havia sido apresentada ao Governo pela Câmara da Covilhã e Turistrela, em 2003, integrada no plano de criação de uma aldeia de montanha nas Penhas da Saúde.
No entanto, em Abril de 2005, o Presidente da República vetou a criação da zona de jogo.
Jorge Sampaio referiu na altura existirem "matérias" que transitavam do anterior executivo de coligação PSD/PP para a actual maioria PS, "em que, dadas as implicações, deve ser dada a oportunidade ao novo Governo de se pronunciar.
Pronuncie-se, pois.
in Kaminhos
A todos os frustrados que se dedicam a descobrir maneira de achincalhar os professores neste blog:
Só voltais a fazer terrorismo analfabeto neste blog, quando eu puder comentar também nos vossos.
Como nunca sereis capazes de produzir um blog que seja lido por mais do que 3 pessoas, estamos conversados.
Feliz Natal para vocês e para a vossa incomensurável frustração.
E nunca mais levem os vossos filhos (se é que tiveram a capacidade de gerar algum) à escola.
Fiquem com eles o dia inteiro e ensinem-nos vocês, já que os professores não prestam senão para serem achincalhados por iluminados escribas como um que derrama aqui o seu fel contra eles diariamente.
Vocês são - pelos vistos - capazes de ensinar os vossos filhos muito melhor do que nós, professores.
Por isso, se o não fazem, é porque (cada um escolha o seu caso):
A) são uns miseráveis cobardes.
B) as bestas comodistas mais imundas à face da Terra.
C) os vermes mais desprezíveis do subsolo.
D) os porcos mais abjectos da imensa pocilga que é a inveja tuga.
E) umas torpes cavalgaduras pilecas, inúteis e desferradas.
F) Todas as respostas anteriores.
Se, pelo contrário, retirarem os vossos filhos da escola que é o maior nojo e das mãos da corja incompetente que são os professores deste país, então provam ser pessoas coerentes.
Façam o favor de nos dizer de que escolas retirarão os vossos filhos amanhã.
Para que possamos comprová-lo.
Até lá, como sei que se vão esquecer de o fazer, e para não ter que vos mandar para a senhora que, coitada, vos deu à luz com o cordão umbilical enrolado em volta do hipotético cérebro,
me subscrevo.
Desatentamente a V. Alimárias,
João Tilly
Adriano Moreira acaba de reduzir Mariano Gago a pó.
No Prós e Contras.
O Reitor da Universidade Nova está de acordo.
Às vezes não entendo certos subalternos que vêm sistematicamente a terreno defender aquilo que nenhum especialista (alguns são mesmo seus patrões) pode defender:
A única preocupação de Mariano e de Maria de Lurdes é poupar.
O ensino e a investigação que se lixem...
Este é, de facto, o mais triste governo que tivemos em Portugal desde que há memória democrática.
Continuando com a saga das aulas de substituição de um certo professor de matemática cuja identidade continua a ser protegida para que não lhe raptem os filhos e não lhe coloquem uma bomba em casa, há dias foi esse professor substituir um colega de História do 2º ciclo.
O professor tinha deixado, previdentemente, uma ficha de trabalho.
O prof de matemática entrega a ficha aos alunos que de imediato começam a protestar que não percebem nada daquilo por isto e por aquilo.
Tudo assuntos a que o prof substituto é completamente alheio.
O professor de matemática aconselha-os a procurar bem no manual mas em vão.
Como muitos alunos colocavam questões sobre o conteúdo científico da ficha teve o professor que os informar que era um professor de matemática e, embora se lembrasse bem dos principais rios de Espanha até porque vai lá muitas vezes, não era correcto ser ele a dar-lhes as respostas à ficha, dado que nem sequer o contexto da matéria ele dominava. E, dessa forma, o trabalho dos alunos não faria sentido.
Não perceberam.
O que querem é resolver a ficha o mais depressa possível para... não fazerem nenhum a seguir.
E percebe-se.
Há quantos meses estes alunos não têm um furo? Um momento livre? Para conversarem, para se relacionarem, para conviver? São 36 horas na escola com uma hora para almoçar (meia é passada na bicha) e não há um momento para descomprimir desde que inventaram as aulas de substituição de história dadas por professores de matemática.
Acabei por lhes dizer que fizessem o que sabem, apenas.
Maravilhoso!
Valeu bem a pena esta aula de substituição.
Os miúdos entregaram-me as fichas e a maior parte deles, estou certo, nem sequer as leu na íntegra.
Assim se passou uma aula de substituição de História dada por um professor de matemática.
Há dias, o mesmo professor da história anterior, a que chamaremos agora apenas de João Tilly, para que nunca se perceba de quem se fala, evitando as perseguições dos grunhos e dos caciques tão características do tempo do estado Novo e do governo actual, foi substituir um professor de educação física.
Eram só 45 minutos(!!!!)
Não lhe parecia que desse tempo para os alunos se equiparem, desequiparem, tomar banho e fazerem alguma coisa que jeito tenha, mas o que percebe esse prof de matemática de educação física?
Quem percebe dessas coisas todas é o Walter Lemos, não é? E se ele diz que dá...
Chovia que Deus a dava.
Não se podia vir cá para fora.
Ficámos todos lá dentro. Mas os rapazes querem jogar futebol (!) e as moças, volei(!).
E só há um espaço.
- Ó sr Professor: deixe-nos ocupar aquele canto que os rapazes podem jogar no resto do pavilhão à vontade - pediram as moças.
- Mas isso é perigosíssimo! Se vem uma bolada vocês nem dão conta!, respondeu o prof baby sitter.
- Não! a gente já está habituada! Nas outras aulas de substituição também é assim que fazemos.
E assim foi. O prof foi-se colocar estrategicamente a proteger as moças das boladas inadvertidas dos futeboleiros e a coisa até correu bem.
Às páginas tantas, o professor viu umas moças na rua, à porta, enquanto lá fora se fazia sentir um vendaval tremendo e uma chuva copiosa tocada a vento que as molhava por completo.
Abriu-lhes a porta, o que - veio a saber - era «terminantemente» proibido.
As moças absolutamente encharcadas nem queriam acreditar que o prof substituto as estava a convidar a entrar e a fugirem da chuva gelada porque «Não pode entrar quem não for da turma!» - garantiram.
Mais um processo disciplinar a que esse professor teria que responder se se soubesse o seu verdadeiro nome e o verdadeiro nome da Escola em que lecciona, à qual chamaremos apenas Dr Tantos de Tal, para despistar.
Bem. Os 45 minutos lá se passaram. Rapazes e raparigas jogaram e divertiram-se imenso, o prof jogou 3 minutos de ping-pong com o seu pior aluno e ainda conseguiu apanhar 2 ou 3 bolas que iam direitinhas à cabeça de uma das alunas e, no fim, quando toda a gente estava a equipar-se para ir embora, um monumental choro irrompeu do balneário dos rapazes.
- «Roubaram-me o telemóvel!» - Chorava um aluno visivelmente em pânico.
- O que vou fazer agora?
- Agora ficas sem ele! - riam os colegas. Quem te mandou guardá-lo na mochila?
- Vai fazer queixa ao Directivo! - alvitrava um.
- Para quê? Achas que te vão dar um novo? - respondia outro.
E o miúdo chorava e soluçava como uma Madalena.
O professor, embora falso, estava muito incomodado. Quase a tocar para a saída, as camionetas à porta, era mais que evidente que o telefone tinha ido à vida...
Foi então que o prof substituto teve uma ideia brilhante, à TVI.
- Espera lá! Já que ali não estava o Inspector Max, que descobre todos os casos que aquele actor canastrão nunca consegue resolver, poderá este prof substituto e baby sitter acumular as funções do imbatível cão?
Vejamos: Só entrou ali quem ali estava, pensava ele.
E, em conjunto com um outro professor de educação física (embora o de matemática é que tivesse sido escalonado para substituir o seu colega!) decidiram informar os alunos que ninguém saía dali sem o telefone aparecer.
O bluff deu resultado.
Passados 5 minutos o prof substituto foi revistar o balneário e, escondido, lá estava o telefone e o carregador!
O ladrão teve receio do faro apurado do prof substituto / baby sitter / inspector e de ser apanhado com a boca na botija!
Elementar, minha cara Maria de Lurdes!
O miúdo ficou radiante, com a verdadeira Felicidade estampada no rosto ainda lavado em lágrimas, e o professor substituto afastou-se em passos decididos em direcção ao por-do-sol, naquela noite cerrada.
Assim se passou mais uma aventura e uma aula de substituição deste professor / detective.
Acho que vou abrir aqui uma categoria para falar do que tem acontecido a um certo professor nas substituições que tem feito na sua escola.
Para não correr o risco de levar com mais um processo disciplinar em cima, por dizer a verdade, não vou identificar esse professor, como fazem as televisões.
Chamar-lhe-emos João Tilly (nome fictício) e aqui vão as suas últimas experiências dignas de menção.
É preciso dizer-se, antes de mais, que ele é professor de matemática do 3º ciclo. Não tem a mínima formação de Educação Física. Foi corredor amador, quando tinha 13 - 15 anos. Corria bem nos corta-matos. Mas nunca ninguém lhe ensinou, sequer, a aquecer antes deles.
No entanto, tem quase sempre substituído colegas de educação física.
Aulas que deveriam desenrolar-se no ginásio.
Há 3 semanas, uma quinta feira à tarde, chega lá o professor e vê que os alunos estavam equipados à espera do professor verdadeiro.
Ficaram muito admirados quando viram o professor-que-o-não-é, ainda mais porque não sabiam que não iriam ter a aula normal, embora o professor-que-o-não-é já soubesse desde as 8:45 da manhã que teria que substituir o professor-que-o-é.
Quer isso dizer que o professor verdadeiro avisou, no dia anterior, o conselho directivo, que tomou as devidas providências.
Mas aos alunos ninguém disse nada.
De modo que chega o professor (falso) ao pavilhão, pensando que os ia levar para o auditório para verem um documentário didáctico daqueles que se amontoam na biblioteca e que ninguém vê - e daqueles que nenhum aluno manifesta o mínimo interesse em ver, mas no fim até acham piada e aprendem alguma coisinha - quando depara com a intenção dos rapazes de jogar futebol e das meninas de jogar volei.
Bem: como já estavam equipados e a hora era de educação física, fazia todo o sentido aceder ao pedido dos alunos.
Aqui surge o primeiro problema: para onde vai o prof (falso)? Para o campo exterior com os rapazes, ou fica no interior do pavilhão com as meninas?
Note-se que já nem pergunto: e vai fazer o quê?
Como o funcionário foi solícito, ficou ele a "tomar conta" das meninas no interior do pavilhão e o prof de mentirinha foi acompanhar os rapazes para o campo exterior.
De 10 em 10 minutos, lá descia ele até ao pavilhão - deixando os miúdos "desacompanhados" cá fora, para ver se estava tudo a correr bem com as meninas.
Numa dessas deslocações, perguntam-lhe 3 delas - que não estavam equipadas vá-se lá saber porquê, mas numa aula de substituição de E. Física com um professor de matemática não fazia qualquer sentido que ele as mandasse equipar! - se podiam ir ao bar beber um sumo e comer alguma coisa, porque estavam cheias de fome.
Não vendo motivo para negar esse pedido, já que no fundo elas não estavam ali a fazer nada, veio com elas para cima até ao campo dos rapazes. Elas lá foram ao bar dos alunos.
Passados uns minutos voltaram a dizer que não as serviam sem a presença do professor.
Achando estranho, pois se elas disseram à funcionária do bar que estavam numa "aula de substituição" e se o "prof baby sitter" não pode acompanhar os alunos do futebol, as alunas do volei e as que têm fome, ao mesmo tempo, porque não serviram as moças?
Certificou-se que elas estavam mesmo com fome e sede e, como disseram que sim, lá foi com elas.
Não vou entrar em pormenores sobre o que se passou no bar.
Por uma questão de pudor.
Apenas digo que a funcionária o informou que, naquela escola, «os funcionários estão proibidos de servir os alunos a não ser nos intervalos».
"Por ordens superiores".
Portanto, nem sequer acompanhadas pelo professor as alunas poderiam ser servidas. Ia abrir uma excepção, porque o professor estava ali.
Nunca na vida! - Exclamou o professor de matemática.
Ficava em favor! E isso, no país mais corrupto da Europa, é que nunca!
Em vez de aceitar o "favor", perguntou, o professor baby sitter, o que fazia, então, a funcionária durante todo o dia, uma vez que só há um intervalo de manhã e outro de tarde, mas já nem quis ouvir a resposta básica do género: estou a cumprir horário!
Claro que hoje já se confirmou que aquela ordem superior, se existe, não se cumpre.
Há alunos que são servidos e outros não, de acordo com o critério absolutamente arbitrário e da disposição momentânea de quem está no bar.
Claro que as alunas começaram logo a perguntar «se era melhor estarem ali 3 funcionárias o dia inteiro, a dar à língua, sem fazer nada».
E claro que, ao chegar a casa, contaram aos pais o que se passou.
O professor substituto, por seu lado, ficou abismado com o descaramento e a resposta pronta de quem tem a coragem de lhe dizer na cara que está ali a cumprir horário!
Ou seja: a fazer NADA!
Voltou para trás. As alunas ficaram sem comer, as funcionárias continuaram a dar à língua, os alunos a jogar futebol e as meninas a jogar volei.
Assim se passou uma aula de substituição de Educação Física de um professor de matemática.
Uma equipa dos Ministérios da Educação Português e Japonês decidiram enfrentar-se numa corrida de canoa.
Cada canoa tinha oito lugares.
As duas equipas treinaram duramente e no dia da corrida estavam na sua melhor forma.
Os japoneses venceram, no entanto, por mais de um quilómetro de vantagem.
A equipa portuguesa ficou desanimada.
A ministra da Educação decidiu que teriam forçosamente que ganhar no ano seguinte para limpar a má imagem deixada e criou um grupo de trabalho formado pelos Presidentes dos directivos mais submissos e mais auto-escravos para examinar a questão.
Após vários estudos, a comissão de lambe-botas da ministra descobriu que os japoneses tinham sete remadores e um capitão… enquanto a equipa portuguesa tinha um remador e sete capitães.
Diante disso, o Secretário de Estado da educação "despachou" no sentido de se contratar uma empresa de consultadoria, de entre os directivos mais submissos e aflitos para passarem a professores-titulares, para analisar a estrutura da equipa.
Depois de longos meses de trabalho, os tristes miseráveis lambe-botas que compunham a comissão chegaram à conclusão de que a equipa tinha capitães demais e remadores de menos.
Com base no relatório destes especialistas, a ministra decidiu mudar a estrutura da equipa.
A equipa seria agora composta por quatro comandantes, dois supervisores, um chefe de supervisores e um remador.
Mas atenção: uma especial atenção teria que ser dada ao remador.
Ele teria que ser melhor qualificado, motivado, e consciencializado das suas responsabilidades.
No ano seguinte, os japoneses venceram com dois quilómetros de vantagem.
A ministra despediu logo o remador devido ao seu mau desempenho…
…e deu um prémio aos demais dirigentes como recompensa pelo desempenho e pela forte motivação que tentaram incutir na equipa.
O Secretário de Estado preparou um relatório da situação, no qual ficou claramente demonstrado que:
. foi escolhida a melhor táctica,
. a motivação era boa,
. mas o material deveria ser melhorado.
Neste momento estão a pensar em substituir o tipo de canoa.
Numa reunião com o Presidente da Suíça, Sócrates apresenta os seus
Ministros:
- Este é o Ministro da Saúde, este é o Ministro da Educação, este é o
ministro da Cultura, este é o Ministro da Justiça...
E por ai fora.
Chegou a vez do Presidente da Suíça:
Este é o Ministro da Saúde, este é o Ministro da Fazenda, este é o
Ministro da Educação, este é o Ministro da Marinha.. .
Nessa altura Sócrates começa a rir:
- Desculpe, Sr. Presidente, mas para que é que o Sr. tem um Ministro da
Marinha, se o seu país não tem mar?
O Presidente da Suíça responde:
- Quando você apresentou os Ministros da Justiça, da Educação e da
Saúde, EU NÃO RI...
"A semana que passou, marcada pela vigília dos professores, pela entrega na 5 de Outubro de um documento com 65.000 assinaturas, de repúdio pelas propostas do Ministério da Educação, e pela greve dos estudantes, não foi, tão-só, "mais uma jornada de luta", que se somou à manifestação e à greve precedentes. A semana que passou patenteou, sobretudo, que o descontentamento e a agitação social se apossaram das escolas e começam a ser insustentáveis, face ao prejuízo imenso que repercutem no ensino e na educação dos alunos.
O país tem hoje dois problemas de monta. Um é substancial e de natureza económica e financeira: na educação, na saúde, na segurança social, na reforma do Estado, tudo se reduz a cortar, subtrair, nivelar por baixo. O outro é existencialista e de natureza patológica: na mente de alguns aninhou-se a missão de salvar a Pátria, albergou-se a verdade única e a convicção de que, em nome da "esquerda moderna", vale tudo.
Os que, como eu, pensam que a solução da crise económica é incompatível com uma política fundamentalista de anulação, em anos, de um défice que se engordou em décadas, admitem, com tolerância, que as regras europeias (com que não concordam) e a competitividade feroz do mercado global (que não apreciam) imponham modificações dolorosas para sanear as contas públicas. Mas não admitem que a factura seja paga apenas pelo trabalho e isente o capital; que as modificações sejam impostas e não negociadas; que a manipulação sem pudor dos números seja usada para fomentar a inveja e o ódio contra classes profissionais honestas; que a débil informação da generalidade dos portugueses seja demagogicamente aproveitada para lhes "comer as migas na cabeça". O que se segue fundamenta o que acabo de escrever. Os visados que desmintam, se forem capazes.
1. Nos últimos tempos disse-se, citando a OCDE e para os denegrir, que os professores portugueses eram dos mais bem pagos da Europa. O que permitiu a notícia, glosada até à náusea, foi um gráfico que se refere apenas aos professores do secundário com 15 anos de serviço, em função do PIB por habitante, que é dos mais baixos da Europa. Na mesma página, logo por cima do gráfico utilizado, está outro, bem mais relevante, que ordena os professores em função do valor absoluto do salário. E nesse, num total de 31 países estudados, os professores portugueses ocupam a 20.ª posição! Mas, sobre isto, nada se disse!
2. Disse-se, aludindo ao mesmo estafado indicador, que somos dos que mais gastamos com a educação. Mas não se disse o que importa: que o dinheiro efectivo gasto por aluno nos atira para a 23.ª posição entre os 33 países examinados e que, mesmo em relação ao PIB, estamos, afinal, num miserável 19.º lugar.
3. Disse-se que a prioridade das prioridades era a qualificação dos portugueses, mas não se disse como se concilia isso com o corte de 4,2 por cento na educação básica e secundária e 8,2 por cento no ensino superior. Como tão-pouco se disse, do mesmo passo, que os subsídios pagos pelo Estado a alguns colégios privados cresceram exponencialmente, de 71 a 108 por cento, como se retira da matéria publicada no DR de 16 de Outubro!
4. Disse-se, ainda, alto e bom som, que os funcionários do Estado estavam mais bem pagos que os privados. Mas não se disse que um estudo encomendado pelo Ministério das Finanças a uma consultora internacional (é moda agora adjudicar a consultoras externas e pagar-lhes a peso de ouro aquilo que os técnicos dos serviços sabem fazer) concluiu, e por isso foi silenciado, que os funcionários públicos ganham, em média, muito menos do que ganhariam se fizessem o mesmo trabalho para um patrão privado. E estamos a falar de diferenças que são, diz o estudo, de 30, 50, 70 ou mais que 100 por cento, em desfavor do funcionalismo público. Isto não se disse! As cerca de 300 páginas deste estudo estão, prudentemente, silenciadas na gaveta de Teixeira dos Santos.
5. Igualmente silenciados, porque não convém que se diga, estão os dados do Eurostat que mostram a inutilidade das medidas da ministra da Educação para a área: o abandono escolar precoce passou dos 38,6 por cento do ano passado para os 40 por cento deste ano, enquanto diminuiu por toda a Europa.
6. José Sócrates disse no Parlamento, qual justiceiro-mor que não ataca só os que pouco podem, que determinaria a inspecção obrigatória das empresas que declarassem prejuízos superiores a um milhão de euros, relativos a operações de reestruturação societária. Mas não disse... que isso já está na lei vigente e não passa, pois, de mero fogacho. Na mesma altura, disse ainda ir propor legislação destinada a obrigar os bancos a explicarem que manobras de planeamento fiscal estão a preparar. Mas não disse... , mais uma vez, que não estava a descobrir a pólvora, porque a lei actual já permite obstar a manobras que se destinem à simples obtenção de vantagens fiscais, assim tenha coragem de a aplicar. E, mais importante, não disse o óbvio, isto é, quando vai fazer legislação sem buracos e quando cumprirá a reforma do sigilo bancário que, segundo prometeu, já devia estar feita. Digo eu que estes expedientes cansam! "
Santana Castilho
Professor do ensino superior
Peço desculpa por estar tanto tempo calado (muitos agradecem-me!) mas estou a levantar-me todos os dias às 5h da madrugada para acabar uma série de filmes que tenho em mãos. Um dos quais para amanhã às 10.
Durante o dia estou sempre ocupado nas aulas.
Quanto à história da violência, ela já teve consequências...
Amanhã espero ter um pouco mais de tempo para explicar tudo. Agora tenho que voltar para as minhas abelhas... amanhã há um fórum nacional / feira da apicultura em Seia.
E eu tenho milhares de abelhas para colocar no dvd de apresentação...
Até amanhã.
Para além de violência à força toda nas escolas - a que os especialistas chamam "bullying", hoje em dia - está a instituir-se mais uma virtude nas modernas escolas-cárcere, em que os alunos são obrigados a estar, 36 horas por semana sempre a malhar sem ter tempo de ir à casa de banho nem sequer nos intervalos.
É a CENSURA prévia aos artigos que os alunos vão escrevendo nos jornais escolares.
Assim, parece ser preferível abafar casos em que alunos de 12 anos vivem aterrorizados com medo dos matulões de 16 cujo passatempo preferido é sová-los, do que denunciar estes casos.
Assim, os pequenitos, mal toca para a saída, enfiam-se nas casas de banho à espera do toque para a entrada.
Uma pouca vergonha sem limites no Portugal democrático.
O Partido Socialista está mais «unido» do que nunca, depois do XV Congresso.
Não há qualquer risco na difusão da carta de demissão que escrevi em 4 de Maio e que me parece cada vez mais actual.
O país atola-se na corrupção e toda a gente parece indiferente, apesar de os jornais disso nos trazerem notícias todos os dias...
Exmº Senhor
Dr. António de Almeida Santos
Distinto Presidente do Partido Socialista
Sede Nacional - Largo do Rato
Lisboa
Lisboa, 4 de Maio de 2005
Meu Estimado Amigo:
Escrevo-lhe na minha qualidade de militante do Partido Socialista (nº 4.310) para lhe anunciar a minha demissão e lhe pedir que adopte as providências adequadas ao seu registo.
Tomei esta decisão de forma muito ponderada, assumindo-a como um acto de cidadania, que nada tem de inamistoso para com o Partido ou os camaradas com quem convivi nos últimos 31 anos.
Tenho 54 anos, já me divorciei duas vezes e esta terceira vai fazer-me melhor ao ego do que as outras. Tal como tenho uma relação civilizada (e agradável) com as minhas ex-mulheres, também depois deste divórcio, espero ter uma boa relação com o PS, de quem me descaso.
Julgo importante dar-lhe conta dos aspectos mais importantes da minha reflexão, porque me parece que ela pode aproveitar ao próprio partido, de onde saio voluntariamente mas a quem desejo os maiores sucessos.
Sou militante no PS desde 1 de Abril de 1975 e cheguei à conclusão de que não devo manter esta relação, porque se esgotou – sobretudo no plano dos sonhos que comandam a vida - quase tudo o que justificou o seu estabelecimento.
Eu era, na altura, um jovem jornalista. Tinha acabado de vir de Paris, onde frequentei o primeiro curso aberto pelo Centre de Formation des Journalistes a jornalistas portugueses. Trabalhava no “Jornal de Notícias” e fazia, como sempre fiz, um grande esforço por produzir informação rigorosa.
Nunca aceitei a lógica da informação isenta, porque... não há informação isenta, apesar de se ter consagrado na actual lei de imprensa, da lavra do PS, esse enorme disparate. Sempre entendi que o pluralismo se encontrava, no plano da informação, no cumprimento da obrigação de rigor que vincula todos os jornalistas, sem prejuízo das suas diversas tendências, que marcam a realidade com cores plurais, por via da valoração dos elementos da noticias, que é naturalmente variável.
Por isso mesmo, não só não me suscitou nenhum problema de consciência a inscrição no Partido Socialista, como, pelo contrário, sempre a assumi de forma frontal, defendendo a absoluta compatibilidade entre o exercício do jornalismo e a filiação num partido político.
Nos tempos quentes de 1975, estive na primeira linha do combate pela liberdade de imprensa e multipliquei o meu tempo, trabalhando de manhã em “A Luta” e à tarde no “Jornal de Notícias”, sem que alguma vez a condição de membro do PS tenha prejudicado o cumprimento dos meus deveres como jornalista ou coarctado, de qualquer modo, a minha liberdade.
Mal sabia eu que a minha carreira jornalística haveria de terminar antes do tempo por causa dessa inscrição.
Foi em Fevereiro de 1982, quando da famosa “greve dos pregos”.
Eu tinha aceite o cargo de director-adjunto do diário “Portugal Hoje” e assumira a responsabilidade de proceder a uma reestruturação do periódico, que o viabilizasse e o afirmasse no mercado.
Lembro-me, como hoje, de uma conversa que tive com Mário Soares, antes de ter aceite o cargo. O que é que o meu amigo quer? Quer continuar a andar de táxi ou aceita começar a circular de autocarro? O jornal era quase um panfleto, com sete ou oito fotografias do Mário em cada edição e um culto de personalidade levado ao nível do Kim Il Sung. Aliás, Mário Soares apontou logo esse defeito e eu aproveitei para lhe dizer: assim o jornal não tem nenhuma credibilidade; o Sr. só pode aparecer quando fôr, efectivamente, notícia.
O Mário aceitou o desafio de começar a andar de autocarro, ou seja de ser notícia apenas quando fosse notícia, passando o jornal a relatar, com objectividade mas sem isenção – ou seja assumindo a sua tendência – a realidade do País.
Tínhamos uma excelente equipa de jornalistas de que relevo os nomes de Carlos Andrade, Celestino Amaral, Paula Garcês, Sérgio Soares, Mário Lindolfo, Alexandre Pais, Vítor Bandarra, José Rui Cunha entre outros.
Presto a Mário Soares a homenagem devida a quem nunca ingeriu na política editorial nem influenciou os conteúdos informativos.
No dia da “greve geral” faltou quase toda a redacção. Fizemos o jornal com meia dúzia de jornalistas, entre os quais um único fotógrafo, o Manuel Falcão, que me trouxe fotografias fabulosas da repressão policial no Rossio, que havia assumido aspectos grotescos.
Nesse dia, havia uma homenagem a Manuel Tito de Morais, um respeitável dirigente socialista, na Embaixada de Itália, onde lhe seria entregue uma condecoração dada por Sandro Pertini.
Como havia um único fotógrafo, eu tinha que optar entre mandá-lo para as manifestações do Rossio, em que se previa borrasca, ou para a cerimónia protocolar. Optei, naturalmente, pela primeira, mandando fazer um texto sobre a cerimónia, ilustrado por uma fotografia de arquivo.
À hora do fecho, apareceu-me na redacção o administrador João Tito de Morais a gritar que o jornal não sairia sem a fotografia do pai, pelo que mandaria parar as máquinas se eu ousasse avançar a impressão do periódico.
Era uma prepotência ao quadrado, porque João Tito Morais era, para além de administrador do “Portugal Hoje”, também administrador da tipografia que o imprimia (a CEIG, que ele ajudou a arruinar com os calotes ferrados pelos jornais de extrema direita que ali se davam á estampa).
Porque havia que apanhar os comboios e era importante que o jornal saísse com as notícias da violência policial, chamei a polícia e acusei-o de violar – aliás em flagrante delito – um direito essencial da liberdade de imprensa, o direito de imprimir.
Quando a polícia veio, ele deixou de gritar. E a máquina arrancou, imprimindo-se o jornal a tempo.
Foi um escândalo a que não dei causa. Ao outro dia João Tito de Morais saiu da administração do “Portugal Hoje” mas haveria de manter-se na administração da tipografia que o PS construiu com as ajudas dos partidos irmãos. O argumento para que assim acontecesse foi o de que ele precisava de um emprego.
O Edmundo Pedro, uma das pessoas mais generosas que conheci no PS, e o João Gomes pediram-me para ficar. Mas, porque era impossível continuar a fazer um jornal em litígio com a tipografia, saí. E fui para o desemprego...
Tive, na altura vários convites para diversos jornais, até em condições mais interessantes, do ponto de vista económico, do que as que tinha no “Portugal Hoje”. Entendi não os aceitar, porque os interpretei, naquela conjuntura, como presentes envenenados, que haveriam de pôr em causa a solidariedade que eu devia ao PS.
Acabei aí, precocemente, a minha carreira de jornalista.
Tinha um filho de cinco anos e a mulher grávida e fiquei numa situação extremamente difícil, sem que alguém se preocupasse com isso. Por acaso tinha numa gaveta um diploma da licenciatura em direito e até já tinha concluído o estágio da advocacia com o nosso camarada José Maria Roque Lino.
Morreu um jornalista mas nasceu, de um momento para o outro, um advogado, que dizem que não é mau. Não escondo as saudades que tenho dos jornais nem a mágoa que me vem daquele triste desfecho. Mas se hoje estivesse na mesma situação faria rigorosamente o mesmo, porque sou e hei-de continuar a ser um homem de lealdades.
Ao longo destas últimas três décadas mantive a minha fidelidade ao PS e ao seu ideário, participando sempre que me é possível nas suas iniciativas, convivendo com camaradas, discutindo ideias e procurando dar o meu apport nas áreas em que me reconhecem melhor aptidão.
Abstive-me durante todo este tempo de fazer criticas públicas a situações que julguei criticáveis, substituindo-as pelo desabafo com companheiros com quem privo, num circuito fechado dificilmente tolerável nalguns momentos.
Nunca me candidatei a cargos partidários porque tenho modo de vida e nunca tive o tempo suficiente para os poder desempenhar dignamente, sem prejuízo da minha vida profissional. Mas nunca recusei as missões que – mediata ou imediatamente – me confiaram, procurando desempenhá-las com respeito pelos nossos princípios e pelo nosso ideário. Saliento, a propósito, a da participação na Alta Autoridade para a Comunicação Social, de onde me demiti apenas no momento em que a Assembleia da República perverteu o sentido desse órgão constitucional e o transformou numa polícia da comunicação, com poderes para acoimar, em desfavor da função cívica que deveria exercer pela mensagem. Saíram logo depois de mim o camarada António Reis e a escritora Lídia Jorge.
Ajudei o Joaquim Raposo na conquista da Câmara da Amadora e fui membro da Assembleia Municipal por uma legislatura. Envolvi-me com Mário Soares na última campanha eleitoral, participando activamente na organização das acções que se fizeram na media do Brasil.
Ao longo dos últimos anos tenho emprestado o meu apoio aos camaradas das comunidades portuguesas no estrangeiro, ajudando-os sobretudo no esclarecimento de questões jurídicas relacionadas com o seu trabalho político.
Assisti, neste último plano, a coisas tão grotescas e tão chocantes que só por si justificariam que já tivesse saltado do barco há muito tempo. É matéria que é do conhecimento dos responsáveis do Partido e, por isso, não vale a pena que me alargue mais.
Guardo os apontamento mais burlescos para um livrinho que um dia hei-de publicar. Mas não posso, apesar disso, deixar de referir a escandalosa liquidação do próprio Presidente da Federação da Suiça do Partido Socialista, que defendo num processo política, jurídica e moralmente ignóbil por cujas consequências o Partido é o principal responsável.
Manuel de Melo foi aposentado compulsivamente em razão das suas opiniões políticas, é membro da Comissão Nacional do Partido e o partido que o liquidou não repara sequer nas suas faltas ás reuniões.
Por ser militante do Partido, guardei sobre a matéria o mais prudente silêncio, quando num outro quadro, o normal seria que viesse para os jornais denunciar o que é um infame escândalo.
Abstive-me como cidadão de uma participação cívica mais activa, fora do quadro do Partido, porque entendo que a qualidade de militante de um partido político implica um compromisso de auto-contenção.
Ao longo destes anos escrevi umas duas dúzias de artigos em jornais, apenas em situações que, do meu ponto de vista, ultrapassavam todos os limites da razoabilidade ou da decência.
Penso há muito – e continuo a pensar - que os partidos políticos são essenciais ao bom funcionamento do regime democrático. Mas penso também que, em abono do princípio contido no artº 51º,5 da Constituição, os partidos políticos devem reger-se pelos princípios da transparência, da organização e da gestão democráticas e da participação de todos os seus membros.
E é aqui que começa a minha crise de consciência por relação ao Partido Socialista.
É inerente à própria essência da formação da vontade popular e da organização do poder político, a que concorrem os partidos, a obrigação de comedimento dos seus membros em termos de intervenção pública. No fim de contas, o que a lógica partidária importa de mais essencial é o desafio à síntese, que se traduz naquilo a que habitualmente chamamos correntes de opinião. Não é possível definir, de forma coerente, uma corrente de opinião – ou de pensamento – se as opiniões que as influenciam, que dela são pressuposto e que lhe dão alma, se perderem de forma isolada no vácuo em que se volatilizam as opiniões individuais.
A História tem desta realidade dois exemplos de protótipos: o do junta a tua à nossa voz que consiste, essencialmente, na existência de uma elite pensante e de uma multidão que lhe amplia os slogans e o do cada homem uma voz, cumprindo ao partido a síntese da pluralidade.
O PS nasceu, como partido democrático, adoptando o segundo modelo, sendo de sua lavra, tanto quanto me lembro, a norma do referido artº 51º,5, nascida apenas na revisão constitucional de 1997.
É essa lógica de transparência e de participação de todos os membros na vida partidária que justifica a capitis diminutio que a condição de militante de um partido implica. A fidelidade partidária é a contrapartida natural do direito de participação democrática na formação da opinião do próprio partido como corrente política.
Esta capitis diminutio só se justifica se os partidos tiverem vida efectiva e se neles for possível a intervenção cívica. Se eu tenho a possibilidade de debater ideias dentro do partido, de contribuir para a formação das suas políticas não faz sentido que eu intervenha, de forma isolada, na opinião pública. Mas se eu não tenho nenhuma possibilidade de aceder a tal debate, então não faz nenhum sentido essa fidelidade, sem nenhuma contrapartida.
Mais do que não fazer sentido, tal fidelidade redunda, neste último quadro, numa inaceitável forma de opressão da liberdade de expressão do pensamento.
A coisa é ainda mais grave quando, havendo uma declaração de princípios que se assume como uma espécie de constituição partidária, somos confrontados na prática com a ofensa grosseira dessa base constitucional e a perversão de todos os seus princípios.
É essa, meu estimado António de Almeida Santos, a razão originária da minha demissão.
Eu não estou disposto a manter uma fidelidade partidária, implicando toda essa contenção que assumo como dever cívico, quando não há debate político no PS. Não estando disposto a violar esse dever – porque o entendo essencial – só me resta a atitude libertadora da demissão.
Perguntar-me-à porque tomo uma decisão destas quase vinte e sete anos depois da minha inscrição. E eu respondo...
É que a situação do Partido Socialista se degradou, a meu ver, a um ponto insustentável e não há nenhuma esperança de que algo venha a mudar a breve prazo.
O PS transformou-se num deserto de ideias com um ninho de gatos de várias qualidades que só sobrevive se mantiver esse deserto. Tudo o que seja pensamento pró-activo, tudo o que seja crítica, no bom sentido democrático, incomoda e é gerador de desconfianças.
O PS transformou-se num partido de homens sem história e sem referências democráticas, porque só assim, pelo branqueamento da história política dos que a têm, conseguem afirmar-se os que a não têm ou que a têm no pior sentido.
Os nossos grandes vultos – e você é um deles – estão condenados ao caixote do lixo da História, perante o crescendo do arrivismo que marcou a vida do PS nos últimos anos.
Desapareceu a paixão pela Política e chamam de loucos os que continuam a guiar-se por princípios, em contraponto com o salve-se quem puder que passou a estar na ordem do dia. Há fortunas colossais acumuladas de forma estranha, como se alguns titulares de cargos públicos – com relevo para os autarcas - tivessem o condão de comprar todas as semanas cautelas premiadas. E a culpa continua a morrer solteira, nada se investigando, apesar das denúncias públicas dos jornais.
Quando falo disto, dizem-me que não são só os nossos. Dizem-me mais: que se houvesse justiça estavam presos metade dos nossos mas estariam presos dois terços dos outros. E eu respondo que os nossos (que passam a ser só vossos) é que me importam, que deveriam ser imunes a qualquer suspeita.
O Partido definhou e deixou de ser um ponto de reflexão para ser uma central de gestão de interesses particulares, que usa os militantes como tropa de choque.
Claro que todos os militantes têm o direito de pretender inserir-se em postos chave da referida central, usando para isso os mecanismos democráticos. Toda a gente tem o direito de se candidatar e de se fazer eleger. Mas esta descaracterização retirou a muitos qualquer interesse de participar nesse jogo.
Eu sou um deles e tenho deixado arrastar a minha situação no Partido, com uma velada esperança de que as coisas pudessem mudar e sempre com o estafado argumento de que «é cá dentro que se luta».
Como deixei de acreditar nisso, vou-me embora.
Dizia Deng Xiao Ping que os que ocupam as retretes sem conseguirem obrar devem dar lugar a outros. Sigo o conselho do velho comunista e retiro-me, não porque tenha prisão de ventre, mas porque não estou disposto a a participar neste jogo de sanita. É preciso que haja alguém neste Pais que não queira fazer merda.
Acredito que não tomo esta atitude em abono de um qualquer moralismo. Tenho muitos amigos que são corruptos e não deixo de ser amigo deles por causa disso. Chamo-lhes «ladrões», cara a cara, como chamo «putas» às putas com quem tenho confiança.
Mas não faço negócios nem com uns nem com outros, o que os leva a dizerem, em uníssono, que tenho mau feito, ao que respondo, jocosamente que (eles e elas), em contrapartida, não têm vergonha.
Felizmente, a Democracia permite-nos estas coisas, este falar à vontade e também esta completa falta de pudor, redundante de uma Justiça que faliu e em quem já ninguém tem esperança.
Ainda bem para muitos amigos nossos, mesmo que não concordemos com eles.
Porém, a sociabilidade que nos permite estas ousadias é bem diferente da pertença a um club. Uma coisa é ir ver as putas e outra ser sócio do prostíbulo e poder ter a fama de viver à custa dos seus rendimentos.
A metáfora talvez não seja a melhor, mas pode crer que ela faz sentido.
Há cerca de um mês, no meio de uma conversa em que se discutia a falta de clareza na contratação de advogados por entidades públicas, disse-me um camarada esta coisa tão singular quanto ofensiva: «Temos indicações para não contratar advogados ligados ao PS, para que a comunicação social não diga que estamos a favorecer gente do Partido…».
Eu tinha-me limitado a criticar a falta de transparência e o objectivo favorecimento de algumas sociedades e de alguns advogados que constituem um autêntico oligopólio na prestação de serviços jurídicos ao Estado e a entidades públicas. Nada pedi e esse imbecil, que por acaso é meu amigo, suportado por todo o peso do Estado e do Partido ofendeu-me na minha condição de Homem, por ser filiado no PS.
Eu julgava que não nos contratavam por recusarmos práticas que não aceitamos, nomeadamente aquela clássica de emitir a factura pelo valor do serviço e dos impostos que cubram uma avultada comissão. A última proposta que nos fizeram envolvia uma factura de 1 milhão de euros. Pagávamos os impostos, devolvíamos a maior parte do dinheiro e ainda ficávamos com 100.000 euros… Um bom negócio que nós não fizemos mas alguém fez…
É uma operação «clássica» mas nós não aceitamos essas práticas e com isso temos alimentado uma imagem que gera desconfiança perante alguns operadores e, nos tempos que vão correndo, perante alguns camaradas com funções relevantes no plano decisório.
Compreendemos essa reacção e respeitamos o sigilo de quem nos consultou e a quem, obviamente, não interessamos como advogados.
O que eu não consigo compreender e não posso aceitar é a camuflagem desta realidade chocante – e dessa outra do descarado envolvimento de políticos de primeira linha na assistência profissional a negócios privados do Estado - com o argumento acima expendido, colocando sob suspeita toda a gente séria que é do PS pelo facto de o ser.
Há uma perversidade em tudo isto que absolutamente chocante.
Hoje, toda a gente bem informada sabe que há uma teia de interesses que passa pela medula do partido e que vive do aproveitamento do partido para o tráfico de influências.
É escandalosa a conflitualidade de interesses que convive em muitos dos camaradas, alguns dos mais notáveis e parece que ninguém se preocupa com o que, cada vez mais medrosamente, vai aparecendo na comunicação social.
São conhecidas as fortunas sem justificação de muitos daqueles que integram o clube dos meus amigos a quem chamo, carinhosamente, de «ladrões». E ninguém repara nisto…
Mas repara-se no facto de alguém ser do PS para, em defesa da falta de transparência que alimenta os mesmos lobbies, lhes negar o direito à livre concorrência, para, alegadamente, proteger o Partido.
Ainda num dia destes me dizia um amigo comum que eu sou um «inadaptado» e eu acho que ele tem razão.
O drama está em que eu não quero adaptar-me, preferindo adoptar nesta matéria uma postura conservadora.
Recordo, a propósito, a minha última conversa com Álvaro Cunhal - a quem ataquei vigorosamente nos anos 70 e 80, mas por quem tenho um enorme respeito. Visitei-o na fase final da sua vida, recordamos as guerras do Prec, as entrevistas que lhe fiz e falamos dos ex-comunistas. Ele usou precisamente essa expressão – inadaptados – para lhes chamar renegados e potencialmente corruptos.
Radical, preso como bronze à rocha da sua moral, o velho líder talvez cometesse algum exagero, mas não deixaria de ter a sua razão. Ele conhecia melhor do que ninguém a perversão dos aparelhos, que temos, com outras cores, na sua melhor dimensão.
Tenho amigos, reconhecem-me algum prestígio e algumas qualidades e tive oportunidade de aproveitar os meus relacionamentos para me inserir em grupos que beneficiam de privilégios em Portugal.
Optei por não seguir esse caminho e por dar o meu contributo pessoal para que Portugal saia da vergonhosa posição que ocupa como o Pais com o mais elevado índice de corrupção da Europa, segundo o Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Humano.
Entendi que o lugar privilegiado para estar com uma tal postura era o PS. Vi-me agora forçado a concluir que não é… e que é o próprio Partido quem, como posturas como as descritas, lança a suspeita sobre os que, de uma forma honesta, ocupam as suas fileiras.
É uma desilusão tamanha.
Por isso me vou embora, assobiando e de cara alegre, porque tristezas não pagam dívidas.
Espero que não haja retaliações. Agora, que já não sou do PS, não há razões para não respeitar as regras da livre concorrência…
Creia na minha maior estima por si, a quem desejo que, com a sabedoria que lhe é peculiar, faça o possível pela defesa do decoro, tão importante nestes tempos em que o PS é governo e tem um bom governo, que o partido acabará por liquidar se não mudar de atitude.
Por mim limitar-me-ei a entregar cópia desta carta a uma meia dúzia de amigos a quem devo consideração e a guardá-la para publicação futura, num livro de reflexões que vou fabricando dia a dia.
Peço-lhe que dê conhecimento dela ao Secretário-Geral e ao Joaquim Raposo, que é meu amigo pessoal e lidera a Federação a que pertenço.
Os meus melhores cumprimentos
Miguel Reis

1 - O presidente Cavaco Rosa
Cavaco Espinho da Rosa aparece a apoiar incondicionalmente o governo de Sócrates.
Sem um único reparo, sem sequer mencionar, pelo menos, que se está a gerar um clima de instabilidade propício para que qualquer reforma, na prática, nunca possa ir avante (lindo trocadilho...).
O PSD está calado.
Absolutamente refém de Cavaco Rosa, não sabe o que fazer.
Cavaco escavaca (outro...) mais o PSD num só dia do que Marques Mendes demora, num ano inteiro, a juntar os cavacos.
É bem feito porque ele já tinha escavacado Santana, escavacando completamente o PSD e abrindo caminho para esta impensável maioria absoluta de Sócras.
Aí, toda a gente aplaudiu.
Agora têm que levar com ele pelo menos mais 4 anitos.
A seguir, se ele não corrigir a trajectória, não lhe auguro grande futuro.
O PS nunca o proporá e o PSD, só se for masoquista...

2 - O ECD e os Generais
A plataforma negocial de 14 sindicatos não chegou a acordo com a ministra sobre o novo Estatuto da Carreira Docente.
E muito bem. O que se pretende é aniquilar completamente o que resta da dignidade de ensinar.
Já nem falo do dinheiro que se perde.
A dignidade de 400 mil professores é que não se admite que uma qualquer ministra, que não o será mais do que 4 anos, destrua.
Agora: há variadíssimas formas de luta.
Desde já proponho uma monumental greve de "zelo", cumprindo apenas os serviços mínimos na sala de aula.
Se os pais não se importam com a vida escolar dos seus alunos talvez seja a única forma de o começarem a fazer.
Dá-se a matéria mínima, ao ritmo mínimo, tiram-se as dúvidas a quem estudou, não se repetem exposições.
Ou seja: temos que fazer com os alunos aquilo que a ministra quer fazer connosco, a ver se os pais entendem a nossa luta e se gostam que o mesmo aconteça aos seus filhos.
Estabeleceremos cotas em cada turma:
Em 20 alunos, só daremos 10% de nota máxima, tal como a ministra faz connosco.
Portanto, se houver mais do que 2 alunos que mereçam 5, paciência!
Ficam com 5 os dois melhores.
Mas se um deles faltou mais de 3 dias por doença, terá que ter paciência.
Fica com 4 e sobe o seguinte a aluno-titular.
Os outros cotam-se, proporcionalmente, por aí abaixo.
10% de nível 5 e 20% de nível 4.
O resto vai corrido a 3.
Se uma turma for muito boa e tiver 10 alunos que merecessem 4 e 5, outra vez paciência.
«Nem todos podem chegar a generais», não é?
Dois ficam com 5, quatro com 4 e os restantes terão 3.
Mesmo que, também esses merecessem 5.
Faltaram?
Quem os mandou adoecer a eles ou aos pais?
Quem mandou o carro avariar e chegar tarde uma vez?
Quem mandou o irmão mais novo apanhar sarampo?
É cotas, é cotas!
Não são os Pais que aprenderam com a ministra que «nem todos podem chegar a general»?
Pois então? Os seus filhos também não!
Foto: General Feldmarschall Erwin Rommel
(A de baixo. A de cima é a do verdadeiro Presidente de toooooodos os portugueses).
Já aqui escrevi que o calcanhar de Aquiles do governo de José Sócrates é a sua displicência ética, realidade que está a romper pelas costuras da imagem construída para o disfarçar. Daí que exista na sociedade portuguesa um sentimento difuso de que algo não está bem, e, de facto, não está. Nunca foram tão notórios os sinais de riqueza em sectores da sociedade portuguesa, cujas práticas de enriquecimento indevido são conhecidas, mas fracamente combatidas, ao mesmo tempo que os custos da crise económica caiem essencialmente nos trabalhadores por conta de outrem. Como há um contraste chocante entre a agressividade governamental, dirigida principalmente a sectores profissionais, com ou sem razão, com a moleza com que é encarada a corrupção, a passividade perante os mais óbvios conflitos de interesses e a defesa inusitada de projectos e de decisões que deixam uma marca de enorme reserva nos observadores mais atentos e, porventura, mais sérios. Os jornais publicaram há dias que Américo Amorim, em dez meses, terá ganho na Galp quase 500 milhões de euros. Neste caso, como noutros, alguém se deve interrogar sobre qual foi a riqueza entretanto criada e qual a razão porque as participações accionistas de instituições públicas deram tais lucros e tão rapidamente a uma entidade privada. Para além da errada pedagogia do exemplo, pelo facto de Américo Amorim se ter tornado num herói nacional, logo modelo de comportamento para empresários e empresas.
Também já aqui escrevi que José Sócrates deterá o recorde mundial entre os ambientalistas que mais contribuíram para a construção civil num determinado país. Referi então, como exemplo, os estádios de futebol, o programa Polis e vários projectos imobiliários conhecidos. Só que agora, como primeiro-ministro, generalizou o uso da fórmula do interesse nacional, para deixar passar os mais chocantes objectos da especulação imobiliária em zonas protegidas. Exemplos: o Alqueva e a redução da área de protecção da bacia hidrográfica; a enormidade dos investimentos a fazer na região da Comporta e na generalidade da costa alentejana; a localização da fábrica da empresa Ikea em área protegida, quando há um espaço industrial com as necessárias infra-estruturas a poucos quilómetros; a criação de onze, mais uma, plataformas logísticas, assim chamadas, ainda que ninguém se tenha dado ao trabalho de explicar porque carga de água necessita um pequeno país como Portugal de tantas destas plataformas. Para mais, essencialmente rodoviárias e não multimodais, quando o objectivo sustentável seria o de reduzir o transporte rodoviário a favor dos transportes marítimo e ferroviário. Trata-se, obviamente, de especulação imobiliária, que aproveita terrenos protegidos, logo sem valor comercial, para os transformar em terrenos de enorme valor. O caso mais paradigmático será o da empresa espanhola Albertis, a quem foi dada luz verde para construir uma plataforma logística à beira do Tejo, em Castanheira do Ribatejo, em zona de cheias, mas de grande valor para a especulação dos terrenos. A probabilidade é que, pouco a pouco, no local existirão mais hotéis e escritórios do que armazéns e fábricas. Pelo meio, os lucros serão enormes e, principalmente, a curto prazo, logo o interesse das construtoras e dos especuladores do costume.
Moral da história: Portugal precisa de reformas profundas e isso não se poderá fazer sem grandes mudanças nos interesses estabelecidos e sem alguns sacrifícios. Todavia, essas mudanças só farão sentido e só terão condições de serem aceites pelos portugueses, se forem levadas a cabo com grande sentido ético e através da boa pedagogia do exemplo dos governantes e dos sectores mais favorecidos da sociedade. O que, infelizmente, está longe de acontecer sob a direcção do governo de José Sócrates.
Henrique Neto -economista
A despesa pública anual com o pagamento da subvenção mensal vitalícia e a manutenção do gabinete de cada um dos três ex-presidentes da República ascende a 407 333 euros, em 2007.
Deste total, 240 423 euros dizem respeito à pensão anual vitalícia, prevista na Lei n.º 26, de 31 de Julho de 1984. Por mês, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio recebem, durante 14 meses, uma subvenção no valor de 5724 euros, montante que representa 80 por cento do ordenado mensal do Presidente da República.
A verba prevista para as subvenções vitalícias dos ex-Presidentes em 2007, inscrita no Orçamento do Estado para o próximo ano, representa um acréscimo de 1,5 por cento face aos 236 870 euros orçamentados para este ano, precisamente o aumento proposto pelo Governo para a actualização salarial dos funcionários públicos.
Com a publicação da Lei n.º 52-A/2005, de 10 de Outubro, o Governo extinguiu a subvenção mensal vitalícia para os deputados, membros do Governo e juízes do Tribunal Constitucional que não fossem magistrados de carreira, mas manteve a atribuição de uma pensão vitalícia aos ex-Presidentes da República.
Na altura do debate sobre esta matéria, iniciado no final de Maio de 2005, o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou que as subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos eram “privilégios injustificados”, mas salvaguardou que a dignificação do cargo de Presidente da República recomendava a manutenção da pensão vitalícia para os ex-Presidentes.
Por isso, um ex-Presidente da República tem direito a uma subvenção vitalícia no valor de 80 por cento do salário do Presidente da República em exercício. Como o actual ordenado de Cavaco Silva, no valor de 7155 euros brutos, será actualizado em 1,5 por cento em 2007, a pensão vitalícia dos ex-Presidentes será de 5724 euros.
Esta é a notícia do CM de hoje.
Agora adivinhem lá:
dos 3 ex-presidentes comtemplados - 2 militantes socialistas históricos (Mário Soares e Jorge Sampaio) e um que nunca o foi (Eanes) - de quem é a fotografia escolhida para ilustrar a notícia?
Propaganda? Conspiração? Controle da comunicação social por parte do Governo?
Nááá!!! Nada disso!
É tudo ilusões.
E meras coincidências.
Onde estão as melhores escolas do mundo?
Em Portugal!
Vejamos o exemplo de uma turma do 7º ano de escolaridade - ensino básico.
Entre DISCIPLINAS / ÁREAS CURRICULARES e NÃO DISCIPLINARES, temos:
1 - Língua Portuguesa
2 - História
3 - Língua Estrangeira I — Inglês
4 - Língua Estrangeira II — Francês
5 - Matemática
6 - Ciências Naturais
7 - Físico-Químicas
8 - Geografia
9 - Educação Física
10 - Educação Visual
11 - Oferta da escola 1 entre (Tapeçaria, Música, Dança, Fotografia, Cerâmica, Expressão plástica, Teatro).
12 - Educação Visual e Tecnológica
13 - Educação Moral R.C.
14 - Estudo Acompanhado
15 - Área Projecto
16 - Formação Cívica.
É ISSO – CONTARAM BEM – SÂO 16 (dezasseis)
Carga horária = 36 tempos lectivos
Não é o máximo ensinar isto tudo aos filhos de todo o Portugal?
MAS NÃO FICAMOS POR AQUI!
A Escola ainda:
Integra alunos com diferentes tipologias e graus de deficiência , apesar de os professores não terem formação para isso ;
Integra alunos com Necessidades Educativas de Carácter Prolongado de toda a espécie e feitio, apesar de os professores não terem formação para isso ;
Não pode esquecer os outros alunos, "atestado-médico-excluídos" que também têm enormes dificuldades de aprendizagem;
Integra alunos oriundos de outros países que, por vezes, não falam uma palavra de Português ;
Tem o dever de criar outras opções para superar dificuldades dos alunos como:
Currículos Alternativos;
Percursos Escolares Próprios;
Percursos Curriculares Alternativos;
Cursos de Educação e Formação.
MAS AINDA HÁ MAIS…
A escola ainda tem o dever de sensibilizar ou formar os alunos nos mais variados domínios:
Educação sexual
Prevenção rodoviária
Promoção da saúde, higiene, boas práticas alimentares ,etc.
Preservação do meio ambiente
Prevenção da toxicodependência
Etc, etc…
Mas então, pergunta-se: afinal… em Portugal as crianças são todas órfãs?
Os pais NÃO ENSINAM NADA AOS FILHOS???
Pelo que eu vejo, é verdade que não.
Os pais demitiram-se totalmente de ministrarem qualquer tipo de EDUCAÇÃO e de normas de civilidade aos filhos. Mas a isso estão obrigados não só eticamente mas também POR LEI!!!
Nem sequer aparecem na escola quando convocados por carta registada pelo director de turma!
E não se pense que é só no básico que isto se verifica.
A Escola Secundária de Seia tem 600 alunos e no último plenário da Assembleia de Pais apareceram menos de 20!
Como é isto possível???
E depois são estes pais ausentes e absolutamente desinteressados do percurso escolar dos seus filhos aqueles que MAIS criticam a competência dos professores??
É claro que, perante uma realidade destas só se encontra mesmo um único responsável se a Educação falha: Os professores .
Porque, na esmagadora maioria dos casos, são os únicos que a trabalham em Portugal.
Assim, faz-se dos professores uma cambada de selvagens e incompetentes que não merecem o que ganham e "trabalham" poucas horas. Apenas 35.
Para além disso têm milhares de férias (22 dias úteis) e passam a vida a ser achincalhados e até agredidos pelos pobres dos alunos. E pelos seus pais.
Vejam bem que os professores chegam ao cúmulo de exigir aos alunos que tragam o material para as aulas, que façam os trabalhos de casa, que estejam atentos e não berrem que nem capados na sala de aula e depois ainda têm o descaramento de ficar aborrecidos quando os alunos deles escarnecem e lhes faltam ao respeito!!
Façamos, pois, aquilo a que somos obrigados E NADA MAIS, já que nem a ministra nem os pais isso fazem.
Deixemos aos pais as tarefas da civilidade que lhe competem e punamos, apenas, tout-court, os alunos que, na escola, revelem comportamentos de incivilidade. Já nem falo dos que se mostram absolutos selvagens.
Veremos como, ao fim da 10ª falta disciplinar, os Pais se recordarão de que também eles têm obrigações sociais para com os seus filhos, para além do simples descarregar e carregá-los no grande armazém de tempos livres que é, para eles, a Escola.
Enquanto em Portugal se fecham maternidades e SAPs (como em Oliveira do Hospital aqui ao lado), em Espanha transplantam-se pulmões aos portugueses que estariam irremediavelmente condenados a morrer no nosso País.
É assim que os governantes portugueses tratam o povo.
E é assim que os governantes Espanhóis tratam o povo português.
Correia de Campos, um Pai tirano, fecha todas as unidades de Saúde que pode, porque alegadamente dão prejuízo (se calhar queria que a Saúde desse lucro!), excepto salas de chuto e clínicas de aborto.
Essas darão lucro, pelos vistos.
E os portugueses, que estão sob a sua alçada, vão morrendo em lista de espera, se não forem os nossos irmãos Espanhóis.
Um dia fatalmente se fará a História desta classe política corrupta, criminosa e genocida que nos arruína desde Abril de 74, e que ficará para sempre associada às indignidades e aos crimes que diariamente vem praticando, por razões politico-economicistas.
É comum ouvir-se vozes discordantes e até bastante críticas relativamente às actuações dos sindicatos. Algumas questionam a sua utilidade. Outras consideram mesmo os sindicalistas como a ministra considera os professores.
Eu sou sindicalizado desde que comecei a dar aulas, em Pombal, em 85.
Por mais do que uma vez me apeteceu desindicalizar-me, especialmente quando, ano após ano, não via consequências práticas da luta do sindicato.
Ainda bem que o não fiz.
Ninguém se iluda: a não ser o sindicato, quem é que quer saber da vida e dos problemas do professor?
Felizmente esta ministra mostrou claramente que não é o seu ministério que se preocupa com a nossa vida ou com as nossas inexistentes condições de trabalho. Preocupa-se, sim, em poupar dinheiro e cumprir o déficit à nossa custa.
Não é à custa da alta finança nem da banca milionária que o governo pretende poupar 0,8% no déficit ( e ainda resta saber se isso se confirmará!...).
Se aqueles Pedreiras e aqueles Lemos são forçados a recuar nas suas pretensões de acabar de vez com alguma réstea de dignidade na Profissão de Ensinar, isso o devemos aos sindicatos.
Com o nosso esforço e participação, é certo.
Sem o empenho dos trabalhadores intelectuais o sindicato dos professores não teria força nem legitimidade.
Há que apoiar, por isso, nesta hora, os nossos sindicatos e apelar - isso sim - a que alguns deles se dissolvam porque não fazem, de facto, o mínimo sentido.
Um sindicato que representa poucas dezenas ou centenas de professores não é útil à classe.
Um que represente dezenas de milhares, é-o concerteza.
Vamos unir-nos todos contra a nítida e declarada intenção do governo de dividir para reinar!
Pode um governo desenvolver um conjunto de acções tendentes a criar na opinião pública uma imagem extremamente negativa dos funcionários públicos?
Pode, por razões estratégicas, mas não deveria. Por dois motivos: primeiro, a maioria dos aspectos negativos deve ser imputada à própria entidade patronal (Estado); segundo, a "mensagem" é injusta por revelar apenas um dos lados da apreciação.
Consideremos apenas alguns dos aspectos consolidados na opinião pública: existe um excesso de funcionários (alguns, em serviços desnecessários), são pouco produtivos ou mesmo ineficientes, ganham demasiado, têm tido emprego garantido e um sistema de protecção social muito generoso.
Os três primeiros aspectos, para além de não poderem ser generalizados a uma "massa" indiscriminada de trabalhadores, ocultam o papel activo de sucessivos governos na contratação indiscriminada, na indefinição de funções e objectivos, na ausência de uma avaliação de desempenho séria, na falta de coragem em dizer "não" em alguns processos negociais, na nomeação de altos dirigentes que até desconhecem os recursos humanos que têm de gerir. O quarto aspecto, verdadeiro, tem raízes históricas: as ditaduras sempre protegeram os servidores do Estado (designação ainda existente na entidade responsável pela protecção na doença, a ADSE).
Deverá o Governo extinguir organismos, avaliar as necessidades em recursos humanos, implementar uma avaliação de desempenho rigorosa, eliminar os subsídios indevidos e as remunerações extraordinárias que não correspondam a trabalho extraordinário? Claro que sim. Agiu bem o Governo ao harmonizar os sistemas de pensões? Claro que sim.
Então, o que é que o Governo se esquece de transmitir para a opinião pública? Três questões essenciais. Em primeiro lugar, os funcionários públicos constituem uma fonte certa de receita fiscal já que não existem declarações abaixo das remunerações efectivas ou outras formas de evasão em sede de IRS.
Em segundo lugar, os funcionários públicos pagam taxas específicas para o sistema de pensões (tal como no sector privado) e para a protecção na doença, com retenção na fonte e sobre remunerações efectivas.
Em terceiro lugar, a necessidade de aumentar a comparticipação para a ADSE é fortemente explicada pelo congelamento salarial dos últimos anos, logo pela redução da receita desta entidade. Como esta explicação não era "politicamente correcta", o Governo preferiu passar a mensagem que as despesas de saúde dos funcionários públicos não devem ser pagas pelos outros. Pois é, também muitos dos funcionários públicos não gostam de pagar impostos para os outros, sejam eles quem forem!
Manuela Arcanjo
Professora do ISEG
O medo está instalado nas escolas, como antes do 25 de Abril.
Um governo autoritário completamente vendido à alta finança aterroriza os funcionários públicos e sobretudo os professores, ameaçando-o com a extinção das suas carreiras.
Com a esmagadora maioria dos conselhos executivos das escolas nas mãos, com a promessa de que serão esses mesmos "professores" (que o não são porque decidiram deixar de o ser para se tornarem burocratas) os que subirão ao 10 escalão e à carreira de professor titular, a ministra conseguiu instalar um clima de quase terror nas escolas, muito propício à desmobilização dos colegas e à sua consequente divisão.
Como uma professora diz, nesta peça da SIC, «os assuntos não são debatidos em voz alta. Toda a gente tem medo de falar com receio de represálias.»
Um estado pro-fascista, portanto, este que se vive na esmagadora maioria das escolas de Portugal, 32 anos depois de Abril.
A guerra é muito difícil porque os pais, que se demitem todos os dias da educação dos filhos, são levados, pela propaganda diária do governo, a acreditar que quem retira os seus filhos das trevas do analfabetismo e da ignorância ... não passam de mandriões.
Portugal 2006.
Para que conste.
Depois da Johnson Controls, a Malhacila.
Mais 100 funcionários para o desemprego.
O proprietário afirmou que «a empresa ficou sem os principais clientes internacionais que começaram a comprar à China e aos Países de leste.»
O governo diz que a economia está em alta.
Eu posso assegurar que, nos últimos 3 anos, não abriu uma única média empresa nesta região num raio de 50 quilómetros.
Mas, nesse mesmo período, fecharam mais de 50.
Temos, em Seia, uma zona industrial nova completamente às moscas.
As empresas da ZI de Nelas - Mangualde fecham.
A propaganda cega e subversiva do governo ordena à comunicação social que intoxique as mentes distraídas dos tugas e que minta descaradamente ao povo, afirmando a toda a hora que economia está bem.
E que se recomenda.
Eu só gostava que a longevidade deste governo fosse similar à da saúde REAL da economia portuguesa.
Estudantes do Secundário protestam contra aulas de substituição
No mesmo dia em que começaram oficialmente as negociações suplementares do ECD, centenas de alunos convocaram um protesto contra as aulas de substituição.
Alunos do Ensino Secundário protestaram ontem em vários pontos do País contra as aulas de substituição, numa iniciativa convocada por mensagens de telemóvel (SMS) e Internet, que terminou com a realização de uma greve e o encerramento de algumas escolas.
"Greve de alunos 16 de Novembro contra as substituições. Mensagem a rodar. Passem!" foi uma das mensagens que circulou desde o início do mês por telemóveis e sistemas de conversação instantânea na Internet.
Os alunos estão "contra as aulas de substituição" porque "não têm sentido nenhum". Na sua opinião, em vez de utilizarem "saudavelmente o tempo", os alunos ficam "fechados nas salas de aula a jogar às cartas, por exemplo".
"Antes de criar aulas de substituição, o Ministério devia preocupar-se com os métodos para a sua concretização", afirmam.
"Em vez de estarmos fechados numa sala de aula devíamos estar a aproveitar os recursos que a escola nos oferece, como a biblioteca, as salas de computadores ou as salas de estudo".
Perante os protestos dos mais de 400 estudantes, só em Lisboa, contra as aulas de substituição, Jorge Pedreira aconselhou os alunos a apresentarem as suas queixas junto dos conselhos executivos e garantiu que a tutela "dará todo o apoio para a resolução desses problemas".
"Há normas e orientações da parte do Ministério que permitem assegurar as aulas e actividades de substituição com qualidade e maior significado pedagógico. Há todas as condições para esse efeito. É, fundamentalmente, uma questão de organização", afirmou.
Jorge Pedreira faz jus ao seu nome, se profere uma afirmação destas.
Porque, das duas, uma:
Ou desconhece em absoluto o que é uma escola, ou desconhece em absoluto o que é uma escola.
Alguma vez uma aula de substituição, neste regime de ensino, pode servir para alguma coisa?
Nem sequer no ensino básico faz qualquer sentido na prática.
Ainda ontem eu (professor de matemática) fui fazer uma substituição de um colega de História.
O professor tinha deixado uma ficha de trabalho.
Mesmo assim, e talvez por isso, aquilo foi um pandemónio porque os alunos, naturalmente, fazem todo o tipo de perguntas, levantam dúvidas, colocam questões sobre a ficha.
E, embora eu tenha conseguido responder a todas elas, fiquei naturalmente na dúvida sobre a forma como o deveria ter feito.
Porque eu não tenho formação pedagógica para dar História e Geografia de Portugal.
Não sei como se aborda cada questão no contexto das matérias a tratar. Nem sei quais as matérias que estão a ser dadas. Tive que pedir um livro e, literalmente, estudar ali, na hora, para tentar "descobrir" os contextos.
Conheço, felizmente, os rios principais da Peninsula Ibérica porque, por acaso, exceptuando a Galiza, conheço bem toda a Espanha (mas quantos colegas de matemática conhecerão os rios espanhóis?). Mas não sei, claro está, como se enquadra essa informação no contexto das matérias que estão a ser tratadas pelo professor. Orografia? Navegabilidade? Aproveitamento agrícola? Aproveitamento hidroeléctrico? Turismo?
Isto, no básico.
Imagine-se agora o que se passa no secundário, com as complexidades e as especificidades das matérias a leccionar.
Só um desconhecedor absoluto do nosso sistema educativo pode imaginar que as aulas de substituição podem ter algum efeito útil, a não ser o de evitar que os alunos andem no exterior da escola a brincar - actividade que lhes seria bastante mais útil do que estar fechados em salas a olhar uns para os outros.
Em Lisboa, cerca de 400 estudantes de várias escolas secundárias manifestaram-se em frente ao Ministério da Educação (ME), onde decorre a vigília dos professores. Gritavam palavras de ordem como "Mostra a tua indignação, diz não às aulas de substituição" ou "Eu não vou daqui para fora, enquanto a ministra não se for embora".
O protesto obrigou ao corte de trânsito, durante a manhã, no sentido sul-norte da Avenida 5 de Outubro - uma situação que acabou por ficar normalizada por volta das 13h45, quando apenas cerca de 100 alunos permaneciam junto às instalações do ME.
Na região de Lisboa, as escolas secundárias Fonseca Benevides e Braamcamp Freire foram encerradas a cadeado durante a manhã. Na escola básica do 2.º e 3.º ciclos Gonçalves Crespo, na Pontinha, registaram-se desacatos: os alunos impediram a entrada dos professores e um aluno de 15 anos agrediu um agente da PSP.
Na quarta-feira, a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) tinha enviado a todos os estabelecimentos de ensino um ofício que estabelecia o que fazer em caso de encerramento a cadeado. A DREL ordenava os conselhos executivos a chamar a polícia e a identificar os autores.
No Porto, o protesto quase não se fez sentir. A agência Lusa contactou várias escolas secundárias, que se encontravam a funcionar com normalidade. Apenas cartazes afixados em vários pontos da cidade, que informavam a realização de uma manifestação de estudantes do Ensino Secundário, no dia 22, na baixa do Porto, eram o único sinal relacionado com a manifestação.
Em Coimbra, a repercussão também foi reduzida: uma concentração de estudantes que estava marcada para o meio-dia ainda não tinha sequer começado por volta das 13 horas.
Mais impacto teve a iniciativa no Alentejo, onde os alunos aderiram em força à greve, registando uma adesão de 80% a 90% na Secundária São Lourenço, em Portalegre, e cerca de 50% na Secundária Diogo de Gouveia, em Beja.
Em Évora, os alunos bloquearam com pregos as entradas da Secundária Gabriel Pereira, enquanto no litoral alentejano mais de duzentos estudantes protestaram nas ruas de Alcácer do Sal, com a greve a fazer-se sentir igualmente nos concelhos de Sines e Santiago do Cacém.
No Algarve, cerca de 200 estudantes manifestaram-se nas ruas de Faro e foram mesmo recebidos pelo governador civil da cidade, a quem entregaram uma moção com as suas reivindicações.
Segundo disse à agência Lusa o director regional de Educação, a jornada de luta não originou, no entanto, quaisquer fechos de escolas nesta região.
O protesto de alunos chegou também à Madeira, onde os estudantes da escola básica e secundária da Ponta do Sol, no Funchal, mantiveram os portões encerrados durante 30 minutos.
Já nos Açores não houve qualquer tipo de protestos dos estudantes do Ensino Secundário.
Perante o facto de os protestos dos alunos contra as aulas de substituição se terem desenrolado no mesmo dia do arranque da negociação suplementar relativa ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, disse estranhar a coincidência óbvia: "Queria registar, e ao mesmo tempo lamentar, que haja esta tentativa de perturbação da vida normal das escolas, por coincidência no mesmo dia em que retomamos a negociação sobre o Estatuto da Carreira Docente", afirmou o responsável, em conferência de imprensa.
Questionado pelos jornalistas sobre se estava a insinuar que o protesto dos alunos tinha sido combinado com os professores, que estão em vigília à porta do Ministério da Educação (ME) desde quarta-feira, Jorge Pedreira declarou: "Estou a querer dizer apenas isto - a coincidência é óbvia e mais nada".
Perante acusações proferidas pela Juventude Socialista (JS), a FENPROF já emitiu um comunicado a negar "estar na base da acção de protesto desencadeada por alguns estudantes no dia 16 de Novembro". Esta organização sindical garante que, a FENPROF tal como as restantes organizações sindicais de professores, "apenas tomou conhecimento da iniciativa no próprio dia face aos desenvolvimentos publicamente conhecidos".
Em declarações aos jornalistas, Jorge Pedreira garantiu que a solução "não passa por acabar com as aulas de substituição" e criticou a forma como os estudantes escolheram protestar: "Penso que os estudantes têm todo o direito de se manifestar e protestar. Penso que fazê-lo nos moldes em que o estão a fazer, nas ruas, não resolve nada", defendeu.
Marta Rangel| 2006-11-17
Mas está enganado! E sabe-o bem.
É mesmo só pelo escândalo público que os males se vão resolvendo neste país!
Mãe de aluno deu pontapés e mordeu a docente
Uma professora da Escola C+S de Esmoriz, em Ovar, foi agredida com violência pela mãe de um aluno durante uma reunião, na quarta-feira à tarde, destinada a debater a indisciplina do jovem.
Durante o encontro, em que participaram elementos do Conselho Executivo da escola, a encarregada de educação exaltou-se e terá agredido a professora com vários pontapés na perna esquerda, dentadas nos membros superiores e puxões de cabelo.
O caso foi relatado esta sexta-feira pelo Jornal de Notícias e confirmado ao PortugalDiário por fonte dos Bombeiros de Esmoriz que, juntamente com a GNR, foram chamados ao estabelecimento de ensino no dia dos acontecimentos.
«Recebemos o alerta da escola, por volta das 15:25, e encontrámos a professora muito nervosa com a perna esquerda ferida, os membros superiores com mordidelas e cabelos arrancados», descreveu Óscar Alves, tripulante da ambulância de socorro, dos Bombeiros de Esmoriz.
in Portugal Diário
O governo recua substancialmente no ataque à carreira docente.
Afinal as faltas por doença, por nojo, etc, já não constituirão barreiras à progressão na carreira docente.
Nem nunca poderiam constituir obstáculo a essa progressão.
Seria uma medida claramente inconstitucional. Mas esse trabalho, o de o demonstrar, já não teremos.
Por outro lado os professores no 10º escalão ficam automaticamente na nova carreira de professores titulares.
Ou seja: os professores que não fizeram greve são os mais beneficiados.
Daqui para diante menos a farão.
Não se pode negar que a Ministra sabe alguma coisa... de política.
O que não se pode negar é que a luta dos professores deu, afinal, algum resultado.
E dará mais... dará mais, seguramente.
A luta pela Qualidade do Ensino continua.
Esta ministra deixará, dentro de meses, de o ser.
Os cargos políticos são efémeros.
E nós continuaremos Professores.
Entre o fim da tarde de hoje e a manhã de amanhã (sexta) nevará acima dos 1750 metros (Lagoa Comprida, pistas de ski de Loriga e Torre).
Quem quiser ver a neve pode dirijir-se à Serra da Estrela por Seia e tem agora duas alternativas:
1 - A estrada da Torre:
Seia, Sabugueiro, Lagoa Comprida, Torre. 32 Kms.
2 - A nova estrada de S. Bento:
Seia, S, Romão, Valezim, Loriga (nova estrada de S. Bento), Lagoa Comprida, Torre. 42 kms
Em vez de se subsidiar os preços dos transportes públicos, para desencorajar os milhões de pessoas que trazem, todos os dias, os seus automóveis para os centros das cidades e para os locais de trabalho, poluindo de morte a atmosfera que todos respiramos e aumentando a nossa dependência energética do exterior, o nosso maravilhoso governo prefere fazer o contrário do que Portugal assinou em Quioto e aumenta duplamente os transportes públicos.
Um subsídio de um euro por pessoa/dia pouparia mais de 10 euros em combustíveis, pneus, óleos, pastilhas de travões, embraiagens e toneladas de gases de escape que se lançam na atmosfera / dia.
Alguém se consegue deslocar de casa para o trabalho e vice-versa, nas grandes cidades, com o seu automóvel, sem gastar no total - contas bem feitas - menos de 10 euros por dia?
Mas para este governo isso não é bom negócio.
Implica gastar dinheiro extra já.
Não é visto como um investimento no futuro, porque não se "vê" retorno.
É que para isso não há concursos nem estudos nem pareceres nem comissões nem luvas nem agradecimentos de ninguém.
É, portanto, uma medida que não interessa a este governo.
Sócras é fixe!
E o país... que se lixe.
A falência de centenas de empresas da construção civil - em Seia, só num ano, o número de empresas com alvará a actuar no mercado baixou de 18 para 11 - está a levar os trabalhadores portugueses a fazer o que fazem os do leste: emigrar.
Para Espanha espera-se que vão 15 mil, segundo os responsáveis do sector, até Abril do próximo ano.
Eu tenho a certeza que esse número será multiplicado por um factor superior a 10, a avaliar pelo que se passa neste momento em Portugal.
Mas não há problema:
Assim que começarem as obras do TGV(!) e da OTA(!!) eles voltarão todos.
Ou então não.
Ficam lá por Espanha a trabalhar ilegalmente enquanto os imigrantes do leste e de África ficam por aqui a trabalhar ilegalmente.
Tudo a bem do progresso da alta finança; perdão: da qualidade de vida dos financeiros e políticos; perdão: dos cidadãos ibéricos.
Sócras delapidou, na semana passada, Portugal em milhares de milhões de euros ao perdoar a dívida de Moçambique sobre a barragem de Cahora Bassa.
Ninguém fala nisso.
E ainda lhes ofereceu de borla - por um preço simbólico que mesmo assim sabe nunca receberá - a maior barragem de África mandada construir por Salazar e paga com o dinheiro dos contribuintes portugueses dos anos 60, 70, 80 e 90.
Ninguém fala disso.
Ataca-se Alberto João por ter conseguido, com o mesmo dinheiro, um nível de desenvolvimento muito superior ao dos Açores.
Açores tem a virtude de ter a freguesia mais pobre da europa.
Alberto João tem o defeito de chamar à classe política do continente de corruptos.
Declaradamente.
O processo mediático de assassínio político de Alberto João é igual ao que se fez para Santana Lopes.
A verdade é que o povo vota, há 30 anos, maioritariamente em Alberto João.
Muito mais massivamente do que alguma vez votou no PS.
PORTANTO O ARGUMENTO DA LEGITIMIDADE ELEITORAL TEM QUE VALER PARA OS DOIS LADOS.
Mesmo em termos de economia pura, a verdade é que o PIB da Madeira aumentou 50% em 10 anos.
No continente aumentou 7%.
Quem é que está errado?
E hoje, a partir da tarde, vai cair água à força toda.
Ninguém fala nisso, a protecção civil calada, e eu já estou a prever a mesma pouca vergonha do costume.
Inundações à fartazana.
É só confirmar.
Boa sorte para as zonas baixas de Portugal!
Já que não há prevenção, valha-nos, ao menos, Santa Bárbara...

A imprensa a soldo da alta finança lá faz a sua obrigação diária e tenta suavizar hoje, apressadamente, a "pérola" de ontem da ministra:
«Um professor de Direito a dar apoio jurídico ou um professor formado em Engenharia responsável pela manutenção e conservação de edifícios – estes são alguns exemplos que o Ministério da Educação (ME) quer ver no futuro nas escolas, com o programa de reconversão de professores com horário zero.»
Actualmente, de acordo com o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, “mais de dois mil professores de quadro de zona pedagógica estão com horário zero”, a que se juntam algumas centenas de quadros-escola na mesma situação.
Esqueceu-se de dizer que só 600 provocou-os ele este ano porque o ME se "enganou" nas colocações do grupo de Português- Francês...
“Não poupamos nada, porque eles já estão a receber ordenado”, explica Valter Lemos. Estes professores exercem outras funções fora das aulas: apoio aos alunos, apoio à gestão escolar, (leia-se: ajudar os CDs a fazer o que fazem hoje: reprimir os colegas, escolher entre eles quem sobe a professor titular, e o resto do tempo coçarem os... joelhos), trabalho na biblioteca ou no centro de recursos, orientação vocacional. E poderão continuar a realizar algumas das funções, mas com formação adequada. “O objectivo é proporcionar formação adicional”, de acordo com as suas capacidades e conhecimentos.
Lá está: como dizia aqui uma leitora: a tal famigerada formação... para trolha<br>
Na mira estão principalmente os professores do 1.º Ciclo, que ficaram sem alunos após o fecho de mais de 1600 escolas em Setembro.
Então os professores do 1º ciclo é que vão dar apoio jurídico, apoio económico(???) ou manutenção dos edifícios?
“Queremos dar a possibilidade de desempenharem as funções de forma positiva para a escola, tendo em conta a disponibilidade de cada professor”, realça o governante. Esta proposta pretende ser uma alternativa à integração dos docentes na lista de supranumerários. Mas Valter Lemos ainda não consegue especificar o que acontece aos professores com horário zero que não aceitem a reconversão. “Está em estudo, ainda não há normativo”, diz.
Então porquê a propaganda?
No próximo ano, o ME prevê reduzir as despesas com pessoal em 343 milhões de euros: 180 milhões relacionados com a aposentação de professores, 100 milhões com a diminuição dos destacamentos de professores para funções não docentes e com a redução dos encargos dos serviços regionais. O restante é conseguido através do congelamento das progressões automáticas, que vai manter-se, e, com a redução de contratados, menos cinco mil.
E sobre os 10 mil professores que «trabalham» a picar o ponto no Ministério da Educação, lá colocados à vez, pelo PS e pelo PSD?
Nem uma palavra...
Nesses não se pode mexer!
São jobs de parte a parte que têm que ser mantidos a todo o custo...
A directiva é simples: Só se pode prejudicar quem trabalha efectivamente nas escolas!

O último desanrincanço da ministra é colocar os professores excedentários nas escolas a fazer «manutenção de edifícios»!
É pena não haver professores de matemática em excesso, porque eu já tinha decidido:
Ia dedicar-me à manutenção eléctrica e mecânica da minha escola!
Desmontava os quadros eléctricos todos de segunda a quinta.
À sexta desmontava a caldeira.
Ao Sábado, manutenção da cozinha.
E, se pudesse, ao domingo, desmontava mais qualquer coisa começada por um M.
Podia ser que alguém a quisesse montar na segunda.
Dá-me ideia que ela não protestaria muito...

Já se esperava e ele cá está:
A Alta Finança nunca perdoará a Santana nem a Bagão o terem aumentado o IRC à banca em (apenas) 5%.
E nem sequer avisaram!...
Veja-se este espertalhão do Sócras, como ele aprendeu “a fazer política" ao contrário: anuncia intenções de que “tem que aumentar”, para ficar tudo na mesma.
O povo fica satisfeito e a Alta Finança ainda mais.
Se Sócras tivesse realmente intenção de aumentar os impostos à banca já o tinha feito em vez de anunciar intenções, tal como fez com o repetido congelamento das carreiras da Função Pública.
Pensemos bem: um "anúncio" de que vai aumentar impostos, para que serve?
Se é para aumentar, faz-se antes e anuncia-se depois.
Neste caso, nada do que foi dito faz sentido.
Salgueiro já lhe deu a resposta por ambos combinada e o caso fica, como sempre, em banho maria.
Ora é bem verdade que um caseiro tem que trabalhar na quinta a contento dos patrões.
Santana, na sua ilusão, não percebeu isso. Caiu-lhe tudo em cima.
Ainda hoje, quase 2 anos depois, não o largam.
A alta finança, detentora de todos os jornais, rádios e televisões em Portugal desferiu hoje mais um ataque coordenado a uma só voz e, portanto, a mando de quem manda, a Santana Lopes.
A par da notícia do lançamento de um simples livro, e na clara tentativa de o desvalorizar, as "caixas" vão todas para a investigação que a PJ está a fazer a empresas que ganharam um concurso qualquer «no tempo de Santana Lopes».
É isto que é sublinhado nas 3 tvs.
Não interessa sequer saber quais são as empresas alvo de investigação. Nenhuma delas é nomeada nesta não-notícia.
Interessa é passar a mensagem de que foi «no tempo de Santana Lopes».
Como se fosse Santana o culpado. Já. Sem julgamento.
Acontece que todos os dias há investigações da PJ a empresas que se criaram ou ganharam prémios no tempo de outros governos sendo que a esmagadora maioria delas incide sobre o tempo do governo de Guterres.
Mas isso não é notícia para este jornalismo amordaçado que temos.
Curiosamente não há, que se saiba, investigação aos 5 milhões de contos que desaparecerem da Expo 98 no tempo de Mega Ferreira, e os outros 5 milhões do caso UGT - Torres Couto está parado à espera de prescrição.

Acontece que a notícia principal de hoje - se em Portugal houvesse jornalismo LIVRE - seria o da alienação dos últimos 25% da Portucel pelo Estado.
O vendedor de Património do Estado, que também já vendeu a Galp e prepara-se para vender a REN, passa assim ao lado do vendaval “noticieiro” e do ruído propositadamente lançado sobre o povo pelas máquinas editoriais, a mando da alta-finança.
Não adianto nada em repetir isto, mas cá fica.
Pode ser que ainda haja alguém que não tivesse pensado nisto...

Sem uma palavra para os investigadores e para quem desenvolveu o projecto do jogo português para telemóveis ontem apresentado, preferiu Mariano Gago agradecer a Cristiano Ronaldo, por ter aceitado dar o nome ao protagonista do jogo.
No Tugal do «mais do mesmo», as tuguices do costume em progressão geométrica.

Continuando a tratar todos os portugueses como autênticos atrasados mentais, à porta de um congresso, lembra-se Sócras de combinar com a banca esta teatrada enjoativa da «troca de galhardetes».
Sócras faz de conta que vai obrigar a banca a pagar impostos e a banca faz de conta que fica indignada.
O verdadeiro tuga futeboleiro do penalte verde e da sandes de torresmo também fica todo contente!
«- É assim mesmo! São todos uns filhos da p...! Que gajo valente!»
E aquele que não é tão estúpido como isso, pergunta:
Alguma vez um governo escolhidinho a dedo pela Alta Finança e que desde a primeira hora esteve sob o seu controle absoluto, dela necessitando cada vez mais para continuar a controlar a comunicação social, para financiar o seu partido e para meter um milhões ao bolso durante a construção dos mega elefantes-brancos da Ota e do TGV, pode morder a mão de quem lhe dá de comer?
Desculpa lá ó Sócras, mas essa ninguém, em seu perfeito juízo, a compra.
Mais uma manobra de propaganda, bem sabendo todos nós que nunca nada será feito nesse sentido digno de menção.
É só esperar para confirmar.

José Gil - Visão, 9 de Novembro de 2006.
O que impressiona nas intervenções mediáticas dos responsáveis do Ministério da Educação (ME), é a ausência total de uma palavra de apreço e incentivo para com os professores.
Quando ela vem, parece forçada, demasiado geral, demonstrando uma incompreensão profunda pelas condições do exercício da profissão.
Os últimos rumores (verdadeiros) sobre as eventuais oito horas lectivas obrigatórias, mais o corte das «pausas» do Natal, Carnaval e Páscoa, provam que as autoridades encarregadas de conceberem a política educativa do nosso país não sabem - ou não querem saber - o que implica ser professor.
Fica-se com a sensação de que o ME tem do professor a ideia de alguém que goza de privilégios imerecidos, que sobe «à balda» na carreira, que falta às aulas quanto pode, que se está nas tintas para o aluno, que se esquiva o mais possível ao trabalho e ao esforço.
O cúmulo deste intolerável estado de coisas é que usufruiria - como se faz crer aos portugueses - dos melhores salários em comparação com os equivalentes europeus.
O imperativo da política educativa formular-se-ia, pois, assim: «Vamos pôr tudo isto na ordem.» Vamos varrer o despesismo, a «balda», o desperdício, o oportunismo, o laxismo, a facilidade, a incompetência - todos esses vícios da maioria dos docentes que teriam transformado a escola num lugar para se viver de boas rendas, trabalhando pouco, mal, e gozando de inomináveis rega-lias e do maior tempo de ócio. Imagem tão pregnante que as excepções - «aquele professor que nos marcou para toda a vida...», frase estafada que, pelo menos, diz a parte mínima que compõe a minoria - seriam incapazes de a combaterem e de a apagarem.
Eis o que explicaria os excessos discursivos (e não só) dos responsáveis do ME. Tem-se a nítida impressão de que não gostam dos professores - por mais que queiram distingui-los dos sindicatos.
Ora, o que está em jogo no actual debate sobre a educação, é a transformação de uma situação há muito desastrosa, criando condições para um ensino de qualidade, à altura das ambições da «modernização» global do País, proclamadas pelo Governo.
Nesse quadro, a Educação constitui um pilar essencial do projecto governativo do primeiro-ministro: se ele falha, falhará todo o projecto. Neste momento constata-se que o clima das escolas (professores cansados, abatidos, deprimidos - dos que pertencem às «excepções») não contribui para a boa aplicação dos novos estatutos que aí vêm.
Quem se importa com os professores?
Questão que poderia deslizar, perigosamente, para esta outra: quem se importa com o ensino?
Quem, nesta reforma, pensa no tipo de trabalho, material e imaterial, que o professor fornece, para que a relação mestre aluno produza os efeitos esperados?
Relação extremamente delicada, que não se reduz à transmissão de conhecimentos, mas que exige do professor um investimento múltiplo, emocional e intelectual, que provoca um desgaste psíquico e existencial extremo.
Que se me permita citar umas linhas que escrevi noutro local: «O investimento na docência convoca forças de toda a ordem, os dons, a capacidade de controlar e de se auto controlar, a plasticidade para se adaptar a e lidar com cada aluno em particular, o equilíbrio incessante entre o papel de docente e o de educador, o constante brio que se exige de si (o terrível superego do professor que o força a ter a melhor imagem de si para estar em paz consigo mesmo), a responsabilidade que assume pelo aproveitamento dos alunos, etc. Ele não investe uma ou duas «competências», investe na aula a sua existência inteira”.
Mas não são só o espírito e os métodos pedagógicos que devem ser considerados dentro de um contexto mais alargado.
É a própria noção de «racionalização» do ensino que tem de ser repensada. A actual política educativa parece padecer de toda uma série de disfunções e desfasamentos: muda-se o estatuto da carreira docente, com novas tarefas, mais trabalho, mantendo-se inalterados os conteúdos e negligenciando a formação necessária dos maus professores; instauram-se regras de avaliação, mas não se eliminam os compadrios e as conivências; exigem-se boas vontades para certas tarefas, e quebram-se as vontades não oferecendo contrapartidas; voltam-se os pais contra os professores, estes contra a instância que os tutela, o pessoal administrativo contra os professores, e já mesmo se formam alianças alunos - pais contra o Ministério. . .
Tudo isto é mau para o ensino e para a educação. Como se a «racionalização» do ensino básico e secundário, ao preocupar-se apenas com alguns dos seus aspectos, e sem visão global, induzisse necessariamente outras formas de irracionalidade e anarquia.»
José Gil - Visão, 9 de Novembro de 2006.
Cortesia de José Ruas

Eu recuso-me a acreditar no que acabo de ver na SIC.
Uma professora delegada sindical a queixar-se disto!
De que o Ministério quer uma lista exaustiva e circunstanciada dos professores que fizeram greve!
Como no tempo do fascismo!
Mas onde é que estes senhores pensam que estão?
Na Coreia?