julho 31, 2006

E quem publica as dívidas do Estado?


O estado vai publicar hoje as dívidas dos grandes devedores ao fisco (segundo o próprio estado, sabendo que grande parte dessas alegadas dívidas está em contencioso e quem decide são os Tribunais). Mas não faz mal. Sócras manda-as publicar na mesma.
(Era curioso saber como conseguem certos políticos que declaram só viver do seu ordenado, comprar aqueles super apartamentos na Braancamp, mas isso são outras histórias...)
Mesmo assim vejamos quanta estupidez está em causa:
1 - Se um cidadão deve, há formas legais de cobrar: cobranças coercivas, arrestos e penhoras a bens, a vencimentos, a heranças, eu sei lá....
Mas publicar uma lista de devedores? Acha, o ingénuo estado, que alguém que deva mais de 50 mil euros ao fisco vai pagar só por vergonha de que o seu nome apareça a público? Essa é para rir...
2 - Porque não executa, o estado, essas dívidas em vez de andar com estas palhaçadas? Só demonstra a sua incapacidade de cobrar. E para isso, qual impotente rancoroso, pretende estupidamente vingar-se de quem é mais esperto e de quem não consegue cobrar, com essa pretensa publicidade negativa. Tal como os merceeiros fazem nas aldeias. É, portanto, o chamado estado-merceeiro.
3 - Mas até essa publicidade tem o efeito contrário ao pretendido.
Tal como um mau aluno fica orgulhoso quando vê um 1 na pauta e de cada vez que é expulso da sala de aulas, há muita gente, em Portugal, que sente verdadeiro orgulho patriótico em não pagar cheta de impostos, invocando, em sua defesa, o esbanjamento irracional que o estado faz daquilo que tira aos cidadãos.
De facto, dificilmente será defensável que se sinta orgulho ou DEVER no pagamento de impostos num país que os gasta a construir estadios de futebol e que é expoliado diariamente por uma corja corrupta que nem sequer responde pelos roubos mais directos ao património nacional.
Enquanto, por exemplo, o sr Mega Ferreira não for obrigado - pelo mesmo estado que vai publicar os nomes dos que devem 10 mil contos - a explicar onde estão os 5 milhões de contos que desapareceram da EXPO 98, que representam apenas 500 vezes mais do que os tais 10 mil contos, eu, por exemplo, sinto uma revolta imensa quando me tiram um balúrdio de impostos à cabeça do meu ordenado mensal.
Pergunta muita gente: para que paga o povo impostos quando os que mais têm não pagam cheta e quando não se tem os correspondentes direitos consignados na Constituição?
O direito à Saúde, a uma habitação condigna, a viver com um mínimo de dignidade, por exemplo, onde estão?
O cidadão até paga ao estado mas depois este não cumpre com o cidadão.
Porque com os impostos do cidadão, que deviam ser investidos no desenvolvimento do país, o estado decide construir estádios da bola que são utilizados 15 dias por ano, por jogadores profissionais - que nunca pelo povo que os paga - e custam fortunas a manter mensalmente, e comprar helicópteros e submarinos cujas luvas são, internacionalmente, de 5% como sabemos e vem em todas as revistas da especialidade - qualquer coisa como 5 milhões de contos por uma compra de 3 submarinos ou 20 helicópteros.
E é claro que depois «ele» não estica...
O que nos leva à pergunta sacramental:
4 - porque não obriga, o estado, a banca megamilionária - única actividade que ostenta lucros avassaladores em Portugal - a pagar os impostos que as demais empresas pagam? Porque aceita, o estado, que a alta-finança acabe por pagar uma ninharia, de facto, no final do ano?
Onde é que o estado o quer ir buscar? Aos pobres que o não têm, ou aos ricos que o ostentam e esbanjam?
5 - E quem publica as dívidas do estado aos contribuintes? E às empresas? O estado será uma pessoa de Bem? Ninguém o pode corroborar.
O estado deve e não paga e continua a dever e a não pagar a dezenas de milhares de empresas e de contribuintes deste país.
E então, quem vai publicar essa dívida?
Que o faça todo e qualquer um que se sinta LESADO por um estado cego, insensivel, incumpridor e injusto.
Mas não o façam com o nome «Estado», porque assim fica-se tudo a rir!
Publiquem-nas com o nome do responsável pelos pagamentos do estado que é, em última análise, o Zézinho Sócras.
Porque o ministro das Finanças só paga com ordens do patrão. E o patrão é o Zézinho maroto...
6 - E já agora, porque perde o estado 426 milhões de euros por ano, nas suas 139 empresas, segundo o Expresso Negócios desta semana?
É isso que Zezinho faz com os nossos impostos? Perdê-los em ordenados para os boys e benesses para além da mais louca imaginação?
É para isso que ele quer mais e mais dinheiro?
Para o perder?
Ora, tenha lá juizo...
Vá mas é cumprir a promessa da co-incineração, que era o mais urgente que havia a fazer neste país há 6 anos...

É só rir!

Publicado por JoaoTilly em 11:21 AM

julho 27, 2006

António Costa GARANTE que DESCONHECE


Notícia TVI de abertura do Jornal das 9 de hoje:
António Costa GARANTE que DESCONHECE qualquer inconstitucionalidade no diploma da nova Lei das Finanças Locais.

Quando um político que nunca trabalhou - a não ser na política e nos cargos que a política oferece - GARANTE que desconhece, quem somos nós para duvidar?
Eu também GARANTO que ele DESCONHECE essa matéria.
E também GARANTO que ele desconhece muitas outras.
Matérias.

Publicado por JoaoTilly em 09:21 PM

julho 26, 2006

Xoné Moura por um fio - já não há quem lhe apare o jogo...


O Tribunal da Relação impediu a abertura dos computadores do jornal "24 Horas" no âmbito da investigação do chamado caso Envelope 9. Na sequência de um recurso, os desembargadores deram razão ao jornal e declararam a nulidade dos mandados de busca, das buscas e das apreensões realizadas no passado dia 15 de Fevereiro.


E agora, xoné?
Não sabia que isto AINDA não é um estado policial?
Parece... mas ainda não é!
Explique lá essa ao Sócras, que dá-me ideia que também ainda não interiorizou bem, bem, o conceito de Democracia e de Estado de Direito...
Vocês estão mesmo convencidos que Portugal é uma quinta vossa, não é?
E que, por isso, podem fazer o que vos dá na real bolha, não é?
Mas ainda não é... Para lá caminhamos, é certo, mas ainda lá não chegamos.
É desta que ganha um pouco de vergonha na cara e se demite ou continua a insultar a Justiça de um país aquem e além fronteiras?

Publicado por JoaoTilly em 05:55 PM

Enquanto a banca continua a bater todos os recordes de lucros obtidos, as taxas de juros sobem pelo sétimo mês consecutivo


400 milhões de euros foi o montante dos lucros apresentados pelo BCP só no primeiro semestre deste ano. O BES apresenta mais metade disso. 200 milhões de euros de lucros. O que equivale a aumentos da ordem dos 36% relativamente aos números do mesmo período do ano passado.
Entretanto, os impostos realmente pagos pela banca são diminutos por via das inúmeras benesses fiscais de que usufruem.
As taxas de juro, essas, sobem pelo sétimo (7º) mês consecutivo. A banca continua descaradamente a fazer disparar os seus lucros à custa das empresas e das famílias endividadas.

Em Seia, por exemplo, o paradoxo atinge proporções aberrantes. No tempo em que havia dinheiro a pontapés, com a industria têxtil em alta, Fisel, Fercol, Vodratex a empregarem, no seu conjunto, mais de 5000 trabalhadores, havia 2 bancos privados. E um era apenas um correspondente.
Hoje, que não há Indústria, praticamente o comércio é de subsistência e turismo nem vê-lo, há 13 agências bancárias (13) entre Seia e S. Romão.
Para quê?
Para investirem o dinheiro que, de outra forma, teria que ser entregue ao Estado na forma de impostos, e para emprestarem umas migalhas a quem ainda tem alguma possibilidade de endividamento.
Porque para recolherem fundos... vai lá, vai!
Migalhas essas que serão pagas ao triplo e ao quádruplo do que deveria ser se vivêssemos num país civilizado, já que a própria Comissão Europeia declarou Portugal o país onde o povo mais paga, entre juros e comissões bancárias, em toda a europa!


Ninguém no governo ou no Banco de Portugal quer saber deste descalabro, nem actua para regular este autêntico saque selvagem ao que ainda resta da agonizante economia portuguesa.
Quando todas as empresas fecharem de vez as suas portas, esmagadas pelo peso dos juros avassaladores, e as famílias não puderem continuar a cumprir com a banca mega-milionária, os vampiros da Alta Finança abandonarão a carcaça sêca (Portugal) e irão sugar outro país em dificuldades.
E quando os Tribunais não conseguirem cobrar nem sequer 1% das dívidas em incumprimento - que é quase o que já está a acontecer agora - talvez alguém, dentro do governo, se comece a preocupar com a dívida descomunal... da sociedade.
É que, se a Alta Finança decide abandonar este pobre País, quem é que irá assumir o seu patriótico papel de subsídio e corrupção da classe política?
Hein?

Publicado por JoaoTilly em 09:28 AM

julho 25, 2006

A Fauna


E o povo todo a bater palmas...

Publicado por JoaoTilly em 09:50 AM

FIAGRIS 2006 deve evoluir para FICA(S) 2007

Para que a ninguém restem dúvidas, e já que insistentemente solicitado por muitas famílias, aqui vai a minha humilde opinião sobre a FIAGRIS deste ano.

A Feira está, dentro do possível, muito bem.
Pequena, mas organizada.
Limpa, no sentido de não ser confusa nem atabalhoada.
Parece menor do que de facto é, devido justamente à arrumação dos stands de artesanato.
Os caminhos estão desimpedidos.
É policiada e vigiada por um corpo de Bombeiros. Existe uma ambulância sempre junto ao palco. Há alternativa de saída de pânico, por detrás do pavilhão.
Espera-se que o portão do anfiteatro fique aberto durante os maiores concertos, para se poder evacuar alguém rapidamente, no meio daquele mar de gente (esperam-se 5000 pessoas no anfiteatro para ver Rui Veloso).

É claro que esta Feira intercalar é modesta, não é agrícola (nunca o foi), muito menos industrial (também já o não era).
É, sim, artesanal e algo comercial.
Pelo que se este modelo é para durar - e não se prevê que possa ser outro muito diferente, uma vez que indústria tradicional e agricultura é coisa que já não há no concelho, há que se mudar a denominação sob pena de se cair no ridículo.
FACS, ou FCAS - Feira Artesanal e Comercial de Seia, ou vice versa, poderiam ser denominações lógicas.
No entanto, como ainda tenho esperança que Eduardo Brito ouça o que diz Sócras, que se propõe investir 450 milhões no Turismo até 2015 (como se ele cá estivesse nessa altura!), ou - mais importante ainda - me ouça a mim, que venho há anos alertando para a urgente necessidade de a CMS apostar na divulgação turística do nosso Concelho, que é a nossa única e verdadeira Indústria natural, a Feira poderá tomar uma denominação muito mais feliz e interessante.
Um inspirado (isto é que é humildade!!!) trocadilho, ocorreu-me ao começar a escrever este texto.
FICA ou FICAS - Feira Industrial (turismo) Comercial e Artesanal de Seia parece-me uma denominação bastante gira. Que FICA na memória de imediato.
À atenção dos criativos da CMS (esta foi sem intenção...)


Concluindo: a feira tem a dimensão da cidade.
Está, por isso, correcta.
Esperemos que a futura FICA possa mostrar a Indústria turística que vamos tendo.

Quem se interessar pela oferta turística existente, já hoje, no nosso concelho, em termos de Turismo em Espaço Rural, dê um saltinho ao Portal da Serra da Estrela.


Parabéns, portanto, à Organização desta Feira.
E que seja a última com este modelo que, realmente, já não representa a oferta que, de facto, temos por aqui.

Publicado por JoaoTilly em 02:49 AM

julho 24, 2006

A propaganda intoxicante de Adolfo Sócras

Toca o despertador. São oito da manhã. TSF:
«a ministra da educação está a pensar alargar a escolaridade mínima até aos 18 anos».


Pergunta-se: o que farão os restantes ministros deste governo durante todo o dia, ao longo de todos os meses?
É que só se ouve e vê propaganda sobre aquilo que a Lurdes Rodrigues diz que está a pensar fazer!!!
Já nem é preciso que faça. Basta que alguém diga que a senhora está a pensar fazer - e claro que nunca fará - para ser notícia de abertura dos telejornais.
Mas todos os dias???
Já não chega?
A toda a hora as notícias são EXCLUSIVAMENTE sobre a ministra da educação. Está mal! Os outros não trabalham?



Para todos aqueles que, como eu, estão completamente desacreditados neste arremedo de país onde cada político rouba mais que o anterior e o povo é escravizado alegremente sem protestar, aqui vai um sinal de esperança.
Há duas coisas em que somos, apesar de tudo, bons:

A primeira é em conseguir manter o povão adormecido com histórias da carochinha. Herdámos essa arte de António Ferro, o Ministro da Propaganda do Estado Novo.

A diferença para os dias de hoje é que o homem tinha mesmo essas funções. Era o nosso Ministro da Propaganda. Não havia que esconder.
Hoje, temos um governo inteiro de propaganda. Todo ele.
O trabalho que produz é de índole estritamente propagandística.
Esta fase é a da ministra da educação. Já dura há 3 meses. Sócras está a testá-la. Atirando-a para a cabeça dos noticiários, está a ver se ela se aguenta à bronca. Se se aguentar, fica ali uma dama de ferro e pode fazer o que (Sócras) quiser. Se não se aguentar, remodela-a por outra que faça o que (Sócras) quer e dê menos nas vistas.
Mas o problema é que Adolfo Sócras não sabe o que quer. Ou melhor: ele sabe que tem que querer qualquer coisa de novo todos os 3 dias.
Para aparecer nos noticiários, senão o povo esquece-se dele.
Por outro lado, os bem intencionados esperam dele projectos.
Mas ele, em boa verdade bem sabe que não sabe nadinha de coisa nenhuma - nem sequer da tão propalada co-incineração - de que já ninguém se lembra e que foi a sua bandeira de guerra no desgoverno de GuGu e nos primeiros dias do seu próprio desgoverno.
Os lixos aí continuam. Tóxicos e perigosos. Tanta pressa, há 6 anos, que não se podia perder mais um minuto e afinal....
Tretas.
Às palhaçadas dos exames seguir-se-ão outras palhaçadas para distrair o povo.

Os grandes problemas, aqueles que nos aportam o atraso congénito de 50 anos relativamente a qualquer Estado de Direito, é claro que não se resolverão nunca.
Uns resolvem-se por si. O planeta tem uma capacidade estonteante de se reciclar, apesar de nos dizerem que não.
Outros continuam. Nós cá continuaremos firmes e hirtos na cauda das tabelas, quando comparados com quer quem que seja, exceptuando no futebol.
Portanto, de propaganda estamos conversados.
O segundo ponto em que a classe política tuga é excepcional é na capacidade de calinar sem resposta.

«Escolaridade até aos 18 anos» é uma frase magnífica.
Porque o conceito de «escolaridade», em qualquer parte do mundo civilizado, refere-se a um grau académico. Não a uma faixa etária, nem ao peso corporal do aluno.
A Escolaridade obrigatória - que em qualquer país civilizado é o equivalente ao 12º ano - tem em Portugal o único Estado que fica satisfeito quando consegue que os seus cidadãos atinjam o estatuto de «básicos». Com apenas o 9º ano.
Foi aprovado, há anos, um projecto-lei que pretendia que a escolaridade mínima em Portugal se estendesse até ao 12º ano.
À semelhança do que acontece no Zimbabwe, por exemplo, há mais de 20 anos.
No entanto, tal Lei nunca chegou a ser regulamentada, ao que parece, pelo que, ano após ano, não entra em vigor.
É como o acordo ortográfico luso-brasileiro.
Ao reconhecer a impossibilidade de seriamente obrigar os alunos a atingir o 12º ano neste país, a ministra opta por obrigá-los a ficar na escola até aos 18 anos.
É só rir!
Porque não admite, a ministra dos desarrincanços, a obrigatoriedade de os manter na escola até terem atingido, por exemplo, os 60 kgs de peso e 1,75 m de altura?
Os pais agradeceriam...


António Ferro: Volta! Estás perdoado.

Publicado por JoaoTilly em 10:03 PM

julho 23, 2006

Portugal - um estado policial

Não é primeira vez que me debruço sobre o que denomino de «Estado policial».
Portugal vive crescentemente ensombrado por uma cortina de "fascismo cinzento" como lhe chama António Marinho (autoritarismo perfeitamente descriccionário e totalmente ilegal levado à prática nos mais basilares e diversos patamares da vida do país) no pricípio do terceito milénio.
A História far-se-á - disso ninguém tenha dúvida - e o ambiente pidesco que se vive em Portugal, neste momento, será fielmente retratado para que as gerações vindouras percebam que o conceito Liberdade não pode ter sido assassinado com a jovem idade de 30 anos.
Não pode ser.
A verdade é que o autoritarismo que se vive a todos os níveis, na nossa sociedade, hoje em dia, é qualquer coisa que nenhum democrata de Abril poderia prever, apenas 32 anos após o fim, justamente, desse mesmo autoritarismo - que nunca se poderia ter chamado de fascismo - e que pensávamos ter tido o seu fim nessa madrugada de 74.
Mas não.
Por todo o lado, nas escolas, nas repartições, nos locais públicos, já ninguém se atreve a dizer abertamente o que pensa, com medo - essa grande virtude tuga - de que chegue aos ouvidos dos «superiores» qualquer opinião que não seja literalmente lambe-botas ou rigorosamente trombeteira da «situação» vigente.
Ora, o é que é paradoxal é que este regime de trevas modernas é imposto e acalentado por quem o devia banir, com a maior naturalidade, de norte a sul do país.
O governo da propoaganda que temos não é mais que um mero exemplo do que acabo de afirmar. Esta súbita aposentação compulsiva de 2 delegados sindicais na polícia é disso a mais indesmentivel prova.
Não há, na prática, liberdade de expressão para ninguém em Portugal.
Nem sequer fora das horas de expediente.
Instituiu-se, definitivamente, o «delito de opinião».
Um polícia, um funcionário do estado, deixa - como nos anos 50 - de poder ter opinião. Se a tem terá que a guardar para si. Caso contrário, espera-o uma reforma compulsiva ou pior.
É que a PIDE, que antigamente comportava pouco mais de 600 agentes nos seus quadros, foi substituída pelo seu colega de trabalho, o seu vizinho, o seu cliente, o seu amigo.
Deve haver agora mais de 5 milhões de "PIDES" voluntários em Portugal. 10 milhões de orelhas bem levantadas em todo o lado sempre à cata de ouvir qualquer coisa para enfiar nos ouvidos do seu chefe, do seu Senhor feudal.
Para ganhar o quê, em troca?
Nada. Para ficar «bem visto». Apenas e só.
Esclavagismo intelectual voluntário do mais pindérico que há.
Ser escravo do seu Senhor. Isso lhe basta, ao tuga miserável.
Uma côdea, umas tristes migalhas atiradas ao chão pela mão do dono, como recompensa pela sua fétida actividade diária de «bufo» voluntário, é tudo quanto o atrolhado tuga de badeira ao ar almeja.
Depois, é vê-los: os processos disciplinares à força toda.
Nas escolas, por exemplo, onde não se trafica poder sob forma nenhuma, as pessoas fazem todo o tipo de manobras e sinais para contar umas às outras as novidades e as calinadas dos executivos.
Mas falar abertamente? Protestar e expôr as suas razões de forma leal e democrática? Tá quieto!
O medo impede-as de falar natural e abertamente na sala de professores, ou em qualquer outro local dentro das instalações. E até fora delas!
Mas por que raio?
Estamos, acaso, nalguma nova ditadura que eu não tivesse dado conta?
Mas é que estamos, mesmo.
Em Portugal, neste momento, verifica-se que o poder - por mínimo ou até simbólico que seja - é cultivado e protegido até ao limite da própria vida por quem o detém.
A democracia transformou-se, assim, numa forma rudimentar de autoritarismo. Quem conseguiu o poder de modo nenhum aceita largá-lo, a não ser para exercer um cargo de maior relevância social.
Este regime de autoritarismo anti-democrático, próprio de países sem cultura nenhuma - nem democrática nem outra - necessita de um mecanismo que o proteja dos ataques da democracia e da participação livre das pessoas nos seus destinos: é o que faz o costumeiro caciquismo. E fá-lo do modo mais natural, porque consentido e até cultivado pelas suas vítimas - o povo -, que com esta hedionda prática sacrifica, para além da sua inteligência e livre-arbítrio, a própria Liberdade que lhe deram de mão beijada numa manhã de Abril.
Deram-lha. Digo bem. O exército e os Capitães de Abril. Porque este povo tuga, ao longo da sua História de 863 anos, nunca foi capaz de qualquer conquista pelas suas próprias mãos.

Publicado por JoaoTilly em 07:25 PM

julho 22, 2006

Resposta ao Pedro Fraga

Caro amigo:
Só lamento não ter o tempo devido para responder, ponto por ponto, às tuas afirmações, que bem o mereciam. Mas enquanto o meu Macintosh está a renderizar um filme e vai demorar 14 minutos, segundo indica, aí vai o que se pode arranjar nesse tempo.

1 - Os professores têm que ser avaliados. Nunca defendi o contrário.
A questão é que eles já são avaliados hoje em dia., embora de forma incipiente, reconheço.
Basta-lhes frequentar uns cursos por ano com o sucesso mínimo – mas têm que os frequentar – para arranjar os créditos necessários e ainda não “provocarem” grandes conflitos com os alunos, para subirem de escalão.
O método em vigor não é respeitável. Porque os cursos valem zero e nada se aprende de facto com eles.
Simplesmente, neste momento, NINGUÉM SOBE DE ESCALÃO: nem os bons nem os maus professores. E que culpa temos nós que o ministério não seja capaz de modificar o método de avaliação por outro mais eficaz? Enquanto não se aprova um novo, o velho devia vigorar. Em qualquer estado de direito assim é. Milhares de professores não se importam – e que remédio têm… – de se submeter ao novo método. Mas não há novo método nem o velho método está em vigor, agora. Com este truque, do congelamento dos métodos todos, o governo mete ao bolso uns milhares ILEGALMENTE. Os professores cumprem a Lei, o Ministério também tem que a cumprir.
Não te considero um vulgar tuga – senão nem perdia tempo a responder-te – por isso verifica lá se eu tenho, ou não, razão.
O ministério acaba com o velho método sem implementar um novo?
Com que justificação?
Não a tem.
É para poupar. Provavelmente para pagar os 10 estádios de futebol que GuGu mandou construir. Ou a Expo 98 onde GuGu perdeu 5 milhões de contos NOSSOS (fora o escândalo dos paquetes de luxo e do Mar da Palha), e sobre os quais ninguém pergunta nada a Mega Ferreira, que por isso mesmo, deles não dá fé.
2 - A avaliação não pode passar pelos pais. Isso é que é fascismo e salazarismo. Dispenso-me de te explicar porquê. Toda a gente percebe a subversão ao ensino que isso traria. Há milhares de textos e caricaturas na net sobre esse desarrincanço da ministra.
3 – Há professores muito maus. Mas em Portugal a esmagadora maioria dos profissionais são muito maus. Por isso é que somos um país muito mau. Sempre, e cada vez mais, na cauda da Europa. Não é só por culpa dos professores, descansa… Não se faça deles o bode expiatório de todo um país que é um verdadeiro portfolio de mediocridades, onde a incompetência, a inveja e a corrupção imperam a todos os níveis.
A classe política, à qual pertence a ministra, é também a pior da Europa, pois é justamente ela quem nos governa e nos atira para a cauda do 1º e até do 2º mundo, neste momento.
4 – A vergonha do exame do 9º ano a matemática é disso prova gritante. Esse “exame” de matemática foi cuidadosamente antecedido de um filtro que impossibilitava, na prática e à partida, que 50% dos alunos conseguisse nele ter êxito. Aqui ou na China.
Tratou-se de um exame destinado, em primeiro lugar, à interpretação de textos introdutórios aos problemas e, só depois, a questões de matemática pura.
Pelo segundo ano consecutivo, qualquer aluno sem jeito para Português não tem hipótese alguma de tirar positiva a matemática. A maior perversão que vi no ensino em toda a minha vida.
Qual o objectivo? Nitidamente achincalhar os profs de matemática, no sentido de os denegrir, aos olhos da opinião pública, a tal ponto que não lhes deixe moral suficiente para reivindicarem os seus direitos e os direitos dos seus alunos.
O mesmo acontecerá aos de Português – já começou este ano com o dobro das negativas do ano passado – por aplicação de uns critérios de correcção que passaram da balducha absoluta para o rigor absoluto, de um ano para o seguinte.
É, isto, sério?
Não é.
É, como escrevo, uma nítida arma política a fim de dividir os professores, a classe mais desprotegida da Função Pública.
Nada mais.
Nenhuma preocupação com os alunos revela o ministério. Apenas com a poupança de meios e com a intoxicação da opinião pública, o que dá muitos votos.
Mas depois há o reverso da medalha.
Nem tudo corre bem a quem o mal porfia…
Já nem falo dos erros crassos no exame de Física e Química do 12º ano.
Mas todos esses exames foram feitos pelas equipas que a tua BOA ministra arranjou.
E então eu pergunto: como se vão avaliar os professores topo-de-gama que elaboraram esses exames cheios de erros? É que parece que são do melhor que há em Portugal!...
A Nata dos profs!.
Será mesmo essa a nata? Não posso crer. Qualquer um de nós, meros professoreszitos normais de província, a uma primeira leitura, detectamos os erros.
Em que é que eles são melhores que nós?
Nós não cometeríamos aqueles erros, posso assegurar-to.
Cometeríamos outros? – perguntarás.
Talvez. Mas aqueles, não.
E aqueles que eventualmente pudéssemos cometer, não os cometemos. Por isso, temos que nos cingir à matéria factual: os erros dos Grandes Professores, Lentes, Doutorados e Jubilados e o mais que queiras.
Sem falar nos erros ortográficos que vêm nos textos dos critérios de correcção justamente dos exames a Língua Portuguesa!!!
Ninguém acredita!
Uma correctora de exames mostrou-mos e eu vi com os meus olhos. Senão, também não acreditava.
Sem comentários.
Não há um documento vindo do ministério que não traga erros. Pelo menos de pontuação.
Nas Escolas é o mesmo.
Cada documento exposto no placard, cada calinada.

Como queres tu avaliar estes grandes e os outros pequenos professores?

Acabou-se o tempo. Tenho que voltar ao trabalho.
Um abraço
João Tilly

Publicado por JoaoTilly em 06:49 PM

De: Pedro Fraga, a propósito da avaliação dos professores

Caro amigo João Tilly
Estive a ler alguns dos textos que colocaste no teu blog, tendo dedicado particular atenção àqueles que falam da educação. Sendo um assunto que nos levava muito longe e percebendo eu que reconheces que existe um número significativo de docentes, desde o básico ao universitário, que roça o analfabetismo e a “incultura mais boçal”, custa-me a entender que não advogues a Avaliação dos Professores. Não está sequer em causa se a avaliação é aquela que agora é proposta ou outra; o que me parece é que recusas a avaliação “tout court” e falas no descongelamento de Carreiras, termo próprio da função pública que causa arrepios a qualquer pessoa que esteja no mercado empresarial, mesmo sendo empresário e assumidamente de esquerda. O termo Carreira aplicado à função pública é algo que causa suores frios a qualquer utente de um serviço público e é uma mera capa para premiar a antiguidade e não os skills profissionais.
Para quem vive no “mundo real” a carreira até pode (e deve) ser planeada, mas a título individual e em função do que se vale. Ouvir a palavra carreira em empregos “nine to five” (poupem-me à ladainha da correcção dos testes e da preparação das aulas), é algo que me causa uma absoluta repulsa e acho isto muito mais pernicioso que pensar-se e discutir-se se o deputado ganha 3 ou 4 mil euros. Infelizmente, se ganham isso, ganham muito mas muito pouco, pois o objectivo nunca deve ser nivelar por baixo. Aliás, é uma herança muito própria do salazarismo mais bafiento a preocupação que temos com as pessoas que são muito bem pagas por aquilo que fazem. Olhando para o que vejo escrito no blog e só por isso, felizmente não vivo em Seia …
Voltando à Avaliação dos Professores, só temo que, se ela fosse levada a sério, ficássemos com escolas vazias. De professores e não de alunos, claro. Tive até o cuidado de ler duas vezes o teu artigo Greve de Zelo, pois admiti estar enganado. Por um lado, por me parecer que a opinião que aí expressas contradiz em absoluto o que na mesma altura escreves noutros artigos do blog e, por outro lado, porque me pareces estar a apelar a algo que, para muitos dos teus colegas, está em vigor desde o primeiro dia que abraçaram a profissão.

Para finalizar deixo-te uma pequena história que se passou comigo em AGO/SET de 2005. No dia 02/SET de 2005 (6ª) quando viajava da Grécia para Portugal vindo de 8 dias de férias (faço parte do número de pessoas que tem cerca de 10 dias úteis de férias por ano e não 25 ou mais, sendo até daqueles que não percebe o que se pode fazer com 25 dias de férias  se fosse para ler, ainda “vá que não vá”), ouço no banco atrás do meu, duas professoras do ensino público a rebelar-se contra a campanha que havia contra os professores, a indecência que ganhavam em relação a quem trabalho no sector privado, etc, etc. É então que surge a questão assassina feita por uma delas : - Mas então como é que fizeste para estes dois dias (5ª e 6ª) ? - Oh pá, olha arranjei atestado !!! Para quem está na iniciativa privada como é o meu caso, esses foram 2 dias de férias em 10 (e não me queixo); mas atrás de mim vinham dois modelos de virtude já com 45 ou 60 dias de férias “nas pernas” e que ainda recorreram ao “atestadozinho da ordem”. Tenham dó e não me venham falar da regra e da excepção.

Avaliem-nos e já !!! Mas recorram a privados para o fazer. Não avaliem uma corporação através de outra corporação.

Sendo repetitivo mais uma vez e como tu bem sabes, entendo que a culpa tem um único rosto e felizmente caiu da cadeira. Esse sim, o “botas”, que nos fez pequeninos, amigos do expediente rasteiro e muito muito pouco virados para a inovação, para a cultura e para a modernidade. E daí, não temos as escolas que queremos, mas sim o sistema escolar que herdámos e esta ministra é mais uma que vai sair chamuscada em fogo lento, apesar de me parecer ter sido aquela que esteve mais próxima de dizer aos professores o que eles realmente merecem ouvir.
Um abraço.
Pedro Fraga

Publicado por JoaoTilly em 06:45 PM

julho 17, 2006

Os exames do 9º ano

Neste país, para se ser bom a Matemática tem que se ser, primeiro, muito bom a Português.


Depois de mais um interregno forçado provocado pela avaria do meu modem e pela falta de tempo que me vem assolando, aqui vão mais umas achegas ao momento particular do ensino que está a viver-se em todo o país.

O exame de matemática foi, uma vez mais, uma manobra propositada doministério para achincalhar os professores de matemática.
Aquilo tresanda a manobra política. Porque nada tem a ver com matemática e muito menos com o ensino em geral.
Tem apenas a ver com a clara estratégia da ministra da educação, que aposta tudo em dividir a classe mais fraca do país – os professores – para lhe continuar a retirar regalias profissionais, umas atrás das outras, poupando assim uns milhões por mês para continuar a pagar os 10 mega-estádios de futebol de Guterres (porque hospitais continuam a não se construir), penalizando todos aqueles que trabalham, dando o melhor de si próprios, na tentativa todos os dias renovada de levar a Luz do Conhecimento às crianças por essas Escolas fora.

Falo dos verdadeiros professores. Aqueles que dão as aulas.
E não os que estão instalados em cargos partidários – como os 10 mil “professores” que se encontram a «trabalhar» no Ministério da Educação.
Mas os verdadeiros professores que se “matam” nas aulas, quantas vezes a aturar todo o tipo de malcriadices a que as famílias e os conselhos executivos disfuncionais fecham permanentemente os olhos, não têm culpa que o ministério não tenha dinheiro para lhes pagar os salários.

Porque os impostos são-lhes retirados, à cabeça, do seu vencimento.
Aqui não há fuga ao fisco.
Se alguém cumpre, em termos de não fugir ao fisco, neste país, somos exactamente nós, os funcionários públicos.
Não temos hipóteses de arranjar engenharias financeiras, como fazem as empresas, para poupar algum ao fim do mês.
Acredito mesmo que, tirando o funcionalismo público, não haja quem que não fuja ao fisco neste país.
Por isso é mais injusta ainda esta «caça ao prof.» que a ministra da educação decidiu abrir aos professores.
E começou, o ano passado, pelos de matemática.

Recapitulemos:
O ano passado – o primeiro ano em que se realizaram exames no 9º ano em Portugal – os resultados de um deles, intitulado «de matemática», foram tão baixos como a qualidade da classe política dominante deste país.
Porque aquele exame não era «de matemática» em parte nenhuma do mundo.
Era, sim, de «interpretação de textos» – longos – e, no final de uma interpretação difícil, em alguns casos, então sim, era «também de matemática».
Portanto, tratava-se do 2 em 1 costumeiro: era um exame de «interpretação + matemática». Portanto, só chegava a ser de matemática para quem soubesse, primeiro, interpretar o que se dizia e o que se pedia.
O que não acontece com 50% dos alunos, claro está.

Esperava-se que, este ano, a coisa abrandasse e pudéssemos assistir a um exame de matemática pura.
Mas ainda não foi desta.
O exame deste ano foi ainda pior, se bem que mais inteligente.
Duas ou três questões de cá-cá-rá-cá asseguraram a todos os alunos – mesmo àqueles que nem sequer sabiam qual era a matéria – um 2.
Evitou-se, assim, o escândalo do 1 em série do ano passado e conseguiu subir-se a nota média.
Por outro lado, o exame de interpretação foi muito mais complicado a ponto de os próprios professores serem obrigados a ler, por mais do que uma vez, cada enunciado de centenas de palavras, para perceber o que se pedia.
Por exemplo, apenas uma questão em 12 – a número 4 - ocupava qualquer coisa como duas páginas.
Eu não tenho o exame de Língua Portuguesa comigo, mas houve quem contasse as palavras dos exames de Português e de Matemática e – imagine-se! – o de Matemática comporta mais do dobro das PALAVRAS do de Português.
Será isto possível?
Só o é, dada a estratégia do ministério de achincalhamento dos professores, de uma forma geral, bem sabendo que ao vulgar tuga tudo lhe passa ao lado. O que fica é a ideia de que os profs. são baldas.
Objectivo cumprido.

Ora eu condeno liminarmente a estratégia e o tipo de exames que o governo Sócras manda cá para fora.
Porque, como disse no início, bem se vê que se trata de meras armas políticas com um objectivo bem determinado: dividir para reinar.
Se os exames fossem de matemática e mais nada, como deviam ser, as questões seriam directas e os problemas claros.
Isto não quer dizer que as questões fossem menos complexas: longe disso!
Podiam até ter dificuldade superior àquela que se verificou este ano, desde que as questões fossem CLARAS e DIRECTAS e não rendilhadas ou escondidas em orações intercalares que são intransponíveis para a esmagadora maioria dos alunos.

Façam isso a Língua Portuguesa – concordo - mas nunca a Matemática, nem a Físico-Química, onde o que se avalia é o raciocínio lógico dedutivo e não as aptidões linguísticas de descodificação de textos.
Porque é que um aluno tem que ser bom ou muito bom a Português para poder ter um mísero 3 a matemática?
Porque é isso mesmo o que se verifica.
Todos os meus alunos a quem dei positiva, este ano, se tivessem percebido o que se pedia no exame, tiravam de 3 para cima.
E os dos meus colegas também.
Mas bastou esperá-los à saída da sala de exames para facilmente se perceber que a maioria não entendeu muito do que leu e, por isso, deu resposta ao que lhe pareceu e não àquilo que, de facto e no fundo, se perguntava.

Querem a prova do que afirmo?
Informem-se junto das Escolas das vossas Terras e depois digam-me:
Quantos foram os alunos que tiveram negativa a Língua Portuguesa e positiva a Matemática?
1%? Nem tanto!
E todos sabemos que grande percentagem dos alunos tem muito mais aptidão para os números do que para as letras, como é natural em qualquer parte do mundo.
Menos no Portugal Sócriano de 2006.
Aqui, para se ser bom a matemática, pelos vistos tem que se ser simultaneamente muito bom a português.
Estou a dizer alguma mentira?
Investiguem…
E tirem as vossas conclusões.

Publicado por JoaoTilly em 09:59 PM

julho 10, 2006

Há mais vida para além do futebol... ou não?

Acabou-se a bola.

A consequência desta inqualificável mega-intoxicão febril e massiva do povo via fataból, é esta:
Quando a coisa acaba fica o imenso vazio e a inultrapassável frustração para todos aqueles (e foram centenas de milhares) que o sistema conseguiu alienar e a quem incutir que o nosso verdadeiro e único desígnio nacional seria o pontapé no esférico.
Nem esse é, como ficou provado.
Poderá até ser o desígnio Italiano, mas não o Português.
Não restam dúvidas disso.
Mas as televisões lá continuam a vender ilusões ao povão.
E a Estatal é, nisso, a pior de todas.
O noticiário de hoje acabou às 14:13 h. Quase uma hota e um quarto em que mais de 80% foram dedicados ao futebol.
Isto pago pelo bolso de todos nós.
Assim não pode ser.
Assim não se constrói coisa nenhuma.
Nem aqui nem na China.
A auto-estima tuga, que tanto se apregoa e se quer instituir (dava cá um jeitaço a esta cambada politiqueira vigente...), com estes métodos falsos e alienantes fica cada vez mais em baixo.

O país vai agora virar-se para os incêndios, a seguir para as férias, e depois, se ainda houver alguma coisa que mexa, aqui estaremos em Setembro para mais uma rotina anual. Mais do mesmo.
Morreram 6 bombeiros em Famalicão, 5 deles sapadores chilenos.
É o que acontece quando não se conhece bem as características dos terrenos onde se combate o fogo.
Paulo Portas lembrou-se, há uns anos, de meter a tropa a vigiar as matas. Na altura escrevi um artigo a prever um elevado número de mortos e feridos se tal viesse a suceder.
Felizmente alguém o conseguiu demover dessa ideia.
A tropa tem o seu lugar nas estradas. Nunca no interior das florestas, para não ser apanhada no turbilhão de fogo que corta todas as saídas de repente.
Também não se podem largar sapadores nas frentes de fogo, como se provou.
Aquilo é demasiadamente perigoso para se facilitar.
Há uns anos, foi em Armamar.
Ontem, na Guarda.
Para a semana, onde?

Publicado por JoaoTilly em 11:10 AM

julho 02, 2006

A propaganda do governo - Função Pública excedentária? Onde???

Contrariamente àquilo que reiterada e enganosamente afirmam os nossos governantes, os nossos Belmiros, os nossos Medinas Carreira e a «nata» (não se leia nota, por favor) do nosso emergente jornalismo circense protagonizado pelas Fátimas Campos Ferreiras que por aí pululam;
contrariamente ao que os nossos iluminados analistas político/económicos com que diariamente temos de levar na televisão e nos jornais e que adulteram e manipulam com a maior ligeireza os indicadores a seu belo prazer e que, subitamente, tudo parece terem aprendido sobre "Função Pública";
a verdade é que não temos mais funcionários públicos que os demais países europeus com os quais tanto gostamos de nos comparar.

Contrariamente ao que esta gente é paga para debitar ao povo incauto e cada vez mais intoxicado pela tuguice futeboleira, a percentagem de Funcionários Públicos na Europa é bem diferente da mentira que nos vendem todos os dias.
Ora vejamos:
Assunto: PESO DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS NA POPULAÇÃO ACTIVA:
(Fonte EUROSTAT, publicado no Correio da Manhã)


> Suécia .. 33,3%
> Dinamarca ..30,4%
> Bélgica .. 28,8%
> Reino Unido ..27,4%
> Finlândia ..26,4%
> Holanda .. 25,9%
> França .. 24,6%
> Alemanha .. 24%
> Hungria .. 22%
> Eslováquia ..21,4%
> Áustria .. 20,9%
> Grécia .. 20,6%
> Irlanda .. 20,6%
> Polónia .. 19,8%
> Itália .. 19,2%
> República Checa..19,2%
> PORTUGAL .. 17,9%
> Espanha .. 17,2%
> Luxemburgo .. 16%


Não há, ao que se vê, funcionários públicos a mais relativamente ao resto da Europa civilizada.
Há, isso sim, uma distribuição incorrecta que faz com que existam sectores em déficit de funcionários enquanto noutros os há em excesso.

Por exemplo, a reforma da administração pública deverá começar por mudar a triste realidade TUGA em que cada ministro (deste e dos anteriores governos) tem, ao seu serviço pessoal e sob as suas ordens directas, uma média de 136 pessoas (entre secretários e subsecretários de estado, chefes de gabinete, funcionários do gabinete, assessores, secretárias e motoristas) e 56 viaturas: estamos a falar de CINCO vezes mais do que o que se verifica na Europa.
Só o Ministério da Agricultura tem mais funcionários do que agricultores há em Portugal.
O Ministério da Educação - outro exemplo - tem 10 mil professores nos seus quadros.
Para quê?

Ora é evidente que muitos dos "respeitados" analistas - todos eles ligados ao mundo empresarial - defendem a diminuição a todo o custo dos funcionários públicos para que as empresas privadas em que, directa ou indirectamente têm interesses, possam ser contratadas para depois fazer os serviços costumeiros de "Outsourcing"!

Se serviu para alguma coisa o «Prós e Contras» da RTP de 22 de Maio passado, foi para que se visse claramente que quando as comadres se zangam, começam a saber-se as verdades. E a que saiu desse programa foi que temos uma comunicação social corrupta e ao serviço de quem tem muito dinheiro.
Que grande novidade!
Mas para a maioria do povão bem intencionado, o boca-aberta de cachecol e bandeira às costas, até é!
Neste programa, a ideia que mais uma vez a comunicação social vendeu à opinião pública (a qual foi repetidamente bombardeada pela Fátima Campos Ferreira e seus usuais convidados) foi a da necessidade imperiosa de 200 mil despedimentos na função pública.

No entanto, como acima está demonstrado pelas estatísticas europeias, resulta claro que somos o 3º país da U.E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.

Assim se informa e se faz política em Portugal.

Publicado por JoaoTilly em 11:10 AM

julho 01, 2006

BRIGADINHO MILU RODRIGUES

(para se ler à ALENTEJANÂ... TÁ A VERI?)

À nossa MILU RODRIGUES,
MINISTRA DA EDUCAÇÃ:
Por mais que tu te empertigues
Tens em mim um grande "fã".

Te imagino a "despachari"
E parte-se-me o coraçã;
Parece que vai rebentari:
Com tanta "substituiçã"!

Tua bela e doce bocâ
Nessa face tã altivâ
Que peninha nã ser mouca:
"componente nã-activa"...

Tê nariz arrebitadoo,
De pôres "os pontos nos isje",
Já tava mais que quebradoo
Se fosse noutro paíje.

Ê Sô tímido, Mariâ
E cuidadosoo no trato,
Senã bem colocariaa
No cacifo o teu retrato...

E se a foto num cacifo
visibilidade não meti,
Num dia de grande pifo
Vai decorar a retreti.

Mas aqui quero deixar-te
O mê apreço e agradoo
P'lo que tens modificadoo
Na Escola em toda a parte

Antigamente ensinari
era chato, dava azia...
Nã dava para conversari:
Sala de profs vazia...

A Escola era um fastio
de um e de outro lado.
Ninguém se via parado
A olhar para o vazio.

Com este corte profundo
Que a ministra foi fazeri
A Escola passou a seri
O melhor sítio do mundo!

Antes era um saltinho,
Dava as aulas, e saía.
Hoje estão lá todo o dia,
Mas ninguém faz um pelinho...

Longas horas de lazer
"sala de profs", sentado,
Não há nada para fazer...
Namora-se um bom bocado!

Conhecem-se umas colegas
Que vieram desterradâs
De Faro, Braga ou Xabregas
E dã-se-lhe umas cantadas...

Elas querem é curtir
Shots, dança, grão-na-asa
Fim de semana é pa casa
De resto... é até partir!

E há que aproveitar
Que isto agora são 3 anos
Maridos a trabalhar
E elas a engatar manganos.

Não se podem condenar
Que esta vida é muito dura..
Quando têm que ir a casa
É uma autêntica tortura.

O que vale é que depois
É mais de um mês sem lá iri
Ficam lá em casa os mansos
Que elas cá... é sempre a abriri!

De tarde, é descomprimiri
À noite é que é mais dorido;
Passo as manhãs a dormiri,
E ando, aqui, todo partido...

Com tamanha animaçã
E tão pouco descansari
A Escola é só de Verã
E o trabalho? Nem pensari!

Publicado por JoaoTilly em 10:47 AM

Grande Caminheiro desmente que a frequência da rádio está a "romper" por aí...

Eduardo Brito desmentiu ontem os rumores que por aí proliferam, afirmando que «ainda não se sabe nada sobre a disponibilização da frequência de Seia a concurso».
Disse não ter conhecimento de nenhuma decisão oficial nem oficiosa, pelo que os rumores sobre essa disponibilização num futuro imediato carecem de fundamento.
Deu, inclusive, a entender que receia que o assunto não se resolva a curto prazo, infelizmente.
Não nos resta alternativa senão esperar.
Para quem não está a par destas matérias, A RBA perdeu a sua licença em 2001 e desde então não há rádio em Seia. O processo tem-se arrastado nos tribunais com o recurso do Porta da Estrela no sentido de tentar recuperar a licença perdida.
Mas a verdade é que parece não haver dúvidas de que neste momento o processo terá mesmo chegado ao fim. Todos os sinais vão nesse sentido.
Não se percebe, por isso, a razão da demora da colocação da frequência a concurso (ou da sua reatribuição à editora que a detinha).

Publicado por JoaoTilly em 09:30 AM