junho 29, 2006

Bronca da Grossa na última Assembleia Municipal

Afinal, o ponto principal da AM do passado dia 26, a votação para a lista única à GAMVIS (Grande Area Metropolitana de Viseu) acabou por dar barraca da grossa...
Segundo o que eu consegui apurar, a votação da AM de Seia foi considerada nula, porque os Presidentes das Juntas não podiam votar!
Pergunta-se:
O que estará a fazer ali aquela Mesa, doutamente presidida pelo dr Pina Moura (desta vez apareceu!)?
Convoca uma AM, que custa mais de 1200 contos, para depois mostrar a todos os nossos concelhos vizinhos que nem sequer leram o documento que os obrigou a convocar a AM?
Ninguém acredita nisto...

Só por aqui, mesmo!

Publicado por JoaoTilly em 11:30 PM

A frequência da rádio de Seia - 93.6Mhz está aí a romper...

Mais dia menos dia a notícia será oficial.
Por isso o anúncio do Grande Caminheiro na última AM: «que ia pessoalmente empenhar-se na resolução do problema da rádio».
Quando a esmola é muita...
Alguém duvida que ele já tivesse a mesma informação que eu tenho?
Uma parte interessada até já sabe disso, porque já foi notificada para pagar as custas, pelo que o processo já chegou ao seu fim. Mas cala-se muito bem caladinha, à espera de mais uma jogada, a ver se lhe calha alguma coisa, à boa moda do que se faz por aqui.

Entretanto isto vai aquecer... porque há pelo menos 2 grupos interessados em concorrer à frequência.
Tal foi notório na última AM.
Agora é assim: uma rádio, para se construir de raiz, hoje em dia, custa mais de 30 mil contos. E dá prejuízo.
Não há nenhuma que dê lucro.
Pergunta-se, pois: porquê esta sede compulsiva de se possuir uma rádio subitamente?
Dá-me ideia que ainda vamos ver transformar um dos jornais do regime num feroz opositor ao poder instalado... ou talvez cheguem a acordo...
Quem sabe lá?

Publicado por JoaoTilly em 11:26 PM

O PS prepara-se para apresentar o seu regimento para a AM

...que pretende cortar a voz à bancada do PSD.
Percebe-se porquê.
Porque somos infinitamente mais activos que eles.

Com a regra da proporção de tempo relativa à votação na eleição anterior, o PSD ficará com meia dúzia de minutos para falar na AM.
Nem sequer dá para apresentar um projecto em condições.
Agora:
Eles não têm culpa. Fazem o seu trabalho, prejudicando o nosso.
E o PSD?
Onde é que está o trabalho do PSD?
É que o regimento, a que todos nos sujeitamos, devia ser elaborado em conjunto pelos partidos com assento na AM.
Era o mínimo que se poderia exigir!
Para que todos os deputados se sentissem confortáveis nos seus papéis.

Mas como o PSD de Seia não dá sinal de vida e os auto-intitulados "líderes" da bancada só servem para isso - para que alguém os chame de "líderes" da bancada - cá continuamos a levar para tabaco.
Como sempre.
Eles lá vão fazendo o seu trabalho de formiguinha, à maneira deles, a pouco e pouco anulando aquilo em que nós somos nitidamente superiores.
Daqui a 3 anos ficam outra vez com os votos... e nós ficamos com os "líderes".

Publicado por JoaoTilly em 11:14 PM

junho 28, 2006

Uma nova estratégia, uma nova atitude construtiva!

«INTRODUÇÃO»:

como ante-ontem dizia, na Assembleia Municipal, há 3 tipos de políticos em Portugal:

1 - Os que tudo fazem para benefício da sua Terra;
2 - Os que tudo fazem para benefício do seu partido;
3 - Os que tudo fazem para seu próprio benefício.

O que se passou, uma vez mais, ontem, traz à evidencia que o nosso pequeno grupo parlamentar não pertence à terceira categoria.
E é infinitamente mais activo, trabalhador, eficaz e profícuo que o da maioria.

De 11 deputados que éramos, 7 usaram da palavra para denunciar assuntos da maior importância.
Dois deles tiveram mais que três intervenções.
Sobre todos os assuntos discutidos, a nossa bancada prova ter opinião própria, estar informada, sensibilizada e unida em torno do principal e mais nobre objectivo: lutar pelo progresso e desenvolvimento do nosso Concelho.

Na bancada da maioria apenas um único e desgarrado deputado está incumbido de sair ao beija-mão, defendendo a CMS em tudo quanto ela faz, e o que não faz, e o que anuncia fazer.
Novas e importantes vozes discordantes se fazem surpreendentemente ouvir, na bancada da maioria, muitas vezes chegando até mais longe, em muitos assuntos, que nós.

É mais um sinal de que temos razão.

Entretanto, a nossa bancada tem provado que existe muito maior Qualidade argumentativa no lado da oposição do que no da maioria, o que tem obrigado a reconhecimentos sucessivos de que temos razão em muitas questões levantadas.


«MAS ONDE É QUE ELE ESTÁ?»

Vem isto a propósito do inesperado silêncio do mais destacado parlamentar que o PS tem, digno desse nome, na sua bancada.
André Figueiredo, inexplicavelmente (ou talvez não) está apagado.
Não fala, não vem a terreiro defender a sua Dama (ou o seu Senhor) de maneira que aquela bancada está transformada numa sombra do que já foi.
Isto não é polítiquice barata: é a pura realidade.
Quem lá está comove-se com a falta de argumentação da maioria.
Com a manifesta falta de quem ali apareça a dizer alguma coisinha que convença quem o ouve.
Hoje em dia, ou se assiste ao inqualificável beija-mão, apenas visto em sociedades esclavagistas e feudais, ou é o velho rol de frases feitas o mais pedantes que imaginar se possa, absolutamente vazias de conteúdo e que metem tanta impressão a quem as ouve como a triste figura que faz quem as profere, à espera de alguma réstea de aceno de cabeça de quem já o pôs fora do campeonato há séculos.

Chega-se ao ponto da própria bancada censurar moções de um seu militante porque provavelmente esta entraria em choque frontal com o que já está decidido superiormente.


André Figueiredo, de longe o melhor parlamentar do PS (há quem diga que é o único, mas eu também não sou assim tão radical), a tudo assiste, tudo vê e a tudo cala.
Porque será?

Talvez porque o tal «afastamento» a que Eduardo Brito aludiu, se aplique melhor ao que se passa com André do que com o João Tilly.
Que não vive de politiquices e apenas quer ver a sua Terra desenvolver-se.
André deixou de intervir, não diz nada e, por isso, a sua bancada hoje mais parece um gigantesco saco de boxe onde os poucos mas cultos e denodados deputados do PSD se treinam com vista aos futuros combates que se avizinham.


«UMA NOVA ATITUDE»

Que são grandes, e é chegada, de facto, a hora de o PSD provar o seu valor, propondo as suas alternativas à política em vigor.
Isso é que é democracia e isso é que é bonito.
O PSD tem que evoluir da simples denúncia do que está mal, para as propostas e projectos que, na nossa opinião, serão de apresentar rapidamente, para bem do nosso Concelho.

Nesse sentido estão a seguir cartas minhas dirigidas aos nossos companheiros de bancada no sentido de os exortar a darmos o passo em frente e sairmos deste patamar de intervenção para um outro muito superior e activo.
Já provamos que somos muito melhores a argumentar e a defender as nossas teses.
Agora há que os ajudar para construirmos TODOS um futuro melhor.
Porque vamos estar mais 3 anos na oposição e não podemos esperar sentados 3 anos. A situação de Seia e do seu Concelho não o permite.
Não podemos continuar a assistir, impávidos e serenos, de braços cruzados, à desertificação do Concelho, só para depois apontarmos as culpas a Eduardo Brito.
Pode ser muito conveniente essa estratégia para alguns, que gostam muito de criticar e nada de construir, mas EU REAFIRMO DAQUI QUE A REJEITO LIMINARMENTE!!!
TEMOS QUE DAR O NOSSO CONTRIBUTO POSITIVO PARA O DESENVOLVIMENTO DO CONCELHO.
QUER OS "LIDERES" partidários queiram, quer não.
Como diz Eduardo Ambrósio, mais 3 anos têm que me gramar. Depois é provavel que não me convidem mais. Mas eu recuso-me a ficar inactivo e ver o meu concelho definhar à espera que depois o próximo candidato me convide para mais 4 anos de mandato na AM.
Para quê?
Quero lá saber disso!


Ajudar o executivo é ajudar o Concelho.
Apresentando propostas nossas, em vez de sistematicamente apenas lhe fazermos frente, contribuiremos para um Concelho melhor e colocaremos a batata quente nas mãos da bancada da maioria:
- se aceitarem as nossas propostas, elas têm autor e te-lo-ão sempre.
- se as não aceitarem, terão que deixar de nos acusar de sermos apenas uns «bota-abaixo».

Este é o desafio que se nos depara.


«UMA NOVA ORGANIZAÇÃO INTERNA»

Para que esta NOVA ATITUDE tenha sucesso, existe a necessidade de nos organizarmos, a partir de agora, por forma a apresentarmos as NOSSAS PROPOSTAS conducentes ao desenvolvimento do nosso Concelho:
No âmbito do Emprego, articulado com o do Turismo, por exemplo, podemos apresentar vários projectos alargados de incentivo a esta nobre e esquecida indústria turística, alguns deles já em fase de implementação, como o Portal de Turismo da Serra da Estrela (www.portalserradaestrela.com) – o maior catálogo interactivo de Turismo em Espaço Rural (TER), que conta já com mais de 100 assinantes e 43 mil visitas.
Actividade esta que será contemplada com muitos milhões de euros, no próximo QCA.
A ele se poderão associar muitas outras iniciativas, que a seu tempo se publicitarão e apresentarão, por forma a dotar o nosso concelho de oportunidades de visibilidade e enriquecimento na área crucial do Turismo, oportunidades essas que, até aqui, têm sido sucessivamente perdidas ao longo dos anos.


Iniciativas destas cavarão uma profunda confusão no seio da bancada adversária, à qual, se quiserem ser honestos, não restará alternativa senão apoiar-nos nestes importantes projectos, connosco trabalhando para que esses projectos sejam optimizados.
Este trabalho de construção, que proponho suceda ao que temos desenvolvido até agora (e que se tem limitado apenas à denuncia de situações menos correctas), não poderá, no entanto, ser implementado com eficácia sem que uma grande coesão e toda a informação em tempo real circule entre nós, deputados do PSD na AM de Seia.

Temos que começar a trabalhar segundo linhas de força concretas, projectos de intervenção discutidos e aprovados por todos; e seguindo linhas de actuação perfeitamente estabelecidas e inatacavelmente coerentes.

«UM PORTA-VOZ HUMILDE E COMPETENTE EM VEZ DE UM «LIDER» ARROGANTE E LEIGO»

Necessitamos de uma articulação e de um agente aglutinador que nos una em torno desses projectos e ideias de fundo a apresentar à CMS e à AM.


Nesse sentido proponho que, até à próxima Assembleia, do final do verão, todos os nossos deputados contribuam para uma remodelação profunda no seio do nosso pequeno mas activo Grupo Parlamentar, se queremos ir mais longe e marcar a História do nosso Concelho.

Essa remodelação começa pela eleição de um novo porta-voz – e nunca um líder! – que sistematicamente nos apresente e discuta connosco projectos nestas e noutras áreas fundamentais para o desenvolvimento do nosso concelho.

Um porta-voz que ausculte a opinião dos deputados e do Partido sobre os assuntos a tratar, depois de debatidos e aprovados, antes de os levar, perfeitamente articulados, à AM.

Mas um porta-voz COM CREDIBILIDADE política.
Alguém que, de cada vez que abra a boca, não seja imediatamente ridicularizado por toda uma Assembleia, nem o venha a ser sucessivamente nos jornais.
Um porta-voz que seja um especialista, em vez de um leigo, em cada matéria que aborde.
Um porta-voz que coordene o trabalho da abordagem dos assuntos mais importantes do concelho, e não se perca com ressabiamentos pessoais por assuntos não resolvidos a contento, no passado.
Porque isso descredibiliza e praticamente anula o impacto do nosso importante trabalho.

No nosso concelho, precisamos de quem trabalhe arduamente em prol do bem-estar das populações.
Não de quem sistematicamente se coloque em bicos de pés, na procura mal disfarçada de protagonismos bacocos e na tentativa permanente da auto-promoção à custa de um Partido ou de uma Instituição.
Disso, já por cá há muito.

Um Partido que não “desça” ao povo todos os dias (é propositado este abuso linguístico), não tem credibilidade para depois, de quatro em quatro anos, lhe pedir o voto.


É por isso que lanço o repto a todos os meus companheiros de bancada para que avaliem esta estratégia.
Se acham que é este o caminho a seguir, exijam a eleição desse porta-voz, no seio da bancada do PSD.
Não há regimento aprovado na nossa bancada, pelo que, como não ganhámos as eleições, ninguém pode ser guindado à categoria de «líder» (veja-se bem este absurdo quando depois se tenta afirmar que «apenas queremos servir»!) apenas por ocupar o 1º lugar na lista que apresentámos a sufrágio.

É assim que acontece na Assembleia da República, em que o porta-voz é escolhido de entre e por todos os elementos da bancada e nunca imposto aos colegas.
Pode até ser proposto pelo Partido, mas nunca imposto aos parlamentares.


Eu considero, por exemplo, que o concelho, a bancada e o partido muito teriam a ganhar se esse porta-voz fosse o companheiro Nuno Almeida.
É ele quem melhor conhece o partido desde a juventude aos seniores.
E há muito tempo.
Conhece bem Seia e o nosso Concelho, tem ideias próprias perfeitamente consubstanciadas num conhecimento profundo da realidade do Concelho, e é um óptimo parlamentar ponderado e assertivo nas afirmações que faz.
Ontem, como viram, em todas as intervenções brilhou muito acima de qualquer deputado socialista.

Estou certo que, se ele aceitar coordenar a nossa bancada, Seia e o PSD muito terão a ganhar relativamente à organização e implementação de projectos que temos para apresentar aos senenses.


Quem concorda com esta estratégia (independentemente do nome do Porta-Voz), deve fazer chegar a sua voz a quem de direito.
Quem não concorda, que o faça também. Em democracia ninguém sai derrotado.
Só é derrotado quem desiste de lutar.
E tenho a certeza de que falo por todos os parlamentares sociais-democratas quando afirmo que nenhum de nós desistirá de lutar pelo Concelho de Seia.


Publicado por JoaoTilly em 04:21 PM

BANDEIRAS DE PORTUGAL NAS JANELAS

Cá por mim, vou pôr uma Bandeira na janela, quando:


- Portugal deixar de ser o país da Europa com maior indice de abandono escolar, analfabetismo e corrupção
- Em Portugal, ninguém que trabalhe ou queira trabalhar ou tenha trabalhado toda a vida, ou que não possa trabalhar, passe fome.
- O desemprego não for um designio nacional.
- A classe política deixar de ser maioritáriamente composta por incompetentes patéticos - Se construirem menos Centros Comerciais maiores da Europa do que Centros de Saúde, Hospitais, Escolas e Infantários.
- Na ESBAL, os alunos não tenham que ir para as aulas com um balde, para apanhar a àgua que escorre dos tectos.
- Não se tiver que retirar os pianos de uma sala de uma Escola Superior de Música, porque o chão ameaça ruir.
- Os morangos com açúcar sejam exclusivamente uma sobremesa.
- Acabar a pouca vergonha do Estado (com o dinheiro dos cidadãos) gastar 3.500.000€ com transportes dos Deputados e milhares de cidadãos não terem dinheiro nem para comprar o passe.
- As crianças e os velhos forem tratados com dignidade, pelos pais, filhos, professores, educadores, instituições e políticos.
- Os papás ensinarem as crianças que os Professores devem ser respeitados.
- Todos os professores forem competentes.
- A polícia deixar de fingir que não vê as lutas de pit-bull nas diversas Trafarias do País, bem como as corridas a 250 Km/h em várias Pontes Vasco da Gama do País, às 6ªs feiras à noite.
- As televisões entenderem que, ao transformar os Incêndios em grandes espectáculos de variedades, estão a transformar os incendiários em realizadores e produtores de grandes programas de televisão, o que os enche de vaidade e é altamente motivador.
- Se investigar como é que aquele senhor arranjou dinheiro para comprar o Ferrari.
- A violência doméstica, a pedofilia,a violação e todos os crimes cometidos contra crianças, forem punidos com 50 anos de cadeia.
- Os novos submarinos forem trocados por equipamento para apetrechar condignamente todos os hospitais e escolas do país, e com o que sobra, se comprar tractores e traineiras.
- Os Portugueses perceberem que as figuras do CONTRA-INFORMAÇÃO, não são caricaturas, mas o retrato fiel das pessoas retratadas.
- Os bébés das mães portuguesas deixarem de ir nascer a Badajoz.
- A selvajaria anual de Barrancos acabar por falta de espectadores.
- Os jornais, revistas, programas de rádio e de televisão, chamados de desportivos souberem que para além do futebol, se praticam mais 347 outros desportos e que, mesmo no futebol, há outros Clubes além do Sporting, Benfica e Porto.
- Não houver 19 causas nº 1 de morte em portugal, conforme o idiota que estiver na altura a ser entrevistado na televisão ou na rádio.
- O Joel Costa, que faz crónicas na Antena 2, for condecorado no Dia de Portugal, em vez do Mourinho.
- Não houver ninguém a afirmar que há 700.000 portugueses com reumatismo, 1 milhão com asma, 500.000 impotentes, 350.000 c/ osteoporose, 800.000 c/ transaminase pélvica, 430.000 c/ tuberculose, 685.000 c/ deficiência renal, 6.780.000 c/hipertensão, 2 milhões c/sinusite claustrofóbica, 843.000 c/ panaríceos isquémicos galopantes, 2.400.000 c/ problemas auditivos, 300.000 com hérnias discais, 210.000 c/ béri-béri abdominal, 780.000 c/ diversos tipos de cancro 600.000 c/ hipersíase traqueovisceral crónica, para preocupar as pessoas com a prevençao e os médicos cobrarem 80 € por consulta.
-Não houver nenhum 1º Ministro que tenha a lata de de abandonar o País à má fila, em plena crise, para ir sôfregamente atrás de um qualquer tacho mais aliciante.
- A gripe das aves não tiver direito a mais do que 1 minuto de tempo de antena, por mês, incluindo a informação de que morreram 1 indonésio e 2 chineses, quando nos 5 segundos que demorou a noticia, moreram mais de 700.000 pessoas com outras 250 doenças e 300.000 crianças morreram de fome, de malária e de cólera em África.
- Nenhum governante tiver o desplante de dizer que “abriu a época oficial de incêndios”.
- O nº de óbitos motivados por incompetência ou negligência médica for zero.
- A TVI encerrar por total falta de audiência.
- O Estado, e os homens do espectáculo, pedirem desculpas públicas, póstumas, ao José Viana.
- A população não eleger para Presidentes de Câmara indivíduos fugidos à justiça.
- A maioria dos Jornalistas souber falar e escrever português, e deixar de fazer constantemente perguntas idiotas aos entrevistados.
- Houver, no estrangeiro, tantas pessoas que conheçam o Eusébio, o Figo, o Cristiano Ronaldo e o Mourinho, como o Camões, o Prof. Agostinho da Silva, O Maestro Vitorino de Almeida, O Prof. Vitorino Nemésio, o Fernando Pessoa e muitos, muitos outros que nunca deram um pontapé numa bola.
- Houver tantos Portugueses que sabem quem são a Maria João Pires e a Helena Vieira da Silva como os que sabem quem são o Pinto da Costa, o Valentim Loureiro, o Luis Filipe Vieira, o Manuel Goucha, a Cátia Vanessa, o Abrunhosa, a Júlia Pinheiro, a Quicas Vanzeler, e o Mantorras.
- As Helenas Vieira da Silva não tiverem que emigrar para fazer carreira em países civilizados.
-O peixe não chegar às mesas de quem o pode comprar 10 vezes mais caro do que foi vendido nas lotas, para que mais pessoas o possam comer e menos intermediários se possam encher.
-Os caçadores deixarem de, sistematicamente, abandonar os cães, no fim da época da caça ou forem presos se o fizerem.
- Os autores dos programas infantis de televisão perceberem que uma criança não é um atrasado mental.
- Os pequenos e médios Empresários Portugueses não comprarem o 2º Mercedes e a casinha no Algarve, antes de pagarem os ordenados que devem aos Trabalhadores, as Facturas que devem aos Fornecedores, e as contribuições que devem à Segurança Social e ao Fisco.
- Os projectos Aeroporto da Ota e TGV tiverem sido unicamente brincadeiras de mau gosto.
- O Estado e as Câmaras Municipais pagarem os milhões que devem aos Fornecedores e outras Entidades credoras.
-Se o Estado for condenado a pagar indemnizações, devidas a erros cometidos pelos Governantes individualmente, elas sejam pagas do bolso desses governantes responsáveis e não pelo Estado, pois o dinheiro do Estado é de nós todos e não fomos nós que fizemos a asneira.
- Os alunos dos diversos graus de ensino, passarem de ano por terem tido notas para isso e não porque os papás apresentaram recursos idiotas e os Professores e os membros dos Conselhos Directivos tenham medo de perder o Emprego.
- As milhentas estações de rádio e as televisões, que só divulgam Anjos, Batnavó, Clãs, Papaossos, Toutaver, Andacáquésminha, Blindtreta, Tarantantan, Fuckyou, Put your finger in my ass, Alex’s e Toni’s, Magdas Vanessas, Cátias Tampinhas, Carlas Bzz e mais 3.500 grupos e “artistas” da nossa praça, utilizarem 10 minutinhos por dia a divulgar a música dos Mozarts, dos Beethovens, dos Schuberts, dos Tchaikovskys, dos Verdis, dos Puccinis e de mais 50000 compositores que se entretiveram, no seu tempo a fazer música (a musiquinha ainda não tinha sido inventada) e os Gershwin’s, os Bernsteins, os Casals, os Rodrigos e muitos outros que fizeram música, mesmo depois das musiquinhas terem sido inventadas.
- Nenhum ministro, nenhum professor, nenhum jornalista disser tênhamos ou póssamos.
- Não for possível ouvir no noticiário de uma rádio uma “jornalista” dizer frases como esta: “A Câmara de Lisboa tem um projecto para a construção de um viaduto sobre o bairro da Graça, para facilitar o tráfico no local”, ou outros 500 dizerem que “Um batalhão da GNR vai para Timor, sobre o comando do Major Lopes da Silva” ou outros 1500 dizerem : “O Ministro Lopes da Silva foi um dos primeiros que chegou ao local do incêndio”.
- Não for possível assistir ao espectáculo degradante, porque hipócrita, de ver candidatos a eleições, nos Mercados a dar beijinhos às peixeiras (óbviamente, na maioria dos casos, completamente enojados).
- Não for possível assistir ao espectáculo deprimente, com direito a transmissão em directo pela televisão, de um 1º Ministro ir a Troia, com toda a comitiva, para a varanda de um apartamento alugado e pago com o dinheiro dos nossos impostos, carregar num detonador faz-de-conta (de cartão e esferovite), para teatralizar a implosão de um prédio abandonado, como se se tratasse do lançamento de uma nave para a lua, com 3 astronautas portugueses a bordo.
- As obras públicas, que são pagas com o nosso dinheiro, deixarem de custar sistemáticamente mais do dobro do que foi orçamentado e adjudicado e que a palavra “derrapagem” seja substituída pela palavra “roubo”.
-Nas greves, deixe de ser possível, sistemáticamente, o Governo ou as Administrações das Empresas dizerem que houve uma adesão de 15% e os Sindicatos dizerem que a adesão foi de 95% (um deles, ou os dois, estão a fazer de nós, palhaços).
- Os Polícias não tiverem medo dos Ladrões, os ladrões tiverem medo dos polícias e os cidadãos normais não tiverem medo dos polícias.
- Figuras ridículas do tipo Zés Castelo Branco, Cinhas e outros Jardins, Lilis Caneças e mais 5.000 figuras destas que aparecem na televisão e nas Revistas, bem como os Editores das mesmas, estiverem internadas em Unidades de Saúde Mental.
- Os médicos fizerem greve para obrigar os Governos a dar condições de assistência digna aos cidadãos, em vez de as fazerem exclusivamente por motivos de dinheiro.
-Os professores fizerem greve para obrigar os Governos a transformar o ensino numa actividade digna para eles e para os alunos e não só por motivos de dinheiro e outros interesses pessoais.
- Os Trabalhadores e os Médicos que validam baixas fraudulentas, forem presos.
- As Empresas deixarem de adulterar as Contas, para fugir ao Fisco.
- Os Professores Fernandos Páduas e outros derem uma trégua às campanhas histéricas anti-tabaco e começarem uma campanha anti-alcool, que é incomparavelmente mais prejudicial à Sociedade do que o tabaco (mesmo que eles bebam que nem esponjas).
- As áreas de serviço das auto-estradas deixarem de ter clientes, por as pessoas não gostarem de ser escandalosamente exploradas.
- Não houver mais telemóveis topo de gama do que cidadãos.
- Todos os comentadores da bola que debitam verdadeiros tratados de futebol na televisão e na rádio e escrevem nos pasquins, forem contratados para treinadores dos maiores clubes, pois só assim esses clubes podem ser todos campeões.
- Os médicos deixarem de se pavonear nos corredores e nos bares dos hospitais, com o estetoscópio pendurado ao pescoço, pelo mesmo motivo porque os informáticos não andam com o rato, as costureiras não andam com a fita métrica, os boxeurs não andam com as luvas de boxe, os jogadores de snooker não andam com os tacos e os bombeiros não andam com as mangueiras.
- Os milhentos dirigentes das milhentas Fundações, fizerem alguma coisa útil, além de receber o ordenado.
- Não for verdade que os Deputados faltaram em massa ao trabalho para irem passar um fim de semana prolongado ao Algarve e isso ser a coisa mais natural da vida.
- Nenhum médico operar o pé esquerdo, são, de um doente que tinha um problema grave no pé direito e, no fim, justificar-se com: “até foi bom, porque assim, já não vai ter o problema no pé esquerdo” sem ser imediatamente expulso da Ordem dos Médicos.
- Só houver palhaços nos circos.
- A Publicidade enganosa levar os anunciantes à prisão.
- Os projectos de construção forem efectuados por Arquitectos e Engenheiros, e os construtores civis só tratarem da construção.
- Se souber o resultado de UM SÓ dos inquéritos que se diz terem sido levantados a diversas figuras públicas e Entidades oficiais, pela presunção de diversos crimes.
- Nas clínicas privadas a grande maioria dos partos deixar de ser feita por cesariana com data marcada, porque uma cesariana factura muito mais e dá muito mais honorários ao médico, do que um parto natural.
- As jóias, os Rolls, os Ferrari, os Maserati, os Porshe, os Veleiros, os Rolex, os telemóveis topo de gama, as lagostas, o caviar, os visons, etc, forem taxados a 500% de IVA, os automóveis de 1000cc, a 5% e as batatas, o arroz, o azeite, o leite, o açúcar, a fruta, as couves, o pão, os ovos, os frangos, e os transportes públicos, a zero.
- Encontrar num restaurante ou num café em Portugal, mais empregados portugueses do que brasileiros.
- Os fumadores, que querem deixar de fumar, perceberem que os medicamentos e produtos anti-tabaco que apareceram, de repentente, no mercado, como barabuntas e que custam balúrdios, são óptimos para enganar os papalvos e encher os Laboratórios ainda com mais lucros.
- O futebol voltar a ser um desporto.
- Os nossos deficientes que vão aos Jogos Paralímpicos, não precisem de andar previamente a fazer peditórios públicos para arranjarem dinheiro para as despesas de deslocação aos mesmos e tenham direito a ser falados em caixa alta, nos jornais, nas rádios e nas televisões, quando estão a competir e quando regressam, carregados de medalhas (ou não).
- No dia da partida para o Rali LISBOA-DAKAR, a 1ª página d’A BOLA (que tem a lata de se chamar de jornal desportivo), não seja totalmente preenchida com uma fotografia gigante do Nuno Gomes e o título “O HOMEM DO ANO”.
- As ementas dos restaurantes no Algarve estiverem escritas em português.
- Entre os indivíduos que têm poder para instalar sinais de trânsito, não haja nenhum pateta.
- Ninguém for ao aeroporto, à chegada da selecção nacional, eliminada do campeonato do mundo, só para ofender selváticamente o seleccionador nacional.
- Nas escolas de condução se ensinar as pessoas a conduzir, em vez de ensinar a fazer inversão de marcha, a arrumar o carro e a não deixar o motor ir a baixo.
- Os Joões Pintos, os Sabrosas, os Decos, que proliferam no futebol português. apanharem 20 jogos de suspensão, cada vez que simulam um penalty, da mesma forma que quem rouba uma carteira vai preso.
- Os meus filhos e todos os outros Portugueses da sua geração, poderem planear a vida a mais de 3 meses e os meus netos e os dos outros Portugueses, tiverem alguma perspectiva de viver um futuro com dignidade.
- E por fim, quando alguem conseguir uma consulta de Oftalmologia no Hospital Egas Moniz e espere menos de um ano por ela.


No dia em que tudo isto, ou quase tudo isto, acontecer, juro que ponho Bandeiras de Portugal bem grandes em todas as janelas da minha casa (se ainda tiver casa, se a casa ainda tiver janelas e se Portugal ainda existir).

Mesmo que a selecção NÃO SEJA apurada para o Mundial de Futebol!
Que isso é o que menos diferença faz aos portugueses.

Até lá, fico recolhido em casa com as janelas bem fechadas, cobertas com cortinados bem opacos.

Um Cidadão profundamente envergonhado.

Publicado por JoaoTilly em 08:19 AM

junho 27, 2006

A necessidade da criação do boletim da Assembleia Municipal

1 - Porque os assuntos tratados em cada Assembleia Municipal não têm qualquer eco na denominada comunicação social que (não) existe em Seia, nem outra de carácter regional;
2 - Porque não há, hoje, um jornal independente em Seia - as duas publicações existentes assumiram-se frontalmente como meros orgãos propagandísticos da CMS;
3 - Porque não há uma rádio há mais de 3 anos em Seia, sendo esta a única cidade com frequência atribuída e não usada.
4 - Porque as discussões acaloradas, mornas ou frígidas que se desenrolam em cada Assembleia Municipal não saem das portas da sala onde se produzem;

É imperiosa a criação do Boletim da Assembleia Municipal.

Para que todos os senenses e demais interessados possam finalmente tomar conhecimento do trabalho dos deputados que a compõem.
E também porque não se pode prestigiar o trabalho que não se conhece.

Publicado por JoaoTilly em 02:59 PM

junho 24, 2006

Audições no Collegium Musicum (Conservatório) HOJE










Audição de Alunos

Hoje
Dia 24 de Junho
16:00h
Classe de Piano
(prof. Helena Lourosa)


Conservatório de Música de Seia - Collegium Musicum - Casa das Artes - Praça da República - SEIA - Telf. 238312583
email: collegiummusicum@netvisao.pt - http://www.collegiummusicum.online.pt/

Publicado por JoaoTilly em 08:46 PM

junho 23, 2006

Festas & Festarolas - 2

E quando se pensa que já se bateu no fundo em Portugal é-se sempre surpreendido por pior.
Na sequência do post anterior, uma colega minha informa-me que na Escola da sua Terra (que mais uma vez poupo, porque também as Terras não merecem o que certos inqualificáveis fazem nelas) a coisa foi bastante pior:
Instituiu-se o prémio do PIOR ALUNO na Escola onde a filha estuda.
E então, durante a Festa de final de ano, no ano passado, foram chamados ao palco os 2 piores alunos da escola, sob uma saraivada de palmas da comunidade escolar, aos quais foram atribuídos 2 valiosos prémios.

É assim: isto, de facto, ultrapassa-me.
Subvertidos todos os conceitos, como as escolas estão a fazer, e ao verem-se palhaçadas como esta, feitas com este despudor, alguém pode rebater aqueles que ofendem abertamente os professores, chamando-os claramente de incompetentes, como faz a ministra da Educação, todos os dias?

Publicado por JoaoTilly em 08:31 AM

junho 22, 2006

Escolas, palhaçadas & festarolas

Assisti ontem à festa de encerramento de final do ano de um Agrupamento de Escolas.
Decidi retirar daqui o seu Nome, por respeito ao seu Patrono, e depois de perceber que o Grande Homem que ele foi não merecia aquilo que hoje fazem com o seu Nome.
A sala quase cheia, que os pais querem ver os filhos a fazer coisas.
Prémios foram distribuidos para quem toca bem o pífaro (1º, 2º e 3ª prémio).
Prémios existiram também para os "melhores do jogo do 24", uma triste actividade circense que se pretende confundir com a Ciência séria que é a Matemática.
4 apresentadores 4 - qual deles o mais aparvalhado e analfabeto - não conseguiam ler 3 palavras sem se enganarem, e tentavam, talvez por isso mesmo, ter alguma graça, desarrincando todo o tipo de estupidez do monte imenso de incultura que, pelos vistos, foi a única coisa que conseguiram absorver na Escola - os 4 chumbram já no nono ano, segundo se dizia na sala.
Se não chumbaram o cenário é pior ainda...

A melhor parte foi quando vestiram os alunos com plásticos e fizeram uma «passagem de modelos», com as crianças disfarçadas de palhaços, sob uma chuva de palmas das outras crianças que riam desalmadamente das figuras ridículas dos colegas.
Ou seja:
Assistiu-se ao exemplo acabado do que NÃO DEVIA ser uma festa de encerramento de um ano escolar.
Porque se valoriza unicamente a palhaçada em detrimento de qualquer actividade séria e do objecto do trabalho da Escola.
Não houve um prémio, ou um destaque, pelo menos, para os BONS alunos daquele Agrupamento. Aqueles que cumpriram todos os objectivos da Escola, e lhe conferem toda a razão de existir. Aqueles que provam, no final de cada ano de trabalho, que ainda vale a pena existir a instituição Escola e a profissão de Professor.
Ao invés, viu-se ali uma Escola a tentar desesperadamente confundir-se com um triste circo de enésima categoria. Que se esqueceu de prestar homenagem ao seu melhor produto, enquanto elevou garbosamente os piores cábulas ao estatuto de vedetas.
Uma coisa absolutamente degradante para a região e para o Ensino que se ministra por cá.

Chamei, para isso, a atenção do presidente do conselho executivo, no final, ao que me respondeu que a Autarquia já vai homenagear os melhores alunos.
- A Autarquia?? Pergunto, incrédulo...

Ainda bem, e parabéns à Autarquia por se substituir à Escola neste acto fundamental de reconhecimento do trabalho e do êxito de quem o conseguiu alcançar, mas pergunta-se:
Foi a Autarquia que formou estes BONS alunos?
Foi a Autarquia que trabalhou, durante 2 ou 3 anos, para que estes BONS alunos atingissem o êxito agora alcançado?
Ou foi a Escola?

Esta subversão é absolutamente insuportável, em 2006, dC.
Ainda mais quando é a própria Escola que subverte o seu importantíssimo papel na sociedade.
Espera-se, já agora, que o sr Presidente daquele Agrupamento vá entregar os prémios de excelência aos melhores funcionários da Câmara Municipal, na festa de Natal deste ano...


Meus amigos:
O papel da Escola é ensinar.
E, consequentemente, tem o dever de promover e salientar, socialmente, para que sirva de exemplo à Comunidade, o melhor que consegue produzir.
Deve ser aplaudido e incentivado o êxito, quando ele é conseguido, no objectivo do seu trabalho: a transmissão de Conhecimento Científico nas várias áreas.
Não é no toque do pífaro nem na passagem de modelos, nem no dizer asneiras e inconveniências aparvalhadas ao microfone que uma Escola mostra o seu melhor.
Mas é nesta última actividade que mostra o seu pior.
Felizmente a aparelhagem era de tão má qualidade e estava tão mal regulada que a maioria das cretinices não se ouviu...
Parabéns por isso.

Publicado por JoaoTilly em 09:21 AM | Comentários (1)

junho 21, 2006

DVDs em preparação - Parque Natural da Serra da Estrela

À pala de tentativa de justificação pela fraca actualização deste blog ao ritmo a que vinha habituando os meus leitores, e respondendo às queixas de alguns indefectíveis (ele há feitios para tudo...) sou a informar que isso se deve ao trabalho que tenho tido na produção de audiovisuais de há uns tempos a esta parte.
Depois do DVD do Viveiro das trutas de Manteigas, muito didáctico e belo na minha nada modesta opinião, está em fase adiantada de produção o primeiro de uma série de 5 DVDs que me foram encomendados pelo Parque Natural da Serra da Estrela.
Este primeiro é dedicado ao tema «Habitats».
Captação de imagens, montagem e produção da autoria deste V. amigo.
Ao mesmo tempo estou a terminar para o Clube de Audiovisuais da minha Escolinha, pelo qual sou responsável, um documentário sobre a água que desce desde a Torre até às nossas casas, e o seu percurso posterior, ao qual denominei «Esta água que vos deixo». Tem a participação de 4 alunos do 8º ano e é uma «moca»...
Seguidamente acabarei o documentário para o Museu do Brinquedo sobre a concentração de automóveis antigos que teve lugar no mês passado e depois terminarei a pós-produção de um super espectáculo ocorrido em Manteigas há 2 anos com a participação de 2 bandas filarmónicas, 2 ranchos, 1 grupo de música popular e um orfeão. Captado em simultâneo com 4 câmeras e totalmente sincronizado, com 8 pistas de audio.
Tudo por amor à camisola.... tirando uns canecos que se bebem aqui e ali...
Mas são coisas que ficarão, quando eu me for embora....
É para isso que se trabalha.
Pena que não possa fazer o mesmo pela minha Terra...
A esperança é a última que morre.

Publicado por JoaoTilly em 10:20 AM

junho 20, 2006

Breves - 3

Visitei ontem a nova ETAR de Seia no âmbito de um curto documentário que estamos a fazer (o clube de Audiovisuais da minha escola) sobre a água. O seu percurso desde a Torre até ao Rio Seia.
Aquilo é uma obra grandiosa. De certeza a mais importante e útil obra que se fez em Seia nos últimos anos... se trabalhar bem.
Porque o rio continua muito poluído, embora se note já uma grande melhoria nas ribeiras de acesso e na foz do esgoto, como lhe chamei quando a denunciei publicamente há 2 anos.
Os vizinhos dizem que há dias em que o Rio vem quase limpo mas que, de repente, fica negro como o carvão e com o cheiro costumeiro insuportável, ao qual nunca ninguém se habituou.
Como «o caminho se faz caminhando», chama-se a atenção do sr Caminheiro Presidente para que mande averiguar a que se devem tais oscilações, porque a ideia que está a surgir é que as lamas estão a ser retidas nalgum lado e depois são novamente lançadas no rio.
É a vox populiis.
E já se sabe: voz do povo... não chega ao céu.
Mas chega bem ao esgoto.

Publicado por JoaoTilly em 09:52 AM

Breves - 2

Perguntava-me eu para que serve uma nova Igreja em Seia, quando o que nós precisamos é de despoluir o rio, boas acessibilidades e um hospital cujas obras nunca mais começam.
Mas ontem, um colega meu abriu-me os olhos:
Ó pá, uma nova igreja com capela mortuária anexa descongestiona logo o centro de saúde e as urgências do hospital, pelo menos por uns tempos. É que as velhas que diariamente ali acorrem - e que praticamente são sempre as mesmas - já terão mais um sítio para onde ir e confraternizar com as colegas. Até aqui essa actividade social estava a ser desenvolvida apenas no centro de saúde e nas urgências do Hospital.
E eu, como já fui 3 vezes às urgências do hospital este ano e vi lá sempre as mesmas caras, calei-me.
Quem sabe lá se a maior inutilidade do mundo não pode servir, sem querer, uma causa justa?

Publicado por JoaoTilly em 09:40 AM

Breves - 1

Seia já aparece na televisão.
Não por iniciativa da autarquia ou de qualquer organismo de quem se espere a promoção turistica da nossa terra.
A empresa Águas da Serra da Estrela está a colocar nas TVs um spot publicitário em que a páginas tantas aparece uma placa com a «Torre» «Gouveia» e «Seia».
Como esse spot está a ser transmitido em horário nobre por todos os canais comerciais, está a ser visto por milhões de portugueses por dia.
Forçoso é concluir-se que já fez mais, essa empresa, pela promoção turística da nossa cidade do que a autarquia de quem isso se esperava.

Publicado por JoaoTilly em 09:34 AM

junho 17, 2006

GM, Azambuja e Zaragoza

A GM vai fechar as suas instalações na Azambuja mas mantem as de Zaragoza a funcionar. Onde os salários dos trabalhadores são o triplo dos dos nossos.
O que desmente a teoria de que a deslocalização das multinacionais se faz exclusivamente porque no leste os ordenado são muito mais baixos do que cá.
Nos intervalos dos jogos de futebol, os noticiários que as TVs ainda teimam em emitir dão conta que as negociações entre Manuel Pinho e a GM (OPEL, Vauxhall, Buick, Chevrolet, Hummer, GMC, Saab, Oldsmobile, Cadillac) foram suspensas desde quarta feira passada.
Parece que apesar de os nossos trabalhadores ganharem uma ninharia relativamente aos espanhóis, o Combo - único modelo que ali se produz - sai mais caro 500 euros do que se for fabricado noutro lado qualquer...
Provavelmente são os custos da remoção das bandeiras....

Publicado por JoaoTilly em 06:56 AM

junho 16, 2006

A resposta é a «greve de zelo»

Portugal é o único país da Europa em que a escolaridade mínima obrigatória não é o 12º ano.
Ninguém a consegue colocar a este nível enquanto formos, cumulativamente, o país mais analfabeto da europa com um índice de alfabetização envergonhante de 85%, enquanto nos demais países desenvolvidos esse índice ronda os 99% - 100%, e até em muitos países africanos é maior que estes 85%.
Portugal é o país onde se regista, igualmente, o maior abandono escolar.
Apenas 50% dos alunos que ingressam no ensino secundário terminam o 12º ano.
Portugal é o país do mundo onde há mais professores que não ensinam. Só o Ministério da Educação tem lá 10.000! Destacados, herdados dos partidos que foram ganhando as eleições. Leia-se: Boys e Girls fora de prazo, para lá arrumados.
Basta entrar num gabinete de uma DRE para se cair de costas a rir com a quantidade absurda de tias que ali passam o dia, encafuadas em gabinetes minúsculos, agarradinhas ao telefone, sabe-se lá a fazer o quê.
Na DREC chega a haver 2 relógios de ponto, tal é a chusma à saída!
Nos sindicatos, mais umas centenas a tempo inteiro. Dizem-me que são só 400, mas eu cá para mim acho que devem ser bem mais... pelo que vejo...


A ministra já percebeu que a classe dos professores não existe. Até se ri com as greves propostas pelos sindicatos nas vésperas de feriados, entre feriados ou ao fim de semana. Porque se assim não for, ninguém faz greve.
É tudo tiros no pé para descredibilizar mais a classe.

Os pais querem ter sitio para depositar os filhos durante o dia e, se possível, também à noite.
As férias são o maior pesadelo. Os filhos não são descarregados no armazém costumeiro, o que é a maior dor de cabeça do mundo.
Os pais são esmagadoramente analfabetos funcionais no interior do país. Por isso só querem que os alunos passem de ano. Não se ralam minimamente se o seu educando, no final do ano, não tiver aprendido nada.
Tem é que passar e ter boas notas, melhores que as do filho do vizinho, que é para entrar para medicina.
Para um dia, mais tarde, poder dizer, com orgulho, no meio de uma alta patuscada semanal que, por erro de diagnóstico, já mandou para casa (=morte) 200 ou 300 doentes. Eh! Eh! Eh!


O governo não tem mão nos médicos.
Nem nos juízes.
Nem nos enfermeiros.
Nem nos funcionários judiciais.
Medidas menos gravosas que as propostas para os professores foram suspensas, para essas classes, para posterior estudo.
Mas o governo tem mão de ferro nos professores, a classe mais triste e desunida à superfície da terra.

E era tão fácil pôr a ministra no seu devido lugar, como fizeram as classes supracitadas!
Não com greves de um dia, descontadas do parco salário da carreira congelada do professor, e coladas a um feriado ou a um fim de semana.

Mas com uma verdadeira e silenciosa "greve de zelo", diária, mensal, anual.
Até a ministra descongelar as carreiras e recuar na sua pretensão pidesca de avaliar os professores.


- Bom dia meninos!
- Bom dia, setora.
- Então digam lá, meninos: de que vamos falar hoje?
- Pode ser de fataból, setora???
- Claro, Zezinho! Vamos falar de futebol. Olhem: conversem entre vocês, que eu vou pôr aqui umas coisitas em dia, tenho que fazer uns telefonemas para o talho e tenho que saber porque é que a incompetente da professora do meu filho caiu de cama hoje.
Onde é que o meu marido vai deixar o miúdo, não me dizem?
- Pois é, setora. Os professores são mesmo uns desgraçados, mas deixe lá que os nossos pais vão avaliá-la bem a si, que nos deixa fazer tudo o que nós queremos.
E por falar nisso: já agora, como vai ser o próximo teste?
- Então, meninos, é como de costume: eu dou-vos o teste com as questões já respondidas na primeira hora e depois vocês copiam as respostas para as vossas folhas de teste na segunda, ok?
- Obrigado, setora! A setora é mesmo uma setora baril! E directora de turma também!
(Janado) - Ó dread: o ke é ke esta gaja dá?
(dread) - axo ke eh história ó geografia, ó o kamano...
- A setora dá história, não é, setora?
- Isso, meninos! Não se esqueçam de dizer aos V. pais que eu preciso de EXCELENTE no final do ano, ok?
- Esteja descansada, setora. Os nossos pais não sabem escrever, mas a gente escrevemos por eles na sua ficha: Xelente!
- Obrigados, meninos! Que bom é ser professora numa escola básica do interior!

Publicado por JoaoTilly em 07:33 AM

junho 10, 2006

Carta aberta à ministra da Educação

Esta carta, que será divulgada também na comunicação social, tem como objectivo contribuir para a reflexão acerca da Qualidade da Educação do nosso país.


Neste sentido, e ao invés de contestar ponto por ponto a sua proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, os docentes deste país ficam-se pelas suas consequências, o tal efeito prático que a Sr.ª Ministra prefere dissimular num jogo falacioso e perigoso, atirando-nos, pais e professores, uns contra os outros.

Embora tenha surgido como o maior engodo – o de chamar os pais à escola - da história da Educação deste país, na verdade, a avaliação dos Docentes pelos Pais e Encarregados de Educação, representa apenas uma ponta da ponta de um iceberg, uma linha de texto num documento de 54 páginas. Interessa apenas a quem se limita a promover manobras de diversão facilmente identificáveis, parecendo ignorar que nenhum professor sério irá temer se for avaliado de forma séria.
É vergonhoso, até para nós que somos portugueses, verificar o calculismo e a facilidade com que a Sr.ª Ministra aborda a questão complexa, como é a de avaliar os desempenhos dos professores, sem o mínimo de profundidade, preferindo, sem olhar a meios, o populismo fácil e barroco.

Recorrendo a meras hipóteses, se o novo estatuto fosse, numa eventualidade pouco inteligente, aprovado, o docente teria um número fechado de vagas para Muito Bons e Excelentes.
Assim, perguntamos nós: e se, num acaso, os professores de uma escola excederem o número premeditado de Excelentes?
Escolher-se-iam os melhores dos melhores e passar-se-iam os outros para Muito Bom e os que tinham a dita nota para o Bom? Ou, numa outra eventualidade, rasurar-se-iam as notas, de forma a não se levantarem polémicas no seio de uma escola que se quer unida e sempre controlada?

Talvez se vislumbre uma resposta se se conhecerem melhor os dezasseis pontos em que o hipotético docente será avaliado, previsto no artigo 46º do hipotético novo estatuto:

. o professor será avaliado pelos resultados escolares dos alunos.
Explicar-nos-à a Sr.ª Ministra como pode um professor de uma má escola, e em muitas "má" será sempre um doce eufemismo, ter o mesmo nível de qualidade na sua avaliação de um colega seu numa boa escola?
Será então que os professores têm as mesmas medidas e oportunidades de uma boa avaliação? Ou, por outro lado, bastará que se avalie positivamente os alunos, independentemente da realidade?

. o professor será avaliado pelas taxas de abandono escolar? Certamente que no Ministério ainda andam à procura de uma resposta coerente a esta pergunta. Imaginemos que existe uma comunidade de etnia cigana numa escola ou que em determinada localidade, e não são assim tão poucas, os pais querem retirar os filhos da escola para que trabalhem com eles.
Como pode o professor ser penalizado por uma situação como esta onde a responsabilidade não lhe cabe?
Não se deveriam criar medidas coerentes para um mundo real? Neste caso como seria, então? Seriam penalizados todos os docentes daquela escola ou apenas daquela turma?
Não será esta uma medida oportunista, em que se acusam os professores da incompetência, de um governo que não cria segundas verdadeiras opções para os jovens que abandonam o ensino ou que simplesmente querem mais? Não será esta medida economicista, visto que, deste modo, os professores ficam limitados na sua avaliação, o que prejudica seriamente a sua progressão e, naturalmente, os impede de subir de escalão e vir a auferir um melhor salário?

. apreciação do trabalho colaborativo do docente? O que significa exactamente trabalho colaborativo? E para colaborar com o quê? Ou com quem? Terá a Sr.ª Ministra intenção de instigar ao mau ambiente na sala de professores ou a de tornar menos transparentes algumas avaliações?
Haverá aqui uma vontade de tornar ambíguo o que se quer simples e preciso? Talvez, na sua visão, "dividir para reinar" faça um sentido que não cabe nesta profissão!

. apreciação realizada pelos pais e encarregados de educação. Consegue a Sr.ª Ministra avaliar com a exacta certeza uma pessoa que nunca viu e cuja imagem foi construída apenas por uma criança ou pelos comentários de outras? Serão todos os pais capazes de avaliar os professores através de quase nada?
É essa a avaliação que pede aos professores, quando se trata de avaliar os seus alunos?
Avaliar com pouco?
Mas sempre num nível positivo, de forma a não transtornar os pais? A Sr.ª Ministra quer que nós acreditemos que uma avaliação realizada desta forma irá ser objectiva e transparente? Muito embora cada um dos pontos tenha um peso, que ainda não se conhece, tal questão parece-nos irremediavelmente condenada ao fracasso, pelo menos se observada de um ponto de vista sério e rigoroso.

. avaliação através da observação de aulas?
Quais são os critérios adoptados pela Sr.ª Ministra? Imaginemos que decorre a avaliação de dois docentes distintos em dois locais diversos. Cada um dos quais está a ser medido por um hipotético professor titular.
Imaginemos que são duas escolas em meios diferentes. Encontra-se a Sr.ª Ministra capaz de nos assegurar que ambas as avaliações serão correctas ou que, sendo invertidos os lugares, os docentes manteriam a mesma qualificação ou quase?
Nestas contas entram factores demasiado subjectivos.
Numa mesma escola, o mesmo professor pode obter dois níveis diferentes, se for avaliado, por exemplo, por titulares de distintas sensibilidades. Suponhamos, por outro lado, que a aula corre mal, porque o professor está engripado ou porque os alunos vieram de uma visita de estudo.
Será sério avaliar todo um ano escolar com três visitas à sala? Será sério fazer depender a progressão na carreira desta forma?


Os docentes passariam a ser avaliados em dezasseis pontos ou itens de classificação como lhe chama a Sr.ª Ministra.
Destes, quinze são perfeitamente subjectivos, e um deles, o que respeita à assiduidade, o único preciso porque se trata de um número, a Sr.ª Ministra trata-o com a ligeireza que parece ser o seu maior dom.

A Sr.ª Ministra não se nega a coarctar aos docentes qualquer esperança, ainda que infeliz, de poderem assegurar o seu desempenho se caírem doentes numa cama.
O professor passa, assim, a ser obrigado a cumprir 97% do seu serviço lectivo, se quiser progredir na carreira. À priori, esta medida parece ser finalmente a resposta aos pedidos dos pais e encarregados de educação dos nossos alunos.
Será assim tão óbvia e tão simples esta leitura?
Três por cento de faltas como máximo, representa cinco dias de faltas por ano?
Explique-nos, por favor, a Sr.ª Ministra como justifica o facto de não poder estar doente. Fazemos notar que não falamos apenas de nós próprios, aqui também cabe a assistência à família.
Repare a Sr.ª Ministra que os professores lidam com crianças, cerca de vinte e cinco por cada uma das cinco turma (em média, claro está), e que estas mesmas crianças adoecem e se constipam e nos constipam.
E nós sabemos que às vezes mais vale ficar um dia em casa e recuperar a saúde, do que prestar um mau serviço público.
Os docentes têm um grande respeito pela sua profissão. Nenhum professor sério falta para ficar a dormir.
Teremos que "contagiar" toda uma escola necessariamente, em nome da graduação profissional, uma vez que só serão devidamente justificadas as doenças em regime ambulatório.

Por outro lado, repare Sr.ª Ministra, pois talvez ainda não o tenha feito, que a grande maioria dos docentes está deslocada da sua casa, longe dos seus familiares.
Esta enorme massa humana que se desloca pelo país, em milhares de quilómetros mensais, aos princípios e fins-de-semana, em veículo próprio, e que entrega dinheiro ao estado nos impostos de combustíveis, está muito sujeita a ter contratempos na estrada ou com a mecânica do seu automóvel, e que, a partir de agora, estes mesmos cidadãos manterão esta distância durante três e depois quatro anos!

No que diz respeito às mães ou futuras mães, não compreendemos como pode a Sr.ª Ministra querer avançar com um estatuto que as espartilhará – a maternidade é um direito protegido pela Constituição da República Portuguesa. É-nos dito que, no decorrer desse ano, a docente não será avaliada, pelo que a mãe terá nesse ano a mesma classificação que lhe for atribuída no seguinte, ou seja, bastar-lhe-à faltar seis dias para que não progrida na carreira dois anos. Saberá a Sr.ª Ministra o complexo que é cuidar de uma criança durante os primeiros meses e anos de vida?
Numa primeira fase, a do período do parto, o novo estatuto salvaguarda as mães para depois as deixar desamparadas numa segunda fase, como se a maternidade se esgotasse no acto de "dar à luz".

Contempla alguns destes dados na sua proposta, Sr.ª Ministra, ou prefere tratá-los com a distância da sua demagogia? Como quer a Sr.ª Ministra estabilidade docente, aquela que tanto aclama, convencendo apenas quem ignora a realidade do que é ser educador, se qualquer uma das acções que toma vai no sentido de criar instabilidade e insatisfação?
Como quer a Sr.ª Ministra docentes produtivos e colaborativos se instiga ao fascismo redutor, como se lidasse com gente disposta a rebaixar-se aos seus pés sem que lhe fosse levantado um par de olhos?
Como quer a Sr.ª Ministra um alto nível de rendimento escolar e uma enorme qualidade para a Educação quando atira medidas laças para cima de uma mesa, onde se discute o futuro

Este é um assunto sério, Sr.ª Ministra, nenhum professor está aqui para brincar! À Sr.ª Ministra interessa ter os pais do seu lado, independentemente dos meios, o que lhe interessa são os fins economicistas, cada vez mais sublinhados por cada medida que assina.

Pretende convencer os professores deste país que um tecto ao fim de doze anos de carreira é um objectivo para quem tem que ser avaliado e classificado todos os anos?
As demagogias criadas para iludir a opinião pública são os instrumentos de trabalho utilizados pelo estado, mas do tempo da outra senhora, quando a Sr.ª Ministra ainda tinha a esperança de viver numa democracia – se é que teve…

Parece-nos que todas estas medidas foram lançadas ao ar para justificar o trabalho de alguns caciques que há muito não leccionam e que pululam de gabinete em gabinete na esperança, certamente vã, de lhe apresentar algum trabalho, uma vez que, somente quando já não tiver professores no seu ministério, vossa Senhoria ficará plenamente satisfeita.


Junho de 2006


Um grupo de Professores desrespeitados

Publicado por JoaoTilly em 08:24 PM

O PAÍS QUE NÃO MERECE SER DESENVOLVIDO
João César das Neves

Já tinha publicado isto há anos, mas aqui vai novamente, porque sempre actual.


PORTUGAL FEZ TUDO ERRADO, MAS CORREU TUDO BEM.

Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento português.

Havia até agora no mundo países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam.

Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só elemento: Portugal.

A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinha também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.

Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido"

O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses.


Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável.

Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.

Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual.

Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.


Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhantes às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante.


É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma:

- Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento.

Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade.

Citando as próprias palavras do texto:

"Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento?"

A resposta, simples, é que ninguém sabe.


Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho. A única explicação adiantada pelo texto, mas que não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e "desenrascanço" do povo português. No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável.

O texto termina dizendo:


"O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".

Publicado por JoaoTilly em 09:58 AM

junho 07, 2006

Não sei como é que ainda deixam este homem dizer isto!

Nesta época tão obscurantista como o foram os últimos anos do regime ditatorial (à excepção da "polícia política" que hoje não existe), em que «tudo se pode pensar mas nada se pode dizer», ainda há jornalistas e comentadores que conseguem escrever pérolas destas e... não são demitidos imediatamente!
Notável!
Ou Sócras anda muito distraído ou é a Alta Finança que o anda.
Não estará por cá muito tempo a comentar, Paulo Camacho, por este andar. Por isso, absorvamos, enquanto não o fazem desaparecer, estes seus espectaculares textos telegráficos.
É que não é preciso dizer nada mais sobre Portugal.


O Governo em geral e o ministro da Administração Interna em particular esperariam um início de época de fogos sem grandes polémicas.
Se mais não fosse, pelo menos porque, quando o calor começasse a apertar, o país estaria com os olhos na Alemanha e as televisões e os jornais cheios de reportagens sobre os golos, os que não foram mas deveriam ter sido, a dor no dedo mindinho do Pauleta, o que almoçou o Cristiano e jantou o Figo, etc, etc, etc.
Mas a meteorologia trocou as voltas a Sócrates e Costa e expôs as fragilidades do plano de combate aos fogos florestais que o ministro da Administração Interna passou dias a vender como a melhor coisa do mundo, num périplo de Norte a Sul do país.
Umas semanas antes do previsível, e quando os portugueses ainda só têm um ouvido na Alemanha, subiu o mercúrio nos termómetros e atearam-se as chamas nas florestas – tal qual aconteceu no ano passado e nos outros antes desse. Apesar das garantias do ministro de que nada voltaria a ser como antigamente…

Publicado por JoaoTilly em 06:14 AM

junho 06, 2006

Os professores, os pais, a ministra e os outros

Trata-se de algo de que venho falando há tempos, mas mais concentrado sobre a futura «carreira docente»

































Um dos temas mais debatidos na actualidade é o da reforma do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
Todavia, sem ser por acaso, tem-se restringido o debate a um dos itens de classificação dos professores na avaliação que a direcção executiva da escola terá de fazer acerca do mérito do desempenho de cada um dos docentes (artigo 46º do projecto).
A ministra da educação, seguindo a cartilha que caracteriza este executivo, vai-se referindo ao tema como o tem feito com os demais que à sua pasta respeitam: a educação vai mal em Portugal e os responsáveis por tal catástrofe são os professores, por isso há que tudo fazer para os punir.
Depois os indefectíveis do partido e os outros que apenas por acharem que este gabinete faz coisas o querem apoiar, vão refinando a argumentação, a qual, por mimetismo associado à preguiça de muitos comentadores e jornalistas (a maioria dos quais nunca leu nem vai ler o ECD), se vai impondo no discurso corrente.
Uma coisa é certa: uma asneira, mesmo a mais bem disfarçada e ainda que muitas vezes repetida, nunca será mais nada do que isso mesmo, uma asneira.
Diz-se (sobretudo repete-se) que os sindicatos (não se diz os professores por preconceito ideológico) estão contra «porque são sempre do contra», sendo uma espécie de forças de bloqueio das reformas que vão endireitar Portugal. Com isto quer-se tapar o sol com uma peneira.
Vejamos o assunto com alguma objectividade e comecemos pelo princípio:
o sistema de ensino é organizado pelos poderes públicos, concretamente pelos governos, que o moldam de acordo com a sua ideologia ou pelo menos segundo a sua vontade.
Daí que a escola actual não seja nem mais nem menos do que aquilo em que os senhores políticos (que nestes 30 anos governaram a pasta da educação) a quiseram tornar.

Na sequência do 25 de Abril de 1974 houve nesta área transformações inevitáveis e positivas, como a democratização do ensino e a garantia do acesso universal. Mas o disparate começou logo a seguir.
Intencionalmente desgastou-se a autoridade dos professores e encetou-se o desprestígio da função.
Os «cientistas da educação», espécie de sociólogos pós-modernos que se incrustaram na área do poder, conseguiram vender a ideia falaciosa de que aprender não é algo que exija esforço e sacrifício e também que a autoridade (qualquer autoridade) é por natureza opressiva e por isso incompatível com um ensino «moderno».
Foram assim afogando a escola numa complexa rede burocrática, desgastando a imagem do professor (esse ente «autoritário»; agora crismado de «privilegiado») e degradando o seu estatuto.
O resultado está à vista.
A verdade é que a educação nunca foi encarada, seriamente, como um vector estratégico para o desenvolvimento do país. Os sucessivos governantes mais não fizeram que engendrar esquemas para falsear as estatísticas do «sucesso escolar», como falsearam as regras de apuramento da verdadeira taxa de desemprego ou do exacto valor do défice orçamental.
Para enganar quem? A história os condenará. Mas por enquanto a festa continua.
À semelhança do que já fizeram com os juízes, com os funcionários públicos e com outros, estes governantes alijam com facilidade as responsabilidades próprias e atiram as culpas do que está mal para cima de outros, que hão-de servir de bodes expiatórios.
E a cereja em cima do bolo vem a ser que a máquina mediática, que tão bem têm sabido olear, lhes vai dando lastro para prosseguir, com altas taxas de popularidade (e só isso verdadeiramente conta). Assim, têm conseguido pôr os portugueses uns contra os outros, sem que estes se apercebam que isto vai tocar a todos (menos aos do costume, como é óbvio).
Os professores não estão, evidentemente, contra o princípio de que as promoções hão-de resultar da apreciação do mérito profissional de cada um deles; como também não são contra a participação dos pais dos discentes na vida da escola; apenas não estão dispostos a ser prisioneiros daqueles.
E na verdade parece relativamente consensual que numa sociedade democrática os pais devem poder participar na definição estratégica do projecto escolar e que devem envolver-se nas actividades educativas a que sejam chamados a participar, etc.
Mas a avaliação do mérito dos docentes é uma coisa séria de mais para ser posta, ainda que apenas de modo residual, nas mãos deles.
Se se quisesse fazer uma verdadeira reforma do sistema de ensino, com vista a uma transformação radical do país no espaço de uma geração, o caminho era totalmente outro, o que inevitavelmente se reflectiria no ECD.
O princípio haveria de ser a verdade (e não apenas a aparência). E a táctica passaria pelo reforço da matemática, da física, da biologia, da língua pátria, das línguas estrangeiras e da história. O resto seriam opções que não contariam para o totobola.
O mérito dos professores e dos alunos havia de ser apreciado, claro. Mas com verdade (sempre ela), sem recurso a limites quantitativos para acesso aos escalões mais altos da carreira docente (veja-se o projecto de ECD; Mas porque é que só uma percentagem ínfima há-de poder ser excelente?).
E com a assumpção que haveria alunos excelentes e alunos maus, e que estes teriam de ser penalizados (é assim na vida, porque é que não há-de ser assim na escola?).
A taxa de «sucesso escolar» cairia drasticamente, para recuperar daqui por 20 anos, quando este já fosse um país diferente.
Ao invés e por incrível que possa parecer, a ministra da educação, a quem se não pode seriamente atribuir qualquer inversão relevante do caminho para o abismo que o sector da educação vem trilhando, tem granjeado a simpatia de muitos comentadores, apenas «porque sim». Porque quanto à reforma que o sistema precisa: nada.
E quem ler atentamente o projecto do novo ECD verá que a malha administrativa se adensa, a autoridade dos professores continua a diluir-se e o desprestígio da profissão se acentua. O que é que daqui se pode esperar que não, apenas, o poupar de uns trocos?

In Dizpositivo

Publicado por JoaoTilly em 09:26 AM

junho 02, 2006

A tuguice por detrás da palhaçada: a «mais bela bandeira do mundo»

Eis o verdadeiro relato (na 1ª pessoa) do que aconteceu na MAIS BELA BANDEIRA DO MUNDO (organização do BES e da SIC).
Peço-vos que leiam até ao fim.


O que o público da TV viu:

-ambiente de festa
-uma bela bandeira

COMO COMEÇOU?

Inscrevemo-nos, comparecemos às 10h30m (como pedido), entrámos pelas 12h 30m (abertura do portão), sentámo-nos nas bancadas e aí permanecemos seguindo as indicações que nos foram dadas.

Até cerca das 16h entraram no estádio pessoas (inscritas e não inscritas) que se foram colocando nas entradas que davam acesso à formação da bandeira e enchendo o corredor em redor.

O animador informava que haveria lugar para todas, pedia às pessoas que se encontravam nos acessos para se sentarem nas bancadas porque só essas entrariam para a bandeira.
Toda esta informação foi sendo repetida e quem estava fora das bancadas não abandonava essa posição.
Apesar de haver polícia e seguranças, ninguém fez tentativas para
desmobilizar quem se encontrava nas zonas referidas.

O QUE ACONTECEU?
Entraram e fizeram a bandeira as mulheres (inscritas ou não), que não foram para as bancadas e que mais tarde chegaram.
Ficaram de fora centenas de mulheres que CIVICAMENTE seguiram todas as indicações dadas.

COMO ACABOU?
Com brindes a serem atirados para o meio das participantes, como se fossem bolas e com estas a lutarem por conseguir o maior número possível desses brindes.
Com as que não entraram a gritar "mentirosos" e alguns choros.
Com os organizadores e locutor a desaparecerem de imediato, sem um
pedido de desculpas ou explicação e COM A OMISSÃO PÚBLICA da falta de organização
Esta foi a única forma que encontrei de divulgar o que realmente aconteceu.

A minha tristeza é que MAIS UMA VEZ A FALTA DE CIVISMO VENCEU EM PORTUGAL e duas grandes empresas SIC E BES contribuíram para isso.

Peço-vos que reenviem esta mensagem ao maior número de pessoas possível.

Helena Rodrigues
(professora também de Formação Cívica da E.B. 2.3 Vasco Santana - Ramada).
Como explicar aos nossos alunos?

Publicado por JoaoTilly em 10:44 AM

junho 01, 2006

A Ministra quer pôr os pais a avaliar os profs

E porá igualmente os pais dos réus a avaliar os juízes?
E os pais dos doentes a avaliar os médicos?
E os pais dos contribuintes a avaliar o Fisco?


É necessária uma tomada de posição urgente contra este tipo de populismo PRECiano e inqualificável.
Os Conselhos Pedagógicos das escolas de todo o país deviam já ter reunido com o ponto único de dar resposta a esta escalada prepotente e analfabeta do governo.
Que qualificações pedagógicas terão os pais para avaliar um professor?
Onde chega a demagogia!
E, entretanto, os professores o que fazem?
Assistem a programas televisivos em que os colegas apanham pancada dos alunos em plena sala de aula... e ficam entretidos com isso.


É preciso reagir a esta indignidade!
É preciso protestar e chamar a atenção da Opinião Pública que ainda não esteja totalmente alienada pelo futebol, para esta pouca-vergonha.

Eu farto-me de escrever e de berrar nos fóruns da TSF.
E os outros?

Publicado por JoaoTilly em 10:44 AM