Aqui deixo 3 regras que podem salvar a vida dos doentes que cairem nas mãos do sistema publico de saúde em Hospitais de Grande Dimensão.
Foram conclusões tiradas do meu e de dezenas de outros casos que ultimamente me têm sido contados e dos quais procurei extrair regras básicas de comportamento que, em todos os casos, fizeram a diferença entre a vida e a morte.
1 - Corram tudo à procura de alguém conhecido dentro do Hospital. Se for amigo, apenas conhecido, ou mesmo alguem da terra. Percam a vergonha e peçam ajuda às pessoas conhecidas. Paguem o que for preciso, se for caso disso, mas arranjem sempre maneira de terem lá dentro quem olhe pelos vossos.
É isso, neste momento, que lhes salva a vida. Nada mais.
Caso contrário, ninguém olha pelo doente anónimo, até ser preciso libertar a maca dele ou o doente entrar em paragem cardíaca.
2- Se o caso for de certa gravidade, dêem sempre uma morada da cidade do Hospital onde está o doente, mesmo que falsa. Com isso evitam transferências para o Hospital da residência. Estas transferências são as maiores responsáveis pelas mortes subsequentes. Os hospitais grandes querem libertar camas e até macas a todo o custo e quem for de fora é recambiado ao fim do dia ou na primeira oportunidade para o Hospital da residência.
Há que os enganar, para salvar a vida ao doente que, quase sempre agora acaba por lá voltar passados 2 ou 3 dias (os que têm a sorte de durar tanto). Portanto, vamos poupar o doente aos passeios de ambulância para trás e para a frente. Fica logo lá. Pelo menos há meios que os hospitais de provincia não têm e, desde que haja alguém conhecido lá dentro, o doente é sempre melhor tratado.
3 - Sejam chatos: telefonem, vão a todas as visitas, procurem os médicos. Não se importem de ouvir raspanetes ou ameaças de expulsão.
É com esta estratégia que muitas vezes se obrigam os médicos e enfermeiros dos grandes hospitais a examinarem o doente com alguma atenção.
Nos grandes hospitais, quem não berra é ignorado e a ignorância é a negligência que mata mais rápido do que o cancro e o coração juntos.
Isto só mesmo num país atrasado como este. Então por essa ordem de ideias se porventura alguém fôr de férias para um qualquer sítio em Portugal, se de repente adoecer entra no Hospital
da área em que está a passar férias e daí racambiam-no para o Hospital da área da sua residência mesmo que diste centenas de quilometros. Entretanto morre no caminho. Está na hora de acabarem com este faz de conta que é o Serviço Nacional de Saúde, ou então alterar a sua designação, para SPD, ou seja Serviço Promotor das Doenças.
Amigo João, acrescenta ás tuas 3 regras, mais uma.
Exijam do médico (que vos diz ter visto o doente
e que assina a ordem de transferência, para outro hospital) UM TERMO DE RESPONSABILIDADE, desse acto.
Que sacanagem... Não tenho mais palavras para o que se passou com o seu pai. Depois anda para ai o Zé a dizer ao Zé que isto está a melhorar!!! Para as falcatruas haverá sempre dinheiro. Os outros são o bode expiatório, que filha da puta de vida. Tenho dito.
Afixado por: António das Neves em março 27, 2004 09:22 PMSou enfermeira e, como tal, faço parte desse grupo de profissionais de saúde que procura assistir e ajudar os doentes e famílias. Ler este post fez-me reviver momentos semelhantes em que o sofrimento foi agravado pela indiferença dos meus colegas. Estou profundamente chocada e revoltada com estas atitudes pouco ou nada humanas. Infelizmente, o código de conduta que sugere é o mais apropriado se queremos garantir algum apoio aos nossos familiares e amigos hospitalizados. É preciso confrontar os profissionais, perguntar e perguntar de novo. É terrível que assim seja. Os sentidos pêsames.
Afixado por: Cris em março 28, 2004 02:51 AMÉ triste mas sou obrigado a concordar!
Afixado por: canzoada em março 28, 2004 07:10 PMaqui vai um excerto do que escreveu João Tilly neste mesmo blog a 27 de novembro de 2003 ......
E os poli-traumatizados e os doentes agudos que chegam à urgência do Hospital de Seia continuam a morrer nas ambulâncias que partem diáriamente a caminho da Guarda, 65 kms para Este, onde depois de se perder mais uma hora em diagnósticos - que se poderiam perfeitamente fazer em Seia - são reenviados para Coimbra, mais 160 Kms para Oeste, - a andar para trás - numa dança macabra que termina por ser, desgraçadamente, a última para muitos dos que lá vão dentro, a sofrer a indignidade e o supremo azar de ter vivido, trabalhado e adoecido em Seia.
As 3 horas que se perdem na viagem maldita poderiam ser fundamentais para se salvar uma vida. E quantas se perderam já?
Completamente verdade. A minha mãe sobreviveu num hospital, por conhecimentos. O meu pai também. Não teriam conseguido sobreviver se não fosse isso. O meu tio, irmão do meu pai, morreu o mês passado pq não ligou a ninguém. Triste, muito triste. A minha mais profunda solidariedade e revolta por + um caso destes...
Afixado por: sara em março 29, 2004 12:18 PMInfelizmente ainda vivemos neste pais "Europa" com características vincadamente terceiro mundistas.
Afixado por: Killer em março 30, 2004 04:01 PM