Acesa polémica está a envolver o concurso recente para o preenchimento de 2 lugares na Câmara Municipal de Seia, na área do Desporto.
Embora ninguém o assuma frontalmente (infelizmente uma das características de Seia) a verdade é que por cá poucos são os que acreditam que o concurso tivesse decorrido de forma imparcial. Tudo porque, em princípios de Janeiro, circularam na net mensagens que informavam dos vencedores antecipados do concurso. Ora tais mensagens mostraram ter sido absolutamente proféticas, já que o resultado final foi exactamente o previsto.
Se tudo pode não passar de uma grande coincidência (versão oficial), não é menos verdade que, estatisticamente, a probabilidade de se acertar no vencedor era de 2,5%, enquanto que a de se acertar no primeiro e no segundo, pela ordem exacta, era da ordem de 0.06% (similar à de acertar, à primeira tentativa, num número de entre 1560 diferentes). Ou seja: só mesmo uma gigantesca coincidência poderia fazer coincidir o seu conteúdo com a realidade verificada dos factos.
Era, portanto, indispensável que a Câmara explicasse exactamente o que se tinha passado, até porque concorreram licenciados dos mais variados pontos do País.
Embora nada a isso o obrigasse, o Presidente do Júri acedeu a transmitir-nos a sua conclusão que não podia ter sido mais simples: «tudo correu dentro da maior normalidade e a prova é que não houve uma única reclamação».
Instado a desenvolver algo mais sobre o assunto - para que este se pudesse tornar o mais transparente possível - confirmou que o «Presidente do Júri originalmente nomeado pediu escusa do cargo pelo facto de um familiar seu se constituir concorrente, o que é perfeitamente normal e até obrigatório em democracia», e acrescentou: «apresentaram-se a concurso cerca de 40 candidatos, embora oriundos de Seia fossem apenas 3 ou 4. Os concursos constaram de prova escrita e entrevista. À prova escrita todos os concorrentes, excepto um, obtiveram nota positiva. A cada um foi atribuída a sua classificação, evidentemente. Seguiu-se uma entrevista a que todos, excepto aquele, se submeteram e a classificação final foi determinada pelo o somatório destas 2 notas.
Sobre a publicação dos resultados, disse: «As classificações e respectiva lista graduada estiveram expostas durante o prazo estipulado e os candidatos foram individual e formalmente notificados, por carta registada, das respectivas conclusões».
Sobre eventuais recursos, esclareceu: «Correu o prazo previsto para reclamações e, no seu decurso, nenhuma deu entrada nos serviços competentes, pelo que as listas foram promulgadas e tornaram-se oficiais».
Questionado sobre a autoria dos concursos - outro aspecto muito focado nas mensagens - o presidente referiu que se tratou de «entidade exterior à Câmara, como sempre se faz em todos os concursos».
Sobre a espantosa coincidência entre o preconizado nas mensagens e o resultado que se veio a verificar, a versão oficial é essa mesmo: pura coincidência. Exemplificou que, em anterior concurso, funcionários que até já exerciam funções para as quais concorriam não conseguiram entrar para os quadros. Rematou, concluindo, que «muito se estranha que circulem por aí essas mensagens anónimas na net, quando, na prática, ninguém recorre das decisões tornadas publicas».
E mais não disse.
Nem era preciso.