janeiro 15, 2004

Meteram medo ao miúdo... agora que aguente!

Sobre a peça relativamente ao recrudescimento da droga em Seia, publicada pelo Porta da Estrela nesta semana, há que esclarecer o seguinte:
O alegado dono de um dos bares nomeados - apenas por referência geográfica - decidiu escrever um comunicado interno (!) em que tenta desmentir que tenha falado à nossa reportagem. Não desmente formalmente (não poderia) mas tenta dizer que não terá dado autorização para que a história fosse publicada.
Embora eu tenha a prorrogativa de proteger as minhas fontes, já que uma delas decidiu agora revelar-se e mentir descaradamente, provavelmente por receio de enfrentar os clientes a quem denunciou e agora finge salvaguardar, deixo de imediato de a proteger e passo a esclarecer:

As fontes de informação são de facto mais do que uma, mas que a principal foi o próprio David Rodrigues, que me pediu (não só a mim) durante 2 dias seguidos que fizéssemos a reportagem sobre o escândalo dos drogados que se amontoavam nos corredores e lhe prejudicavam o ambiente do bar.Fazia sentido. Já o pai sempre se queixou do mesmo e por isso arranjou graves problemas com a GNR. E eu, enquanto morador no edifício Europa, sei bem o que se passa ali há meses, novamente.
O meu trabalho, a partir daí, foi puramente jornalístico: Informei-me das queixas. Das horas, dos carros, das pessoas envolvidas. Confirmei todas as informações junto de outras fontes que igualmente se predispuseram a contar tudo. Algumas delas fizeram-no à sua frente.
Claro que o miúdo, quando viu as proporções do impacto causado pela notícia, não terá tido a coragem de confessar o que fez à mãe nem à irmã.
Mas não se pense que eu sou leviano. Nunca escreveria nada com esta gravidade se não estivesse absolutamente coberto por provas testemunhais.
O David disse até muito mais do que eu escrevi e disse-o durante largos minutos em 2 bares durante 3 entrevistas - e não uma - à frente de 4 (quatro) testemunhas adultas idóneas, todas elas prontas a testemunhar quando for preciso. Há, inclusivé, excertos gravados e fotos tiradas com seu pleno consentimento, a sorrir para a câmera!
Porque tenta livrar-se de responsabilidades, agora? É um miúdo, nada mais do que isso, dizem-me.
Se se tivesse mantido calmo e calado em vez de se ter deixado tomar pelo pânico e começar a mentir descaradamente, eu nunca revelaria ter sido ele o principal responsável por esta reportagem. Até ele vir falar comigo nunca eu pensei em escrever nada sobre esse assunto. Isto tem que ser BEM ESCLARECIDO.
Não vou desatar a atribuir-lhe adjectivos desprestigiantes, apesar desta sua atitude. Mas não pensasse ele que podia fazer uma baixeza destas e ficar impune! Isso nunca!
As tentativas de culpabilizar o repórter por publicar as suas próprias afirmações, pretendendo desviar culpas para outrem não pegam.

Arrependeu-se? Eu até compreendo.
Mas agora já não vai a tempo. Tivesse ele dito que se tinha arrependido antes do jornal entrar na gráfica e nós ainda poderíamos tentar resolver o problema desenrascando a coisa de outra maneira.
Agora: chamar a reportagem, durante 2 dias seguidos, e só depois de ver o artigo publicado é que cai em si?
É tarde. Há que assumir os actos praticados até porque FOI ELE MESMO, REPITO, QUEM CHAMOU A NOSSA REPORTAGEM e levantou o assunto!!!
Não fui eu quem foi ter com ele.
Será apenas por receio da família que ele agora tenta negar que me deu autorização para publicar o texto?
Talvez se explique isso na próxima edição se ele persistir nesta sua mentira... e mais tarde nas instâncias judiciais.
Um miúdo de 17 anos, embora, não pode afirmar coisas da maior gravidade, provocando consequências a terceiros e desdizê-las logo em seguida. Tem que aprender a ser responsável e mais vale tarde do que nunca.
Até porque a história naturalmente começou a envolver terceiros e outros bares, o que nunca teria acontecido se o David Rodrigues não tivesse despoletado esta história.
Atenção que a história é totalmente verdadeira! Senão, nunca a teríamos publicado. Não confundir a veracidade da história com a consistência do denunciante...
A este propósito cabe-me fazer uma precisão: quando no texto se diz: «os tóxico-dependentes que se aglomeram ... à entrada dos bares “Etc&Sal” e “Preto e Branco”, no Edifício Europa, não se deveria ter incluído o ETC & Sal, dado que de facto eles aglomeram-se sim, nas entradas do Edifício Europa mas não à do referido Bar.O Dono confidenciou-nos «não permitir nunca que eles permanecessem ali à porta».
As nossas desculpas por esta ligeira imprecisão de linguagem que penso, de qualquer modo, não ser grave.

De qualquer modo, percebemos agora que os contornos desta história são muito mais gravosos do que pensávamos ao princípio e compreende cumplicidades entre toxicodependentes e alguns empresários da noite.
Não posso nem quero adiantar mais, neste momento.
Mas atitudes inqualificáveis destas não podem passar em claro, sob pena de se lançar a dúvida sobre a credibilidade dum jornal que tem 25 anos de vida e para o qual nos orgulhamos sobremaneira de escrever.
Não é por mim, porque toda a gente a esta hora já sabe que foi ele a principal fonte de informação e causadora da reportagem.

Mas também não pode mentir descaradamente agora "para livrar a água do capote" desviando a atenção daquilo que efectivamente fez.
Chamou-nos, contou-nos a história com todos os pormenores, pediu-nos para escrevermos sobre ela... agora, que assuma e que aguente tal como nós, que, por sua causa, também demos a cara, correndo os mesmos riscos (ou até mais) que ele.

Publicado por JoaoTilly em janeiro 15, 2004 02:50 AM
Comentários

uma coisa é certa tenha o "miudo" (como lhe chamam) razao ou não... ng tem medo dele certo? mas do "adulto" do etc devem ter pk desmentem o k foi escrito... QUEREM VEMDER JORNAIS????? Não o fassam a custa de injurias e mentiras... com calunias difamaçoes nao vamos a lado nenhum...

Afixado por: x em janeiro 16, 2004 05:25 PM

Eh! Eh! Eh! Continue a tentar... você é capaz... você consegue...

Afixado por: João Tilly em janeiro 16, 2004 11:24 PM