
A rede inclui pais de família e crianças de 12 anos.
Quando chega? De onde vem? Quem a tráz? Quem a consome? Onde se fazem as entregas? Descobrimos tudo. E começamos a explicar
«A droga está aí. À nossa porta e à luz do dia. Com mais força do que nunca»
Esta é a queixa unânime dos responsáveis dos bares que foram contactados pela nossa reportagem, nos últimos dias. Os proprietários de dois deles, no edifício Europa, são peremptórios em afirmar que «isto ainda está pior do que no tempo dos ciganos».
Recuemos uns meses atrás:
Depois de várias diligências efectuadas no decurso de 2003 pelo NIC (Núcleo de Investigação Criminal) da GNR de Gouveia, subitamente a clientela tóxico-dependente que permanecia diariamente na «grade» em frente ao Edifício Europa, constituída maioritariamente por indivíduos de etnia cigana, desapareceu por completo.

Os comerciantes respiraram de alívio, mas o descanso foi pouco. Apenas alguns meses volvidos, as suas queixas sobem novamente de intensidade. Acusam abertamente alguns elementos da mesma etnia de agora estarem por detrás do negócio, fornecendo os tóxico-dependentes que se aglomeram à espera dos “carregamentos” tardes e noites inteiras à entrada dos bares ETC&SAL e PRETO&BRANCO, no Edifício Europa e PALMEIRAS, em Crestelo. Mas não se pense que é só à porta destes bares que os infelizes jovens esperam pelos fornecedores. A diferença é que estes proprietários o declaram abertamente, enquanto que, segundo eles, «muitos têm receio de falar».Tal é a sua indignação que os responsáveis não se furtam a dar a cara já que, segundo dizem, «a GNR, mesmo quando solicitada, não faz nada para evitar esta situação».
Quando chega a droga a Seia e de onde provém?
A nossa reportagem apurou que os “carregamentos” – como lhe chamam os moradores do edifício e os proprietários dos bares – chegam geralmente às terças e às sextas-feiras. Vários foram os carros referenciados, mas unanimemente se refere um furgão IVECO de uma cor pouco usual, conduzido por indivíduos de etnia cigana, que alegadamente deixam a carrinha inclusivamente mal estacionada, com os piscas e portas abertas em frente à grade, enquanto os seus ocupantes fazem calmamente a distribuição pelos presentes. O pior é que, de seguida, alguns jovens mais impacientes chegam a entrar nos bares dirigindo-se de imediato para a casa de banho, onde permanecem durante largos minutos. Desconfiado deste procedimento o proprietário de um deles seguiu um dos "clientes" apressados conseguindo apanhá-lo em flagrante na posse de vários saquinhos de pó branco. Mostramos aqui 2 deles.

David Rodrigues, gerente comercial, refere que já chegou a chamar por 2 vezes no mesmo dia a GNR para que viessem verificar os alegados “descarregamentos”, e que «depois o que aconteceu foi que o carro da patrulha passou ao largo, do outro lado da estrada, em vez de virem aqui ao “mercado da distribuição”»
Ora um dos mercados continua a ser exactamente no canto da Sapataria que existe no edifício Europa. Há um outro veículo de cor avermelhada que é referenciado como «um dos que a tráz de Viseu há anos e que continua a fazê-lo na boa», segundo declaram os comerciantes.
Não é só de Viseu, porém, que a droga que se comercializa abertamente em Seia provém. A nossa reportagem tem informação segura de que Coimbra é outra das mais importantes origens do produto que é livremente vendido às nossas crianças e adolescentes.
Quem a vende?
Para além das claras alusões aos indivíduos da etnia referenciada, existe como que uma pequena rede de redistribuição, de que fazem parte tanto crianças de 12 anos, como chefes de família em Seia. «Há várias crianças de tenra idade que apresentam aqui ao balcão autênticos maços de notas de muitas centenas de euros. Umas vezes de propósito e outras por descuido, mas tanto dinheiro não pode ser dado pelos pais», afirma-nos o empregado de um bar no edifício Europa. Esta informação foi corroborado por outro funcionário do bar concorrente, no mesmo edifício».

«Há crianças que andam na rua o dia inteiro. Uma delas sai de casa de manhã, porque a mãe, prostituta, precisa de trabalhar lá. Chegam-se as 5 e as 6 da tarde e a criança continua na rua. Alimenta-se de bolos e de batatas fritas o dia inteiro». Esta é uma das crianças que estará, neste momento, a ser já aliciada para se juntar à rede, segundo conseguimos apurar. «Se já não vende, vai começar a vender... com as companhias com que anda...» é a opinião dos empregados dos bares do edifício, onde a criança passa tardes inteiras na loja dos jogos.
Para além desta estão perfeitamente referenciadas mais duas crianças de cerca de 13 anos, que não escondem, pelo menos de forma minimamente hábil, a sua actividade.
Onde são feitas as entregas?
Os locais de entrega mais comuns são o edifício Europa, às terças feiras, cerca das 20 horas da noite, no canto da Sapataria e no recanto da Óptica.
Os proprietários dos referidos estabelecimentos confirmaram-nos que as provas estão lá diariamente porque de manhã têm que varrer e limpar tudo. E aí encontram «restos de produto queimado e pratas tanto no chão como nos parapeitos das montras». A grade da óptica tem sofrido, igualmente, por mais que uma vez, com as arremetidas dos jovens enquanto ressacam à espera do fornecedor.

Também no fundo das escadas do bar Palmeiras, em Crestelo se juntam muitos jovens, horas a fio, faça chuva ou sol. Foram ameaçados formalmente pelo gerente desse estabelecimento que «se continuassem a consumir droga nas escadas os fazia contá-las todas por aí abaixo». Depois deste convincente aviso, passaram os jovens a concentrar-se no fundo das mesmas, encostados ao prédio. Curiosamente a escassos metros do quartel da GNR.
S. Romão, ultimamente, é também bastante referenciado, pelas nossas fontes, como sendo um centro de grande consumo e tráfico de estupefacientes. Tal facto não estará directamente ligado com a nova vida nocturna que entretanto ganhou bastante notoriedade naquela vila, granjeando de imediato apoiantes e detractores, como se pode comprovar no nosso fórum. Isto porque, também ali, a droga é distribuida à tarde ou ao princípio da noite, pelo que é dificil estabelecer alguma relação directa entre o sucesso que alguns bares têm ali tido ultimamente, permanecendo abertos até altas horas, e esta questão.
E a GNR?«Não actua, se formos nós a chamá-la» – queixa-se David Rodrigues, o proprietário do bar Preto &Branco.
Explica:
«Ontem, por exemplo, por duas vezes a chamámos e não apareceu ninguém sequer. Hoje, a minha irmã teve que dizer, ao telefone, que era uma moradora do edifício Europa, e que estava um grupo de tóxico-dependentes a consumir e a transaccionar droga no corredor de acesso, para eles cá virem. Apareceram em 5 minutos».
PE: Mas porque chamam a GNR? Os tóxico-dependentes portam-se mal? Incomodam-vos de alguma forma?
DR: É que eles colocam-se no corredor em magote à espera do fornecimento, tardes inteiras e entretanto vão consumindo alguma que ainda tenham. E quem quiser passar, para entrar no bar, muitas vezes tem que lhes pedir passagem. Outras vezes as pessoas olham para aquele espectáculo e pura e simplesmente dão meia volta e vão-se embora. Não estão para se meter no meio deles».
«Não é que eles entrem aqui dentro e provoquem confusão, mas a sua presença em tão elevado numero nos corredores dá-nos cabo do negócio.
Já Victor Nunes, proprietário do ETC&SAL não é exactamente da mesma opinião.
«A GNR actua, sim, mas é se vir um carro estacionado aqui defronte. Multa-o imediatamente. De resto, nada mais se vê».
A indignação de comerciantes e moradores tem subido de tom, ultimamente, e neste momento é raro o dia em que a GNR não receba chamadas a alertar as Forças da Ordem para o que se está a passar, novamente, em frente ao Edifício Europa.
Porque razão a GNR não vem fiscalizar nem revistar os delinquentes, é que nenhum dos moradores nem dos comerciantes compreende.
não se admirem se aparecerem por essas bandas , um dia destes ,os esquadrões da morte !
caro joao
desculpe estar a usar este comments mas nao descobri um e-mail de serviço. por isso aqui vao 2 perguntinhas:
a) qual é sua maquina digital? A Serra é um aboa musa mas a resolucao destas imagens esta' muito fixe
b) a lista de restaurantes que publicou em 29/11 esta' por ordem de preferencia? Se nao, como ordenaria um podio?
A minha máquina é, de facto, digital, mas é de vídeo e não de fotografia.É uma Sony DCR-TRV720E PAL e só resolve com um único CCD a 800.000 pixels. Nada mais. Nem chega a 1 mega, portanto.
São frames tirados de documentários feitos por mim - e outros que ainda não editei - sobre a nossa região: Seia e a Serra da Estrela. Hoje já há câmeras de vídeo a 3.3 Megas... para a semana comprarei uma, mas de 3 CCDs a 1.7 Mega.
Sobre os restaurantes, não me peça isso. Vivo há cerca de 40 anos em Seia e sou amigo pessoal de todos as casas. O que lhe posso dizer é que as que recomendo são todas muito boas. Escolha uma qualquer e se não gostar... mande-me a conta.
Um abraço
J Tilly
Não compreendo como uma pessoa que aparenta ser tao inteligente se mostra tao imcompetente ao ponto de publicar uma foto de David Rodrigues,meu irmao,sendo ele menor de idade!Esqueceu-se que apesar de Jose Rodrigues não se encontrar em Portugal, David Rodrigues tem mãe.Deveria ter pedido autorização,ou não?
Afinal quem é você para pôr em risco a integridade física do David?
Quem é você pra decidir o que não pode?
Se acontecer alguma coisa você, João Tilly, será o único responsável!
não compreendo partes da sua reportagem,vou tentar expor as minhas duvidas por uma logica de ideias por forma a entender da melhor maneira para que me possa esclarecer convenientemente.referencia o nome de dois establecimentos do edificio europa,e respectivas "fontes".ocultando o nome da sapataria e da optica.referencia tb o nome de outro establecimento junto a gnr e tb nao divulga o nome da sua fonte que lhe diz «se continuassem a consumir droga nas escadas os fazia contá-las todas por aí abaixo».mais tarde vem desmentir que o q diz ter acontecido:
«A este propósito cabe-me fazer uma precisão: quando no texto se diz: «os tóxico-dependentes que se aglomeram ... à entrada dos bares “Etc&Sal” e “Preto e Branco”, no Edifício Europa, não se deveria ter incluído o ETC & Sal, dado que de facto eles aglomeram-se sim, nas entradas do Edifício Europa mas não à do referido Bar.O Dono confidenciou-nos «não permitir nunca que eles permanecessem ali à porta».
As nossas desculpas por esta ligeira imprecisão de linguagem que penso, de qualquer modo, não ser grave.»aqui esta uma verdade mas no fundo os aglomerados ate sao a porta da dita sapataria e da dita optica.e no entanto da-se a entender que e noutro local.agora pergunto:sera que eu estou a entender isto td mt mal?ou no fundo a sua noticia começa a entrar em contradições?e até q ponto e q td o que foi escrito tem credebilidade?pq ja ter descartado tds os comerciantes a excepção do mais novo,logo obviamente o mais facil de culpar,de td aquilo que foi dito?gostaria imenso que me eclarecesse estas duvidas pq no fundo e bem vistas as coisas nem sei em que acreditar.